A conversa começou com uma iniciativa que a Altran Portugal desenvolveu hoje a propósito do Dia da Mulher, mas acabou por se estender às necessidades de recrutamento, até porque a necessidade de recursos humanos é premente e não é só com a adesão de mais mulheres que se pode resolver.

Célia Reis, CEO da Altran Portugal, é uma das poucas (mas boas) mulheres que em Portugal seguiram uma carreira na área da tecnologia e que chegou a uma posição de liderança de uma tecnológica internacional. No rol constam as responsáveis pela Cisco, a Microsoft e a Alcatel em Portugal, que já contaram ao SAPO TEK as suas experiências num mundo de homens.

“Recrutámos no ano passado 800 pessoas, um número que se calhar não há muitas pessoas a recrutar”, referiu Célia Reis, que diz que basta fazer as contas a este número, às necessidades de outras empresas nas áreas de TICE (Tecnologias da Informação, Comunicação e Eletrónica) e ao investimento internacional que se está a fixar em Portugal para perceber “a pressão que existe no mercado”.

A Altran está em Portugal há vinte anos e conta com 1.800 colaboradores, mantendo escritórios no Porto, Lisboa e Fundão. A empresa atua na área da consultoria de engenharia e I&D, desenvolvendo produtos e serviços à medida das necessidades dos clientes nos vários sectores de mercado.

Sem querer referir números de faltas de profissionais, Célia Reis lembra que é preciso atrair mais mulheres para a tecnologia, mas não só. “Portugal está a viver uma época de ouro com oportunidades na criação de valor na área das tecnologias, é um investimento importante, mas que traz consequências”, afirma.

Segundo a gestora, Portugal está “no olho do furacão” o que está a criar uma pressão asfixiante na procura de perfis mais qualificados nas áreas tecnológicas.

E como se pode resolver? É preciso planear, atrair os jovens para esta carreira (rapazes e raparigas) e trabalhar em estratégias de conversão de recursos de outras áreas. E também ter uma estratégia de atração dos recursos que já saíram do país e que foram formados cá, oferecendo condições para voltarem para Portugal.

“Temos de pensar a longo prazo, a 5 ou 10 anos”, refere, lembrando que as carreiras TIC têm grande transversalidade de temas e que são um ponto de contacto para as áreas da saúde, aeronáutica ou automóvel.

A Altran Portugal desenvolveu hoje uma ação que designou como “We can do I.T.!” e que decorreu em várias escolas secundárias, junto de alunas do 10º, 11º e 12º ano, para sensibilizar as jovens para estas carreiras. O roadshow realizou-se nos três locais onde a multinacional francesa marca presença física através dos seus centros tecnológicos, em Lisboa, Porto e Fundão.

Mas Célia Reis sabe que isso não é suficiente. “Não bastam iniciativas esporádicas. Para causar impacto e criar um movimento mobilizador é preciso ter ações mais consistentes”, defende.

A solução passa por um “trabalho de equipa” entre o Governo e as empresas, com maior amplitude e duração, que atravesse várias legislaturas e que tenha uma visão de continuidade, sublinha.

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