Recentemente a IDC partilhou as vendas de computadores e tablets em Portugal, registando um aumento significativo no último trimestre de 2021. A especialista de análise de mercado apresentou também os números para a venda de smartphones no mesmo período. O mercado nacional cresceu 8,1%, salientando-se sobretudo o segmento de equipamentos de topo de gama, assim como os modelos de entrada, refere Francisco Jerónimo, vice-presidente associado para equipamentos da IDC EMEA ao SAPO TEK.

A Samsung é a fabricante que continua a vender mais equipamentos em Portugal, com 304.294 unidades, representando um aumento de 14,3% face ao período homólogo do ano anterior. A fabricante tem 39% de quota do mercado, mais que as duas fabricantes seguintes somadas. A Xiaomi assume o segundo lugar e é a fabricante que mais tem crescido durante praticamente todos os trimestres de 2021. Só no quarto trimestre cresceu 259,1%, mas nos dois trimestres anteriores subiu igualmente acima dos 200%. No último período do ano vendeu 177.252 unidades e detém 22,7% da quota de mercado.

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A fechar o pódio está a Apple, que vendeu 135.458 smartphones no quarto trimestre de 2021, tendo registado uma quebra de 1,6% face ao ano anterior. A empresa da maçã tem uma quota de mercado de 17,4% neste período.

A TCL (Alcatel) surge em quarto lugar, mas foi a fabricante com o maior declínio no trimestre, com menos 25,8%. A empresa tem vindo a registar sucessivas quebras nos últimos trimestres do ano, sendo que no anterior período baixou 44,9%. Vendeu 68.060 smartphones no quarto trimestre, assumindo uma quota de 8,7% do mercado. Por fim, a fechar o Top 5, encontra-se a Oppo, que apenas chegou oficialmente ao mercado nacional no início de 2021. A fabricante aumentou 98,4%, vendendo 55.454 smartphones, detendo atualmente 7,1% da quota do mercado.

Segundo Francisco Jerónimo, o crescimento é significativo, sendo o quarto positivo consecutivo. “O mercado de smartphones está com uma taxa de penetração acima dos 80%, por isso há aqui uma renovação de equipamentos e não uma transição de telemóveis básicos para os smartphones”. É explicado que quando há uma fase de renovação, ou mercado decresce ou sobre residualmente. Mas neste caso, o aumento foi bastante positivo.

Vendas de modelos topo de gama são as que mais cresceram

Olhando para os diferentes segmentos de smartphones, Francisco Jerónimo salienta o crescimento dos modelos topo de gama, com os preços mais elevados. “Não é que as pessoas tenham mais dinheiro para investir, mas porque o pensamento é que estes vão durar mais tempo, porque têm mais memória, armazenamento e câmaras melhores”. O analista diz que os utilizadores que tinham smartphones baratos e têm dinheiro para investir, estão a trocar para os mais caros.

Ainda recentemente a Samsung destacou o sucesso da sua campanha de pré-reservas do Galaxy S22, referindo que foram feitas três vezes mais encomendas que nos modelos da sua geração anterior. Também é sabido que os equipamentos com ecrãs dobráveis da Samsung estão a vender bem, o que tem motivado várias fabricantes a apostar no segmento.

Outro aspecto que Francisco Jerónimo aponta para a procura de smartphones de alta gama é que quando estes chegam ao seu “fim de vida”, o seu valor residual é investido num novo modelo. “Ainda podem recuperar algumas centenas de euros nas campanhas de trocas. Por isso, a maioria das pessoas está a investir mais porque sabe que no final do período o equipamento vai ter mais valor, seja nas campanhas de retomas, como nos canais em segunda-mão”.

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O mercado de recondicionados e smartphones em segunda-mão tem vindo a crescer, com muitas pessoas a entregarem os seus equipamentos usados e muitas vezes até optam por outros melhores sem a necessidade de serem novos. “Algo que não era comum há dois ou três anos”, aponta o analista, destacando que antes os pequenos negócios de esquipa vendiam usados, mas agora é possível vê-los nas grandes superfícies, como a Worten e Fnac, nas operadoras MEO e Vodafone, além das lojas especializadas. “Além de atraírem mais clientes às suas lojas, acabam por obter vendas adicionais e serviços associados, tais como seguros”. A NOS abriu recentemente um programa de retomas, pagando até 600 euros pelos smartphones usados dos seus clientes.

As seguradoras serão mesmo clientes de recondicionados, uma vez que os smartphones danificados ou são reparados ou substituídos por versões recondicionadas pelos clientes que ativam as suas apólices, disse Francisco Jerónimo, por isso, estes equipamentos continuam a vender bem.

É ainda destacada a Apple, que está a ganhar muita quota de mercado nos últimos períodos. E aponta mesmo que a Apple só não cresceu mais no trimestre anterior, por falta de produto para entrega. Também reforça o crescimento das marcas chinesas, nomeadamente a Xiaomi e a Oppo, embora com propostas de gama inferior. Francisco Jerónimo chama a atenção do crescimento “muito forte” da gama alta e “forte” no segmento muito baixo. Os equipamentos de gama média estão com dificuldades de crescimento.

O analista comentou ainda a forma como a Samsung tem respondido de forma eficaz aos avanços da Xiaomi, que durante o ano passado se assumiu como segunda principal fabricante, com ambição de chegar a primeiro. Mas a Samsung respondeu forte e acelerou, deixando a concorrência para trás.

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