O mercado de equipamentos, sobretudo smartphones, em segunda-mão ainda é visto com alguma desconfiança pelos utilizadores. Por um lado, pela falta de confiança que muitos vendedores particulares oferecem nos seus anúncios, seja por ofertas que são boas de mais para ser verdade, ou pela falta de informações ou respostas às perguntas colocadas. Já os estabelecimentos que vendem equipamentos usados praticam muitas vezes preços proibitivos, levando muitos clientes a pensar que mais vale jogar pelo seguro e comprar novo.

É exatamente perante este paradoxo que surge a Swappie, uma empresa que nasceu na Finlândia em 2016, quando Sami e Jiri, os fundadores, tentaram adquirir um telemóvel usado num mercado online. Um vendedor com um perfil credível revelou-se um burlão, nunca tendo entregado o produto vendido. E havia relatos de mais casos, onde o interesse crescente na aquisição de equipamentos usados atraia também os vigaristas, cada vez mais credíveis e profissionais nos seus esquemas.

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O website oferece diversas informações úteis sobre os smartphones que vende.

A dupla criou assim um Marketplace onde fosse fácil comprar e vender smartphones usados, mas sobretudo, com maior segurança. A empresa conta hoje com 267 colaboradores em 31 países, numa missão igualmente ecológica, seja na redução de emissões no fabrico do equipamento, como na diminuição da poluição tecnológica que se acumula anualmente. A empresa acredita mesmo que entre 85-95% da pegada ecológica de um iPhone 11 resulta no seu processo de produção.

Democratizar o mercado dos smartphones em segunda-mão

Depois de conquistar os mercados nórdicos como a Finlândia, Suécia, Dinamarca, mas também a Itália, países onde é líder na venda de smartphones da Apple em segunda-mão, com mais de 200 mil clientes, a empresa pretende continuar a expandir-se, chegando agora a Portugal, Alemanha, Holanda e Irlanda, de forma a oferecer os seus serviços a mais pessoas.

Segundo referiu Sami Marttinen, cofundador da empresa em entrevista ao SAPO TEK, a Swappie está na vanguarda das scaleups tecnológicas europeias com foque nos fins ambientais. A empresa acabou de fechar uma ronda de investimento de cerca de 40 milhões de euros, valor que está a ser utilizado para a sua expansão no sul da Europa. Em 2018, a sua faturação rondou os 8 mil euros, em 2019 cresceu para 31 mil euros, um crescimento de 300% que a empresa espera agora quadruplicar com a expansão planeada.

Veja na galeria as fotografias da fábrica de reparações e fundadores da Swappie

A Swappie promete total transparência no negócio, pretendendo esclarecer todas as dúvidas associadas á compra de smartphones em segunda-mão. Mas o principal trunfo da empresa, e o que a distingue de outras empresas no sector, como a Forall Phones, segundo revelou ao SAPO TEK, é o total controlo da cadeia de valor dos equipamentos. Ainda assim, considera que a sua maior concorrência não são outros serviços e empresas de venda de usados, mas sim os novos retalhistas de iPhones, visto que “a maioria dos nossos clientes está a comprar um smartphone recondicionado pela primeira vez”, salienta o empresário.

Por outro lado, a Swappie promete ser mais que um simples Marketplace para a compra e venda de iPhones em segunda-mão. “Acreditamos que estamos realmente a mudar a maneira como as pessoas consomem equipamentos eletrónicos e podemos oferecer uma solução segura e confiável para comprar iPhones recondicionados”.

A empresa garante que tem total controlo na sua cadeia de valor, visto que a sua fábrica, localizada em Helsínquia, oferece a reparação dos equipamentos, ao nível da motherboard, assim como um “processo exaustivo de 52 testes”, assegurando a garantia de qualidade desde a reparação à venda dos iPhones colocados na sua plataforma. E quanto isso vai custar aos clientes? Segundo Sami Marttinen a redução vai até cerca de 40% do seu valor, mas salienta ainda a redução da pegada ecológica durante a sua produção.

Já a plataforma online para a venda dos smartphones utiliza o serviço Trustpilot, reconhecida mundialmente no controlo de avaliações. A empresa garante que o seu feedback encontra-se com 4,5 pontos de 5. Na ficha de produto, para além de fotos do mesmo, contém a descrição, acessórios e preço, e uma garantia de dois anos para os seus equipamentos. A empresa inclui também a informação necessária para os clientes devolverem o equipamento por insatisfação, assim como um envelope. Promete ainda uma entrega até quatro dias via DHL.

Os utilizadores também podem vender os seus smartphones usados, ainda que em Portugal estes só fiquem disponíveis entre um a dois meses. “Para tal, basta preencher alguns detalhes importantes sobre em que condição se encontra o telefone, de modo a receber uma estimativa do seu valor. Assim que os técnicos verifiquem as condições do telemóvel, o valor é transferido para o vendedor”, explica o empresário ao SAPO TEK.

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O marketplace dedica-se em exclusivo à venda de iPhones em segunda-mão.

Com estas medidas, a empresa pretende democratizar a venda de iPhones em segunda-mão. Sami Marttinen refere que o mercado de smartphones na Europa vale 100 mil milhões de euros, sendo que o mercado de usados ou recondicionados valem atualmente 10 mil milhões de euros. Considera que apenas 25% dos telemóveis usados são vendidos, e que nesse sentido, há um enorme potencial para o crescimento do sector, caso consiga aumentar a confiança dos consumidores.

No que diz respeito à posição das fabricantes, neste caso a Apple, a Swappie defende-se com a legislação da União Europeia “que autoriza a atividade de qualquer empresa de reparo, sem qualquer tipo de bloqueio”. Afirma ainda que existe uma proposta recente da Comissão Europeia relativa ao “direito de reparo” para produtos eletrónicos, sugerindo às fabricantes a obrigação “de respeitar a reparabilidade, em vez de utilizar as atualizações de software como forma de penalizar os consumidores que desejam prolongar a vida útil do seu aparelho”, destaca Sami Marttinen.

O lançamento da Swappie em Portugal coincide com o fecho de uma ronda de investimento Série B de cerca de 40 milhões de dólares. A ronda contou com a participação de novos investidores como a TESI e o reforço do investimento de outras sociedades de capital de risco como a Lifeline Ventures, Reaktor Ventures, Inventure, refere o comunicado.

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