A edição 2013 da feira mundial das comunicações móveis em Barcelona fica marcada por uma maior abertura da indústria das telecomunicações e da Internet para comunicar e discutir novos modelos. "É notória uma maior ligação entre a indústria das telecomunicações e da Internet" reconhece Magnus Rehle, managing partner da Greenwich Consulting.



"Quem deve pagar o quê tem sido um tema muito debatido por aqui", acrescenta o responsável, comentando ao TeK as impressões da consultora relativamente à edição 2013 do evento. "Os operadores já não veem os OTT [Over the Top players] só como uma ameaça", defende Magnus Rehle, que sublinha uma maior abertura dos operadores para trabalhar parcerias, num mercado onde a largura de banda se tornou um fator chave para a oferta de serviços e conteúdos, garantidos por estas empresas de Internet.



Na exposição Magnus Rehle destaca o espaço cada vez mais assumido pelos fabricantes asiáticos, que se destacam pela própria presença, mas também pela evolução na qualidade dos produtos que colocam no mercado. O responsável defende mesmo que a ausência de alguns nomes de peso como a Apple ou a Microsoft, que ou nunca foram ou deixaram de ir à feira, tem beneficiado este tipo de empresas que garantem mais atenção para as suas inovações.



Apontando o mesmo exemplo - dos fabricantes asiáticos - refere que a feira de Barcelona, e as novidades aí apresentadas, voltam a deixar claro que o avanço da Apple no mercado dos smartphones em termos de inovação está anulado pelas concorrentes. Estas empresas hoje têm uma oferta de produtos também ela capaz de influenciar o mercado e as novas tendências da indústria como a Apple conseguiu fazer durante algum tempo com o iPhone.



Rehle admite no entanto que em termos de inovação os novos smartphones apresentados no Mobile World Congress não trouxeram nada de muito novo ou disruptivo. A maior parte das novidades estão concentradas nos equipamentos de entrada de gama, smartphones mais baratos e acessíveis a mercados emergentes.



"Fala-se muito de África e dos mercados africanos nesta edição do MWC", reconhece Magnus Rehle. É uma zona do globo que reúne um conjunto de países com uma penetração de banda larga móvel já interessante e com utilizadores mais interessados em aceder a apps móveis e explorar todo esse universo de conteúdos.



O Firefox OS, que voltou a procurar destaque central na feira com a apresentação da versão final, a lançar em junho, é vista pela consultora como uma boa resposta para as necessidades destes países emergentes.



Nos mercados mais maduros Rehle tem mais dúvidas relativamente à necessidade e ao potencial de crescimento de mais um sistema operativo móvel, e defende que a discussão continuará a fazer-se entre as plataformas que já hoje dominam. O tempo que o Windows Phone tem levado para conquistar mercado e decadência do BlackBerry são exemplos que o responsável aponta para justificar essa convicção.



Pelo MWC também passaram muitas apresentações de telefones básicos que asseguram apenas um conjunto de funcionalidades primárias, a Nokia protagonizou uma destas apresentações com o lançamento de um equipamento que vai custar 15 euros. Estes equipamentos também podem ser encarados como mais uma forma de endereçar as necessidades dos mercados emergentes, mas para Magnus Rehle a prazo deixará de fazer sentido.



Na opinião do responsável os feature phones tendem a desaparecer porque os utilizadores querem ter acesso ao universo das apps e nos mercados emergentes a expansão acelerada das redes móveis vai permitir rapidamente o suporte de equipamentos e serviços que deem acesso a esse tipo de ofertas.



Rehle destaca ainda o espaço ocupado em Barcelona pelas inovações na área das comunicações M2M, dos pagamentos móveis ou da televisão.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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