A Media Capital entregou na sexta feira à Anacom um pedido de licença para operar a tecnologia DVB-H (Digital Video Broadcast - Handheld), um standard europeu de serviços de televisão para equipamentos móveis.



O grupo de media pretende desenvolver um piloto assente naquela tecnologia de televisão digital, antevendo um novo modelo de negócio para o fornecimento de conteúdos televisivos às redes móveis.



Pedro Morais Leitão, administrador-delegado do grupo, considerou que o actual modelo de partilha de receitas entre operadores móveis e produtores de conteúdos televisivos reprime o valor das redes móveis, um efeito que a prazo será mais significativo.



A título de exemplo o responsável referiu durante uma apresentação no encontro Banda larga no Móvel, organizado pela Ericsson e pelo Semanário Económico, que em regra os produtores de conteúdos arrecadam entre 32 e 50 por cento das receitas, contra os 50 a 68 por cento arrecadados pelos operadores móveis.



O objectivo da Media Capital é adaptar a sua rede à tecnologia - primeiro na zona de Lisboa - abrindo novas oportunidades de negócio e reforçando a sua posição de fornecedor de conteúdos multicanal.



O grupo está a definir o modelo de negócio da plataforma, um processo que irá continuar depois da eventual obtenção de licença e adaptação da rede da operadora (RETI) à tecnologia, explicou ao TeK Pedro Morais Leitão, à margem do encontro.



Segundo a mesma fonte e após a obtenção de autorização regulatória, a Media Capital precisa de 30 a 60 dias para operacionalizar o piloto e iniciar emissões naquele formato e começar a trabalhar na angariação de uma audiência piloto, que deverá envolver um grupo de 500 a 1000 utilizadores e que tem como objectivo testar a tecnologia, definir e parametrizar a oferta.



Nesta fase o grupo conta iniciar conversas com os vários operadores de telecomunicações e fabricantes móveis, no sentido de perceber o seu interesse naqueles conteúdos.



Morais Leitão disse ainda que na perspectiva da MC o modelo de distribuição de conteúdos televisivos em equipamentos móveis com suporte de banda larga deveria assentar numa tarifa plana onde o cliente pagasse cerca de 8 a 9 euros mensais para garantir acesso a vários canais.



O DVB-H permite a transmissão simultânea de vídeo, televisão e rádio para dispositivos móveis, combinando as definições tradicionais de broadcasting com funcionalidades específicas para dispositivos móveis.



Para receber transmissões DVB-H os telemóveis devem estar equipados com um receptor, funcionalidade que a Nokia e a NEC já desenvolveram em dois equipamentos ainda não disponíveis comercialmente.



Países como a Alemanha e Finlândia tem realizado experiências com o standard que começa a gerar os primeiros serviços depois de cumprido o processo de normalização no ETSI, que terminou em Dezembro do ano passado com a adopção formal.



O grupo que desenvolveu o standard - e que inclui mais de 250 entidades europeias entre operadores de telecomunicações, televisão, etc - estima que em 2007 existam já 100 milhões de equipamentos móveis com esta tecnologia, um número que deverá crescer para os 300 milhões em 2009.



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