As medidas do estado de emergência devido à pandemia de COVID-19 obrigaram a um isolamento da população durante várias semanas. A população ganhou novos hábitos de consumo, virando-se sobretudo para as plataformas digitais de compras. “O e-commerce ganhou um novo impulso, criando disrupção e questionando as ofertas até agora disponibilizadas pelas empresas”, destaca a DBi - Data Business Intelligence. Nesse sentido, a consultora pretende dar algumas respostas às empresas e ajudá-las a capitalizar neste período da “nova realidade”.

Miguel Serrão, Managing Partner da DBi do Grupo Havas, referiu durante uma conferência online que o grupo criado em 2006 conta com mais de 300 clientes, 250 colaboradores e tem 23 escritórios espalhados pelo mundo, incluindo em Lisboa. Em Portugal, tem quatro áreas de maior foco: Web & Advanced Analytics para ajudar clientes a prever baseado em dados; Data & Tech onde destaca a ferramenta de gestão de dados; Recrutamento & Formação área em que em Portugal está mais desenvolvida que em outros países; e por fim, a área de Consultoria para ajudar os clientes em estratégias de medição de resultados, avaliação de ativos digitais e no geral, aumentar o negócio através do digital.

A empresa destaca que as pesquisas da Google em Portugal, apontando para o fim de novembro e início de dezembro, tiveram picos de procura de e-commerce no nosso país. Um pico semelhante deu-se durante o período de confinamento, mas com uma diferença: este nunca baixou dos níveis que são normais no período natalício. Mais de 80% dos seus clientes cresceram acima dos 100% durante este período. E 15% dos clientes tiveram mesmo roturas de stock. Primeiro porque têm stock de loja física e outro virtual. Quando o stock virtual acabou não houve inércia para ir ao stock físico. Outra situação que contribuiu para a rotura foi o facto de muitas empresas não terem armazéns em Portugal e por isso não foram abastecidas devido ao fecho das fronteiras.

A Hotelaria e o Turismo desceram, estando agora a aproveitar o momento de pausa para se prepararem para o período pós-COVID-19. Outra dificuldade assinalada foi que não conseguiram enviar todas as encomendas pedidas. Faltou também organização em 25% da expedição das encomendas, porque os trabalhadores alocados às lojas físicas não migraram facilmente para o digital quando necessário. Também o aumento de tráfego fez os websites caírem e estarem inoperacionais por longos períodos.

No entanto, a DBi recebeu feedback positivo dos seus clientes, no que diz respeito ao futuro positivo do comércio digital. A empresa aprendeu que o e-commerce “veio para ficar”, salienta Miguel Serrão. No entanto, a empresa ainda está para compreender se com a reabertura das lojas físicas, o digital se vai manter, mas a consultora afirma que a base de consumidores online aumentou, e já testaram as suas vantagens: rapidez, facilidade, conveniência, promoções, etc. Um estudo realizado internamento pela empresa mostra que os clientes gostaram da experiência das compras online.

Outra conclusão que chegou é que o momento de pausa foi benéfico para reformular estratégias e apostar em projetos estruturantes para o regresso à “nova realidade”.  A partir de março de 2020 a empresa destaca o crescimento, tendo ultrapassado em 48% tudo o que se fez no ano passado. Sendo os clientes da DBi o Retalho, Financeiro e Seguros, Telecomunicações e Eletrónica (cujas pessoas venderam produtos de prateleira que não saiam, como tinteiros e impressoras devido ao teletrabalho e telescola). A Hotelaria e Turismo não cresceu, mas pararam para pensar na nova realidade.

Os serviços mais vendidos foram o Web Analytics e Marketing Automation, devido à necessidade dos seus clientes melhorarem o conhecimento do consumidor e ter maior rapidez nas respostas. A DBi refere que o Recrutamento e Formação também cresceu, assim como a Consultoria do Negócio Digital, devido à procura de soluções digitais para as empresas.

A empresa garante que o seu método de trabalho é mais ágil, na combinação de dados, tecnologia e estratégia digital como catalisador para o aumento das receitas provenientes do digital. Foram ainda descobertas novas oportunidades de negócio, tanto no mercado nacional, como internacional.

No que diz respeito aos desafios para a frente, as empresas estão agora prontas para o digital, mas precisam tentar que os hábitos dos seus consumidores se mantenham no e-commerce. Para as empresas que ainda não implementaram, estas devem reformular o seu stack tecnológico para soluções escaláveis. Devem fazer uma revisão de sistemas de encomendas, armazéns e logística, assim como a necessidade de maior flexibilidade de tarefas, alocando mais recursos para o digital, quando necessário.

Em termos de conclusão, a DBi deixa ainda o desafio às empresas de trabalhar com uma visão a longo prazo. Destaca que a maioria das marcas vendeu online neste período de confinamento do que no Natal de 2019. No entanto, para os retalhistas com lojas físicas não compensou a perda das vendas. Já as empresas puramente digitais vão ter crescimentos globais em 2020. Conclui que o e-commerce em Portugal ficou provado com a COVID-19, até então, tinha sido sempre questionado...

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