A conferência organizada esta manhã em Bruxelas chama-se mesmo "The road to Osaka: Huawei forging ahead" o que numa tradução livre pode ser lido como "O caminho para Osaka: Huawei inovando", e serviu para apresentar um novo whitepaper da empresa sobre 5G e cibersegurança, onde se defende que há oportunidades e desafios e que os operadores e os governos devem definir a sua posição e a forma como querem implementar a quinta geração móvel.

Mika Lauhde, vice presidente de cibersergurança e privacidade da Huawei, admitiu que a empresa está a iniciar uma discussão que já devia ter acontecido há muito tempo na Europa, e defende que a garantia da segurança das redes tem de ser um trabalho de todo o ecossistema, e que não são apenas os fornecedores de equipamentos os responsáveis.

Questionado pelos jornalistas quanto aos problemas que a empresa tem tido com o bloqueio nos Estados Unidos, o responsável lembra que "nós não operamos a rede, são os operadores" e que eles podem ajustar todas as configurações de cibersegurança, mesmo sem intervenção da Huawei nesse processo.

Reconhecendo que estes últimos meses têm sido "turbulentos" Mika Lauhde explica que a Huawei está a preparar-se para ter os componentes necessários para cumprir os compromissos com os seus clientes, e que está a trabalhar com o ecossistema. "Felizmente não temos nenhum problema com fornecedores de tecnologia na Europa", adiantou, explicando com não há fornecimento de componentes oriundos do espaço europeu mas apenas de software. Mesmo assim, acrescenta que a empresa está a conseguir compensar a falha de fornecedores de componentes dos Estados Unidos com a produção interna da Huawei e com outros fornecedores.

Quebra de vendas entre os 40 e 60%

Com a quebra de relações com empresas norte americanas de tecnologia e componentes, como a Intel e a Google, a Huawei tem de se preparar para uma redução da capacidade de produção de telemóveis mas também de outros equipamentos menos visíveis para o utilizador final, como equipamento de rede, storage e IoT.

Huawei estará a reduzir a produção de smartphones devido ao bloqueio dos EUA
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A Bloomberg escreve que mesmo sem os componentes norte americanos a Huawei tem capacidade para continuar a fabricar smartphones de topo de gama. A agência falou com vários especialistas, incluindo a iFixit, que afirmam que as peças podem ser adquiridas a produtores da China, Japão, Coreia do Sul e Taiwan, embora alguns deles possam não ter a mesma qualidade. A Huawei fabrica os seus próprios processadores, os Kirin, mas estes usam tecnologia licenciada à ARM, que também já anunciou que vai abandonar os projetos com a empresa.

Já o sistema operativo Android será mais dificil de substituir, até porque se for forçada a usar a versão de código aberto do sistema operativo da Google vai ficar afastada das atualizações e da inovação que cada nova versão traz. A empresa está já a preparar um novo sistema operativo, o Hongmeng, e já o registou em diversos países, estando também a trabalhar com os developers de aplicações para entrarem na sua loja própria.

Huawei pediu registo do seu próprio sistema operativo em nove países
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Um relatório da Bloomberg revelava que a empresa pode sofrer uma quebra de 40 a 60% nas vendas de smartphones a nível global por causa desta guerra com os Estados Unidos, e que já colocou um travão na distribuição de alguns novos modelos, como o Honor 20 da sua sub marca destinada ao segmento mais jovem.

Na segunda feira o fundador e CEO da Huawei, Ren Zhengfei, admitiu que as sanções vão inverter o ciclo de crescimento da empresa que pode perder até 30 mil milhões de dólares de receitas até final de 2020.

No ano passado a ZTE foi proibida de usar tecnologia norte americana e isso teve um impacto negativo na suas receitas, mas as asnções acabaram por ser retiradas em troca de uma multa de mil milhões de dólares e uma mudança na gestão que permitiria a uma equipa de compliance dos EUA acompanharem as atividades da empresa. Segundo a imprensa internacional, este acordo fez com que a ZTE perdese cerca de 3 mil milhões de dólares de  valor de mercado.

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