Já toda a gente terá passado por um momento em que, ou por estar demasiado frio, quente ou húmido, se sentiu desconfortável no local de trabalho ou numa sala de aula, tendo visto a sua produtividade afetada.

Foi a pensar nas condições existentes nas salas de aulas do Instituto Superior Técnico que um grupo de estudantes desenvolveu o projeto OnAtmos, presente no Portugal Smart Cities Summit.

Miguel Pinho, estudante do IST e membro da Junitec, a empresa Júnior do IST, explicou ao SAPO TEK que o OnAtmos pretende adaptar, em tempo real e através da instalação de estações atmosféricas interiores, as circunstâncias ambientais de um determinado espaço aos seus utilizadores, de forma a aumentar a produtividade e criar um maior bem-estar.

A tecnologia OnAtmos consiste num sistema de monitorização e atuação no conforto (higrotérmico, qualidade do ar e luminosidade) das salas de aula do Espaço 24, no Instituto Superior Técnico, através de uma plataforma online que explora o conceito de Internet of Things (IoT).

O sistema de atuação terá uma componente ativa através do ar condicionado, por exemplo, e outra passiva como com a abertura de janelas ou fecho de persianas, acopladas a um modelo BIM (Building Information Modelling).

Para além de se pretender aumentar a produtividade dos estudantes garantindo o seu conforto, outro objetivo é o de alertar a comunidade estudantil para a pegada energética que cada medida acarreta.

Também ao conjugar IoT (na estação meteorológica) e Urban Analytics (através da aplicação que regista dados qualitativos do utilizador e quantitativos da estação) nos sistemas de decisão de climatização e utilização das salas de estudo, o projeto OnAtmos está alinhado com a definição mais clássica de Smart Cities.

No entanto, o projeto não se limita ao contexto estudantil, até porque, como afirma Miguel Pinho, todas as pessoas gostam e querem estar confortáveis quando estão em algum lado.

“Apesar de ter começado com e para estudantes, o OnAtmos pode ser aplicado numa variedade enorme de espaços de trabalho, desde “empresas a hospitais, adaptando o produto a cada sítio em concreto”.

O projeto está neste momento numa fase piloto e a ser implementado pelo IST nas salas de estudo 24, cujos routers estão a ser equipados gradualmente com estações meteorológicas. No final de abril, prevê-se que já seja possível começar a lançar dados, explica.

A aplicação, que estará disponível para todos os estudantes do Técnico, também está a ser continuamente desenvolvida para recolher dados.

Depois desta primeira fase de “estações, dados e estatísticas”, o passo seguinte é o de usar esses dados, fazer modelos dos espaços e, através de técnicas de machine learning e de análise de dados, perceber o que pode ser melhorado. O objetivo seguinte é o de se atuar, quer ao nível se sugestões para gerir os espaços quer integrando o projeto com os sistemas de climatização e iluminação já existentes.

Miguel Pinho revela que a expectativa é a de que o projeto esteja em pleno andamento na época final de exames do IST.

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