No início da semana, a FCT multou o YouTube por alegadamente violar a Lei Federal de Proteção à Privacidade Online para Crianças. Esta quarta-feira a plataforma da Google reagiu à coima de 150 a 200 milhões de dólares, que já aceitou pagar, e anunciou mudanças que admite penalizarem o negócio de muitas famílias e crianças.

A partir do início de 2020, os dados de qualquer utilizador que assista a conteúdos produzidos pelos mais novos serão tratados como se de crianças se tratassem, independentemente da sua idade. Esta é uma das novidades avançadas pela CEO da plataforma no post publicado no blog da Google. Desta forma, a recolha de dados e a sua utilização para os vídeos destinados às crianças serão apenas concretizados “caso seja necessário para apoiar o serviço”.

Além disso, o YouTube vai deixar de veicular anúncios personalizados nos conteúdos para as crianças e alguns recursos deixam de estar disponíveis, como comentários e notificações. E agora a plataforma passa a solicitar aos criadores a categoria em que o vídeo se insere, enquanto uma ferramenta de machine learning vai ser utilizada para encontrar vídeos cujo público alvo são as crianças.

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Apesar da coima, Susan Wojcicki continua a aconselhar a utilização do YouTube Kids aos pais que querem permitir que os seus filhos com menos de 13 anos assistam de forma independente a vídeos. E com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre esta plataforma, o YouTube vai investir numa campanha que vai passar na plataforma, anunciando também que a experiência deverá estar disponível em versão desktop em breve.

Reconhecendo que estas mudanças vão ter "um impacto significativo no negócio" das famílias e crianças que criam conteúdos, o YouTube garante que irá trabalhar para oferecer aos criadores afetados quatro meses para que se adaptem, antes de as alterações entrarem em vigor no YouTube. Ainda assim, a CEO da empresa afirma que a plataforma está comprometida em trabalhar com os criadores na transição e em fornecer recursos para ajudá-los a compreender de uma melhor forma essas alterações.

E garantindo que vai continuar a investir no futuro do conteúdo familiar, o Youtube vai estabelecer um fundo de 100 milhões de dólares, desembolsado por três anos, dedicado à criação de conteúdo original de crianças no YouTube e no YouTube Kids em todo o mundo.

A multa da FCT surgiu depois de uma queixa que reportou que o YouTube estaria a recolher dados das crianças que utilizavam a plataforma, utilizando-os para apresentar-lhes anúncios sem o consentimento dos seus pais.

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