2019 não foi um ano fácil para a Huawei e 2020 parece continuar "amaldiçoado" para a fabricante chinesa. O governo britânico baniu a fabricante chinesa da rede 5G, colocando-a numa nova posição desfavorável.  Já em maio deste ano, o governo de Donald Trump impôs novas restrições às fabricantes chinesas. A decisão levou à proibição definitiva das empresas em todo o mundo de fornecerem tecnologia e software americano que contribuam no design e produção de chips para a Huawei e outras empresas chinesas.

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Poucos dias depois, e no seguimento das novas restrições nos Estados Unidos, o Reino Unido lançou uma nova investigação acerca do impacto da utilização de equipamentos da Huawei na infraestrutura de redes 5G. As indicações do Centro Nacional de Cibersegurança (NCSC, na sigla em inglês) agora conhecidas levaram o governo britânico a tomar a decisão de banir a Huawei das redes 5G, o que tem um impacto a vários níveis.

A decisão do Reino Unido surge depois de no início do ano Bruxelas ter aconselhado os estados-membros a restringirem ou excluirem "fornecedores de alto risco". Na altura, a Comissão Europeia apresentou uma "toolbox" e os próximos passos a dar para mitigar perigos cibernéticos relacionados com a quinta geração móvel.

As consequências desta decisão para a Huawei em solo britânico

Depois de “ouvir” o parecer do NCSC, o governo britânico tomou a decisão de obrigar as operadoras de telemóvel britânicas a removerem todo o equipamento da Huawei utilizado na infraestrutura de telecomunicações 5G até ao final de 2027. Quanto à compra de novos equipamentos Huawei para a quinta geração de rede móvel, será proibida a partir de 31 de dezembro de 2020.

As recomendações do NCSC neste tópico referem-se apenas aos equipamentos da Huawei na rede de telecomunicações do Reino Unido. Por isso, não afeta diretamente a tecnologia Huawei utilizada em casa, como smartphones, laptops e tablets.

Numa reunião presidida pelo primeiro-ministro Boris Johnson, o secretário da pasta do digital Oliver Dowden também falou no futuro. "Até a próxima eleição teremos implementado por lei um caminho irreversível para a remoção completa dos equipamentos Huawei de nossas redes 5G", assegurou.

O que levou o Reino Unido a tomar esta decisão?

No início do ano, o Reino Unido deu “luz verde” à implementação de equipamentos da Huawei nas infraestruturas 5G, mas impediu-a de aceder às áreas cruciais da rede, podendo apenas ter uma participação de 35% nas partes de baixo risco. Além disso, o Governo de Boris Johnson impôs limitações de forma a que as operadoras de telecomunicações não fiquem dependentes de apenas uma empresa tecnológica.

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Ainda antes da aplicação de novas restrições pelos Estados Unidos, Simon McDonald, chefe do serviço diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, deu a garantia de que o acordo entre o Reino Unido e Huawei era uma "decisão firme" e não deveria ser repensada.

Na altura, acreditava-se que uma proibição total da Huawei significaria que o território britânico enfrentaria dificuldades a nível de desenvolvimento da rede 5G. O Reino Unido afirmava também que dispunha dos meios tecnológicos necessários para proteger o país de possíveis situações de espionagem.

Agora a situação é outra e é evidente uma mudança em relação à forma como o NCSC olha para os riscos da segurança do país. “Desenvolvimentos internacionais recentes significam que essa orientação mudou agora, assim como as nossas recomendações ao governo do Reino Unido”, pode ler-se numa publicação do site do organismo.

As novas sanções impostas à Huawei em maio restringiram ainda mais a capacidade da empresa de chinesa de fabricar equipamentos recorrendo à tecnologia ou software dos Estados Unidos. Como consequência, isso significa que vai precisar de “fazer grandes mudanças na forma como projeta e constrói os seus equipamentos de telecomunicações”, sugere o organismo.

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Para além de fabricar gadgets como smartphones, computadores e tablets, a Huawei aposta também, por exemplo, em equipamento que pode ser encontrado nas redes de telecomunicações no Reino Unido. Antes desta tomada de decisão, o NCSC, e outros organismos antecessores, trabalharam para garantir a melhor utilização da tecnologia da Huawei, “mantendo o Reino Unido seguro”.

As novas sanções dos Estados Unidos levam o NCSC a crer que é muito pouco provável que a Huawei continue a utilizar a tecnologia e o software dos Estados Unidos ao nível do design e fabrico dos equipamentos. E, depois de analisar de perto o impacto dessas mudanças no Reino Unido, o organismo considera que o país não está preparado para gerir os riscos de segurança da utilização da nova tecnologia nas futuras redes do 5G.

Huawei: acusações de perigo de segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido

As suspeitas em relação à fabricante chinesa existem desde 2011, mas o bloqueio efetivo só se concretizou em 2019. Em questão, estiveram "riscos inaceitáveis" para a segurança nacional, uma vez que os EUA alegavam, se bem que sem provas, que a empresa chinesa poderia estar a instalar backdoors nos seus produtos para ter acesso a informação sensível.

Mais recentemente, os Estados Unidos afirmaram que existem provas da alegada espionagem feita pela Huawei. O Governo norte-americano alega que a fabricante chinesa terá começado a instalar backdoors nos seus produtos desde 2009, altura em que começou a comercializar infraestruturas de redes móveis 4G.

Embora as provas encontradas pelos Estados Unidos apenas se tenham tornado públicas em fevereiro deste ano, o país já as teria partilhado com países como o Reino Unido e a Alemanha no final de 2019. Agora, parece que a pressão feita desde 2018 por parte do governo de Donald Trump sob os seus aliados para que deixem de usar equipamentos da Huawei teve efeitos.

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