A semana iniciou-se com buscas nas instalações da empresa em Picoas. A ação envolveu a Polícia Judiciária, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Autoridade Tributária e procurou indícios que fundamentassem suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada, explicava na altura o Ministério Público num comunicado.


Ao longo do dia soube-se que as autoridades procuravam documentos relacionados com o investimento de quase 900 milhões de euros feito pela PT na Rioforte, do grupo GES, o dono do Banco Espírito Santo, com destaque para o relatório de uma auditoria ao negócio realizada pela PWC, cujas instalações também foram alvo de buscas.


O documento já tinha sido solicitado pelo regulador do mercado de capitais à PT, mas ainda não tinha sido entregue. Encomendado pela PT em agosto, o relatório estará pronto deste novembro e será já do conhecimento da administração da empresa mas ainda não tinha sido enviado à CMVM que o vinha solicitando, revelou o jornal Público.



Esta quinta-feira ao final do dia acabou por ser conhecido o conteúdo do documento produzido pela PWC, onde se revela que a PT SGPS nem sempre tinha conhecimento do teor dos investimentos realizados na Espírito Santo International.



Admite-se ainda que a política de gestão de risco anunciada pela PT não seria seguida na íntegra pela empresa, que se endividou para investir em papel comercial da Rioforte sem fazer uma análise de risco antes desse passo.



Na quarta-feira também tinha sido notícia, como uma comunicação à CMVM que dava conta da manutenção da data da Assembleia-geral para segunda-feira, 12 de janeiro, uma data que tem sido contestada por sindicatos e pelo próprio presidente da mesa da AG que consideram não estar reunidas todas as condições para analisar e tomar uma decisão sobre a proposta da Altice.



Esta sexta-feira a CMVM vem revelar uma opinião idêntica, ao suspender as ações da empresa à negociação até que seja divulgada informação relevante, considerada essencial para que os acionistas exerçam o seu direito de voto de forma consciente e fundamentada.


A informação disponibilizada pela PT a propósito da reunião foi divulgada a 16 de dezembro. A CMVM garante que desde então tem solicitado esclarecimentos adicionais aos corpos sociais da PT, sem resposta.


Uma das questões por esclarecer tem a ver com o facto de a venda da PT Portugal comprometer os objetivos iniciais do projeto de fusão PT/Oi, que passavam pela criação de um operador lusófono.

O plano estratégico pós-venda da PT Portugal não é conhecido de forma clara pelos acionistas da operadora portuguesa, que graças ao incumprimento da Rioforte viram a relação de forças com a Oi alterada no memorando de entendimento para a fusão e os direitos reduzidos na nova empresa.

A CMVM recomenda agora à PT SGPS que tome medidas de salvaguarda dos acionistas e recomenda o adiamento da AG, se essas condições não estiverem reunidas.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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