Armando Pantoja explicou ao SAPO TEK que “nem andava à procura de trabalho quando fui contatado pela Google”, mas realça que não se vira as costas àquele que é um dos locais mais desejados pelos techies para trabalhar. No entanto, aquela que podia ser a experiência de uma vida logo se revelou uma surpresa desagradável.

“Supostamente a Google é a empresa máxima para se trabalhar, mas todo o processo de recrutamento não foi diferente de qualquer outra organização”, desabafou o engenheiro de software. A partir daí, Pantoja sabia “que tinha que haver uma maneira melhor”.

Foi então que desenvolveu a HireMatch, uma solução para as ineficiências da atual indústria de recrutamento e que, ao utilizar tecnologia blockchain para descentralizar o mercado, incentiva os agentes de recrutamento a encontrar os melhores candidatos para cada função.

“Atualmente, o que as empresas fazem é colocar uma vaga de emprego em sites como o Indeed e esperam passivamente que os candidatos entrem em contato”, esclarece Armando Pantoja, depois da sua apresentação na Rock in Rio Innovation Week. Depois, seguem-se longos processos de recrutamento que em nada diferem uns dos outros, mesmo em diferentes setores.

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Armando Pantoja

Com a HireMatch pretende trazer-se eficiência e otimizar-se a contratação, através da redução de custos associados à utilização de intermediários no processo de identificação, atração e recrutamento de talento.

Os agentes envolvidos no processo de seleção são recompensados através de tokens (Hire) que funcionam como um incentivo para encontrar, verificar e enviar o perfil do melhor candidato para cada oferta de emprego. Contudo, se a empresa de recrutamento recusar um candidato que foi aprovado pelos agentes de seleção da plataforma, os tokens são retirados.

Armando Pantoja explica que este método serve para incentivar “avaliações rigorosas e o mais acertadas, até porque quanto melhor escolherem os candidatos que vão apresentar aos recrutadores, mais tokens vão receber os agentes”.

O engenheiro de software norte-americano também acredita que a plataforma irá contribuir para diminuir injustiças como “aqueles dois colegas que têm exatamente as mesmas competências e estão no mesmo nível, mas um deles está mais bem posicionado na empresa e, consequentemente, ganha mais simplesmente por ser mais conversador”.

“Quero que esta plataforma encontre as pessoas que estão mal empregadas e que as leve ao nível em que deveriam estar. Basicamente que todas as pessoas com capacidades iguais tenham as mesmas oportunidades de trabalho”, esclarece ao SAPO TEK.

Regulação “estranguladora” nos EUA empurra tecnologia para a Europa

A Bravuz, startup booster portuguesa, foi a escolhida para criar uma joint venture com a HireMatch e lançar em Portugal, a primeira plataforma baseada em blockchain para mercado do recrutamento, a Bravuz HireMatch.

Ao SAPO TEK, Armando Pantoja explica que, não descurando o facto de Portugal estar nas “bocas do mundo” pelo boom tecnológico que o país vive atualmente, as dificuldades legislativas nos EUA foram decisivas para escolher a Europa como ponto de partida do sistema por si criado.

“Tínhamos que começar por algum lado, mas um dos principais motivos para escolhermos Portugal é por causa do rápido crescimento e evolução de um hub tecnológico. O outro é o facto de, nos EUA, todos os dias temos uma regulação diferente, o que torna extremamente difícil avançar com ideias como esta. Queríamos um ambiente mais aberto e friendly”, afirma Pantoja.

Para Eduardo Marques, CEO da Bravuz, esta “colaboração entre a Bravuz e a HireMatch para o desenvolvimento da Bravuz HireMatch” é mais do que uma oportunidade de negócio porque “permite estabelecer um novo modelo de funcionamento da indústria do recrutamento na Europa”.

“O potencial do blockchain é inegável e estamos muito felizes por introduzi-lo no mercado do recrutamento na Europa, contribuindo para processos mais inteligentes e eficientes, assim como para aquisições mais relevantes, que são cruciais num mercado cada vez mais competitivo”, refere.

A Bravuz HireMatch será desenvolvida pela Bravuz Do It, uma joint-venture entre a Bravuz e a Do It Solutions, uma devshop ucraniana com vasta experiência no desenvolvimento de plataformas e outras soluções para a indústria do recrutamento.

A plataforma será lançada em Portugal em julho e chegará ao resto da Europa no segundo semestre de 2018.

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