Os gatos começaram a proliferar nas campanhas comerciais das empresas que oferecem serviços de TV paga, como forma de resposta às opções de comunicação do Meo, da Portugal Telecom. E as queixas também.



A Cabovisão tem no ar uma campanha onde questiona claramente a proposta de preço do Meo, que oferece serviços de TV, Internet e telefone a partir de 19,99 euros. Sem referir o nome da concorrente, a campanha aborda o preço e junta-lhe a frase: aqui há gato.



A Zon respondeu primeiro com uma oferta comercial à provocação humorística dos comerciais em ambiente de laboratório, protagonizados por uns Gato Fedorento em versão futurista, mas mais recentemente também lançou uma nova campanha de TV. Nicolau Breyner é o protagonista e argumenta claramente contra as ofertas da Portugal Telecom para a área da TV paga, Internet e telefonia. Sem referir nomes, a empresa assume-se como líder e sublinha a sua melhor prestação em termos de serviço ao cliente e número de reclamações, terminando com um toque subtil. Nicolau Breyner fala com o gato que durante todo o testemunho permanece ao seu colo.



Para além da resposta, via anúncios publicitários, as duas empresas tomaram outras medidas contra as mais recentes campanhas do Meo que anuncia uma oferta Triple Play a partir de 19,99 euros. O preço é válido apenas até final do ano - a partir dessa altura a mensalidade aumenta para os 40,99 euros - e implica um valor mensal adicional mínimo de 5,04 euros para a caixa descodificadora e uma permanência na rede de 24 meses.



As informações estão detalhadas pela operadora no site mas, como argumenta a Cabovisão numa notícia hoje publicada no Jornal de Negócios, os dados são pouco claros. "A Cabovisão está preocupada sobretudo com a componente de preço - que é profundamente enganosa nas campanhas de 19,99 euros, pois o preço real é superior a 40 euros", explica Daniela Antão, directora jurídica e de regulação da operadora.
Segundo a responsável, "as consequências são muito negativas e potenciam espirais e guerras de campanhas idênticas".



A Zon é uma das empresas a apostar na mesma estratégia embora, como apurou o TeK, tenha apresentado também uma queixa junto do ICAP contra a comunicação comercial da PT. A proposta de gama de entrada da operadora, para 72 canais de TV e Internet a 10 megas custa mensalmente 19,99 euros. Tal como na Meo, o preço só é válido até final do ano. Depois disso sobe para os 40,99 euros.



Nas queixas apresentadas, a concorrência tem ainda a apontar os elementos comparativos utilizados pelos Gato Fedorento, protagonistas de toda a comunicação da marca. A capacidade de gravação das boxes MEO ou a rapidez de resposta no zapping entre canais são duas das funcionalidades apresentadas nestes termos.



A PT defende-se e ainda em meados de Setembro referia ao DN, que publicava informação sobre a queixa apresentada pela Cabovisão junto das instâncias competentes, que "a publicidade comparativa é permitida em Portugal desde que as afirmações contidas na campanha sejam verídicas e comprováveis e enquadradas por tom explicitamente ficcional ou humorístico. As qualidades dos nossos produtos são perceptíveis para os nossos clientes".



Contactado pelo TeK, o ICAP - Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade não fornece informação sobre queixas recebidas. Dados sobre este género de processos ficam apenas disponíveis depois de haver uma decisão do organismo e de estar terminado o prazo de recurso que a ela se segue.



O TeK sabe, no entanto, que os processos que chegaram ao ICAP seguem diferentes ritmos, já que deram entrada no instituto em momentos diferentes e que, pelo menos num caso, a fase de recurso já está a decorrer. Esta fase de recurso acontece nos cinco dias úteis após a comunicação da decisão aos interessados.

Cristina A. Ferreira

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