Através da plataforma Brighter Future, a Fundação José Neves revelou os novos indicadores sobre as habilitações académicas dos portugueses empregados pelas empresas, assim como os salários praticados e a disparidade entre géneros. Um dos destaques diz respeito ao aumento de trabalhadores com um Curso Técnico Superior Profissional, os chamados CTeSP, que apesar de serem recentes há cada vez mais profissionais com este tipo de cursos.

Segundo os dados da plataforma, em 2019 estavam diplomados mais de 1.850 trabalhadores em empresas nacionais. No entanto, estes representam apenas 0,06% de pessoas ao serviço em empresas e apenas 0,27% com mais do que o ensino secundário. Ainda sobre estes dados, mais de metade dos diplomados CTeSP estavam alocados na região Norte (30%) e na Área Metropolitana de Lisboa (28%). Os sectores com mais diplomas estão no comércio por grosso e a retalho com 17%, seguindo-se atividades de consultoria, científicas e técnicas com 13%, as atividades de saúde humana e apoio social com 13%, informação e comunicação 8%, construção 7% e alojamento e restauração com 5%.

O relatório diz que o grupo dos 25 aos 34 anos é que compensa completar um CTeSP, sendo que em 2019, o ordenado médio destes diplomados era de 1.020 euros, correspondendo a mais 8,4% do que a média de salários de pessoas com ensino secundário completo.

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Em outros indicadores, é destacado que metade dos trabalhadores das empresas portuguesas têm, no máximo, o ensino básico. Refere ainda que a idade média dos trabalhadores do sector empresarial subiu de 38,7 em 2010 para 39,8 anos em 2013 e em 2019 está com média de 40,7 anos. Reforça ainda que a sobrequalificação dos trabalhadores subiu 5% em 2019, quando comparado com 2010. Ou seja, um em cada quatro trabalhadores tem mais qualificações do que as necessárias para exercer a sua profissão. E quanto mais jovens, maior a percentagem de trabalhadores com qualificações a mais, o que se traduz numa perda de retorno do investimento individual e nacional feito em educação.

Foi também registado que os trabalhadores estão a mudar cada vez mais de profissão. Cerca de um em cada quatro trabalhadores muda de profissão em dois anos. Entre 2017 e 2019, mais de 30% dos portugueses mudaram de profissão, destacando-se os especialistas de redes informáticas, auxiliares de enfermagem, programador de aplicações, pessoal de receção e informação a clientes, entre outros. Este fenómeno está associado a profissões com salários médios mais baixos, que não exigem formação específica e com perspetivas de evolução da carreira mais escassas. Do outro lado, apenas 4,5% dos trabalhadores mudaram de profissão, por terem salários superiores à média, com qualificações elevadas e competências especificas, mas com limitações na progressão na carreira, sendo o exemplo dos pilotos de aeronaves, enfermeiros, médicos ou instrutores de condução.

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Na análise feita, a plataforma Brighter Future salienta que em 2019, o salário médio foi pela primeira vez superior ao de 2010. Aumento mais pronunciado entre os trabalhadores mais jovens e menos qualificados. O salário médio foi de 1.146 euros, sendo o mais elevado desde 2010, depois das quedas continuadas entre 2010 e 2015, em cerca de 5,4%, sendo depois feita a recuperação a partir de 2016. Assim, com mais 0,6%, a média de salários registada foi pela primeira vez superior ao registado no período anterior à crise financeira. As pessoas com cursos pós-secundário subiu 4,9%, mestrado 3,8%, sendo que com licenciadora subiu apenas 1,3% e ensino secundário 1,8%. Já os doutorados viram o seu salário médio descer 0,5%.

Por fim, é salientado a disparidade salarial entre os géneros, sendo que os homens ainda ganham em média 20% a mais do que as mulheres. Ainda assim, mesmo com a disparidade salarial em queda, os homens continuam a ganhar mais, independentemente da idade, escolaridade e região de Portugal onde trabalhem. O estudo diz que se em 2019 os homens ganham mais 20% que as mulheres, antes de 2010 e da crise financeira, o valor era de 25%. E são nas faixas etárias mais elevadas onde existem maiores reduções da disparidade salarial nas duas datas. Dos trabalhadores entre os 25 e 34 anos não chegou a 1%, mas acima dos 54 anos, caiu 10%, ou seja, uma diferença de 46% para 36%. Área metropolitana de Lisboa e região Centro são os locais onde se verificam maiores diferenças, mas na Madeira e Alentejo houve uma redução da vantagem salarial dos homens face às mulheres.

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