A segunda fase do desconfinamento já começou mas para muitos profissionais ainda nada mudou, mantendo-se o teletrabalho que se tornou o “novo normal” nos últimos dois meses, depois do início de uma quarentena voluntária e um confinamento imposto pela crise de saúde pública da COVID-19. Nas empresas tecnológicas o trabalho em casa continua a ser dominante, e mesmo se olharmos para o mercado global, mais de 55% das organizações optaram por pôr em prática planos de teletrabalho para todos os colaboradores, como revela um estudo da Mercer. Na prática este modelo está também associado a uma flexibilização dos horários de trabalho, especialmente quando os colaboradores que trabalham a partir de casa têm de dar assistência aos seus filhos que devido à suspensão das aulas presenciais se mantêm também em casa.

A plataforma LegiX está a verificar, na prática, estas tendências, como explica Carlos Amaral, fundador e CEO da Priberam, empresa que mantém a plataforma de base de dados jurídica que foi criada em 2001 e que se tornou uma referência do mercado.

“O crescimento do número de utilizadores LegiX tem sido uma constante desde 2016, ano em que substituímos o anterior LegiX Extranet pelo sistema actual, que tem vindo a ser melhorado constantemente”, explica Carlos Amaral, dizendo que o que não foi antecipado foi o impacto da pandemia de COVID-19e o crescimento registado logo no mês de março, com um aumento de 72% do número de sessões por comparação com os meses anteriores.

A combinação do teletrabalho, e a falta de recurso físico a bibliotecas mantidas por muitos escritórios, com o fim de uma base de dados da Ordem dos Advogados ajudaram a reforçar estes números. Para facilitar o acesso ao LegiX a Priberam abriu mesmo o acesso a todos os colaboradores dos clientes em abril, uma situação que se mantém até final de maio.

“O facto de as pessoas estarem em casa levou a que muitos advogados, que normalmente recorriam a colegas seus ou a departamentos de gestão de conhecimento das suas organizações quando precisavam de alguma informação jurídica, passassem a ter que ser eles próprios a procurá-la”, afirma Carlos Amaral

“Havia advogados que nunca tinham usado o LegiX apesar de a organização a que pertencem ser cliente e que agora nos dizem que não prescindem do seu acesso”, refere Carlos Amaral, admitindo que essa é uma noção que a empresa tem de inúmeras sessões de apresentação e de formação por videoconferência que têm sido pedidas. “Considero até que houve uma democratização do conhecimento com vantagens óbvias para as pessoas e as próprias organizações que neste aspecto se tornaram mais ágeis até porque cada pessoa pode personalizar o LegiX em função da especificidade das suas necessidades”, sublinha.

Para acompanhar o crescimento foi preciso reforçar alguns componentes da infraestrutura do LegiX, mudando para servidores com maior desempenho não só para evitar a degradação dos tempos de resposta mas também para estarem prontos a responder a mais solicitações resultantes da disponibilização de novas funcionalidades. Em Março a Priberam adicionou um separador à página de entrada do LegiX que reúne toda a informação legislativa referente à COVID-19, e que é actualizada de forma automática, hora a hora, com a informação que é publicada no Diário da República, nos Jornais Oficiais das Regiões Autónomas e no Jornal Oficial da União Europeia. Mas estão a ser preparadas novidades nas áreas dos conteúdos, algumas das quais na área de colaboração que têm sido testadas noutros produtos da empresa e que vão depois ser integradas na base de dados jurídica. “O objectivo é que o conhecimento disponível no LegiX ou criado com base nele, seja cada vez mais partilhado dentro das organizações”, afirma.

Horário de trabalho mais disperso pelas horas do dia, e dias da semana

Não falta quem confirme que a trabalhar em casa o número de horas passadas ao computador, entre documentos, reuniões e videoconferências, se estende muito para além do que é habitual no escritório. Um estudo AESE Business School sobre o impacto da pandemia COVID-19 na vida pessoal e profissional dos gestores indica que 38% passaram a trabalhar mais de nove horas por dia, com reuniões que em muitos casos ocupam entre três a cinco horas por dia.

Um outro relatório, da Universidade Europeia, revela que na resposta a um inquérito aos portugueses que se encontram em teletrabalho devido à pandemia, 49% dizem sentir que trabalham mais estando em casa do que trabalhariam numa situação normal, enquanto 35% consideram que trabalham sensivelmente o mesmo.

Os dados de acesso ao LegiX permitem perceber que as horas de trabalho mudaram significativamente, e que atualmente a plataforma regista um grande crescimento nos horários noturnos e ao fim de semana, em alguns casos acima dos 600%.

“Quando fizemos uma análise da utilização da plataforma por dias de semana e por horas do dia, verificámos que o crescimento da utilização fora das horas “normais”, isto é, aos fins-de-semana e à noite ou ainda, entre as 7:00 e as 9:00, era muito superior ao registado globalmente”, afirma Carlos Amaral.

Utilização do LegiX durante pandemia COVID-19

O CEO da Priberam adianta que de conversas com clientes, mas também com amigos e familiares, diria que “este padrão de utilização é consequência da situação em que vivemos em que a grande maioria dos utilizadores do LegiX está em regime de teletrabalho e, simultaneamente, em confinamento”. Isto leva a uma flexibilização dos horários que é mesmo obrigatória quando se tem filhos em idade escolar e que precisam do apoio dos pais durante o dia.

Utilização do Legix durante a pandemia de COVID-19

A própria Priberam está também em regime de teletrabalho desde meados de março. “Temos até uma pessoa que entrou a meio do confinamento e que ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente”, revela. Mas a experiência também fez com que surgisse a preocupação com o equilíbrio entre a vida profissional e profissional, que considera “um desafio muito grande até por ambas se desenrolarem no mesmo espaço, há várias semanas”.

“Saber desligar do trabalho é muito importante durante o confinamento porque também a família precisa de mais apoio, e não apenas no que toca à escola dos mais novos”, adianta ao SAPO TEK, revelando que é uma das áreas em que estamos também a trabalhar nos nossos produtos para, por exemplo, por omissão, “o LegiX não enviar alertas por email se é publicada alguma informação durante a noite ou ao fim-de-semana, até porque é uma informação que pode esperar pelo dia útil seguinte”.

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