Em setembro deste ano, a Federal Trade Comission aplicou ao YouTube uma multa de 150 a 200 milhões de dólares por violar a Lei Federal de Proteção à Privacidade Online para Crianças (COPPA). Embora a coima não a coloque de todo em risco de falência, esta causou uma grande “mossa” na reputação da empresa. Ainda antes de anunciar a chegada de mudanças, a plataforma terá considerado um controlo mais estrito a nível da monitorização dos vídeos para o YouTube Kids.

De acordo com fontes internas a que a Bloomberg teve acesso, a empresa tinha intenções de monitorizar individualmente cada um dos vídeos que fosse publicado na plataforma. O projeto “Crosswalk” era composto por uma equipa de 40 colaboradores que verificariam se o conteúdo era de facto apropriado para crianças até aos oito anos de idade.

O projeto estaria já numa fase de planeamento relativamente avançada quando Susan Wojcicki, a CEO da empresa, decidiu abandoná-lo. O YouTube estaria mesmo a preparar uma comunicação à imprensa onde o anunciaria e onde indicava que moderadores profissionais monitorizariam cada vídeo publicado. Segundo fontes próximas, a empresa desistiu do projeto, porque este iria conta os seus ideais enquanto uma plataforma neutra.

Ao que tudo indica, uma monitorização mais estrita dos vídeos não parece estar nos planos na empresa. Numa recente entrevista à CBS, Susan Wojcicki terá indicado que se a plataforma fosse responsável por cada um dos conteúdos que recomenda, esta teria, de facto, de verifica-los. Para o YouTube, a tarefa de lutar contra a disseminação de discurso de ódio, de desinformação e de conteúdo impróprio é algo quase impossível dado à vasta quantidade de vídeos que existem na plataforma, indicam fontes internas.

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Para já, as mudanças que ocorrerão em 2020 enquadram-se na área da recolha de dados dos utilizadores, dos anúncios personalizados e de algumas funcionalidades. Reconhecendo que as alterações vão ter "um impacto significativo no negócio" das famílias e crianças que criam conteúdos, a empresa indica que irá trabalhar para oferecer aos criadores afetados quatro meses para que se adaptem. Ainda assim, a CEO afirma que a plataforma está comprometida em trabalhar com os criadores na transição e em fornecer recursos para ajudá-los a compreender de uma melhor forma essas alterações.

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