Estão em marcha na Europa vários projectos em torno da próxima geração móvel, suportada na tecnologia LTE (Long Term Evolution). Este tem sido um dos focos de investimento da Comissão Europeia nos últimos anos, em matéria de investigação e desenvolvimento, e continuará a sê-lo no futuro. Para 2010 já foi anunciado o apoio a mais um projecto de I&D que irá contar com 18 milhões de euros em fundos comunitários. Repetir a liderança tecnológica que a Europa conseguiu alcançar com o GSM - a segunda geração da telefonia - é uma ambição que ninguém esconde.

Mas, embora até já estejam agendados alguns lançamentos comerciais para meados do próximo ano espera-se que a adopção da tecnologia - que pode ser uma evolução para redes de base GSM ou CDMA - se faça lentamente. Por questões técnicas, mas também por limitações de espectro, cuja resolução passará em grande medida pela migração para a Televisão Digital Terrestre. Há, além disso, que equilibrar na balança as ambições de liderança tecnológica que marcam a vida dos operadores e a rentabilização dos avultados investimentos feitos para assegurar presença no 3 G. Há países - onde a distribuição de licenças foi decidida através de leilões - onde este argumento pode ter mais peso que em Portugal, mas os restantes aplicam-se quase sem excepção a todos os países.

"O lançamento das redes 4G em Portugal está dependente de diversos factores, que têm vindo a ser discutidos em fóruns nacionais e europeus. Questões relacionadas com a atribuição do espectro resultante do Dividendo Digital, ou de outras bandas que permitam a operação do 4G, são importantes para a definição de cenários concretos de implementação do 4G", detalha a Optimus.

"Por outro lado, a maturidade das redes e disponibilidade de terminais terá início em finais de 2009, e por isso acreditamos que a adopção generalizada do LTE a nível europeu não deverá ter início antes de meados/final de 2010", acrescenta a mesma fonte da empresa.

A Vodafone partilha da mesma opinião. Nos tempos mais próximos a tecnologia continuará a merecer a atenção dos operadores, mas mais numa perspectiva de testes. "Não vai acontecer de forma relevante já, nos próximos dois a três anos", defende Luísa Pestana, responsável pela comunicação institucional da empresa.

Suécia (TeliaSonera com Ericsson e joint-venture entre Telenor e Tele2) e Noruega (Huawei e Netcom) são os países europeus com datas mais ou menos alinhadas para arranque dos primeiros pilotos comerciais da tecnologia e demonstrações em ambiente real já realizadas, mas também são conhecidas as experiências noutros países como a Finlândia, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

Por cá, os operadores poupam os detalhes, embora admitam que estão atentos e a desenvolver algum trabalho em torno da tecnologia que permitirá velocidades de download até 173 Mbps, ainda em franca expansão.

No caso da Optimus o trabalho em curso neste momento tem sobretudo como objectivo "avaliar o desempenho da tecnologia do ponto de vista de capacidade, cobertura e serviços". A participação em fóruns europeus dedicados à migração do 3 para o 4G e à tecnologia em concreto têm sido uma das formas de assegurar este objectivo.

"Para além de acompanhar o desenvolvimento do 4G com os actuais fornecedores de infra-estruturas e com a Orange, nosso parceiro tecnológico, mantemos contactos regulares com os principais players, de forma a fazer avaliações técnicas e financeiras. Dos principais players destacam-se os fornecedores de equipamento, Universidades e organismos de I&D", concretiza fonte oficial da operadora.

Na Vodafone os testes em torno da tecnologia estão a ser liderados pelo grupo, a nível internacional, explica Luísa Pestana, e estão a acontecer com "vários parceiros tecnológicos". A operadora ainda não seleccionou fornecedores tecnológicos para esta área.

"Todos os operadores acompanham a par e passo desenvolvimento desses testes através dos seus departamentos técnicos e tecnológicos", acrescenta a responsável.

A TMN refere apenas que "tem acompanhado atentamente as evoluções que têm ocorrido neste campo, considerando que serão ainda prematuras quaisquer considerações mais específicas sobre a chegada dessa tecnologia a Portugal". Embora hoje Zeinal Bava, presidente da operadora, tenha revelado ao Jornal de Negócios que a empresa vai avançar com dois pilotos da tecnologia, em Portugal no Brasil.

A empresa prefere destacar o esforço para aumentar a velocidade e a cobertura do 3G e a introdução recente na oferta de velocidades na ordem dos 21 Mbps.

Este é aliás um marco já atingido pelas três operadoras móveis que têm competido para se posicionar como a mais inovadora na banda larga móvel, ou não fosse a tecnologia um segmento em forte crescimento e já na liderança do acesso à Internet em termos mundiais.

Esse esforço é bem visível nos constantes investimentos publicitários em torno dos produtos de banda larga móvel, é menos visível no que se refere aos preços praticados, praticamente iguais entre si.

Embora TMN, Vodafone e Optimus sejam unânimes em considerar que o 3G tem muito para dar, certo é também que o órgão executivo da União Europeia já assumiu como missão a tarefa de voltar a liderar a inovação no móvel como conseguiu fazer com o GSM.

É com esse objectivo que tem canalizado alguns milhões para o desenvolvimento da norma. Fê-lo entre 2004 e 2007 quando financiou o Winer I e II, que envolveu 41 empresas na investigação sobre optimização e normalização da tecnologia, permitindo criar o primeiro conceito de infra-estrutura de rede baseada em LTE. Um novo projecto, para dar continuidade ao trabalho já realizado avança em Janeiro do próximo ano com um financiamento europeu de mais 18 milhões de euros.

Os primeiros pilotos comerciais sobre a tecnologia LTE - ela própria ainda em evolução para ser de facto uma tecnologia de 4ª geração - estão prometidos para o primeiro semestre do próximo ano. Resta saber se as previsões desta vez dão mesmo lugar a acontecimentos, ao contrário do que aconteceu com a terceira geração móvel, adiada no lançamento e no sucesso inicialmente previstos.

Cristina A. Ferreira

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