Existem actualmente mais de 100 acordos firmados na Europa no âmbito da designação Operador Móvel Virtual (OMV), que permitem a uma empresa sem infra-estrutura móvel de telecomunicações, fornecer serviços móveis através de um contrato estabelecido com um operador licenciado. Embora em Portugal não exista ainda nenhum operador a operar nas redes móveis segundo este modelo, Carrie Pawsey, analista da Ovum, apontou hoje algumas vantagens a retirar deste cenário em mercados com características idênticas ao português.



Do universo de OMV na Europa é possível distinguir as empresas pela sua ligação anterior, ou não, ao sector das telecomunicações e pelo tipo de serviço que visam prestar através das plataformas móveis. A analista da Ovum, diz que para analisar a evolução deste mercado na Europa é preciso ter em conta estes dois tipos de entidades.



"Tudo depende do tipo de OMV e se vêm ou não do sector das telecomunicações - como operadores fixos, de cabo, etc - ou de áreas diferentes, não relacionadas com as telecom, que entram num mercado completamente novo". À margem de mais um encontro Ericsson/Semanário Económico sobre o tema, a responsável acrescentou que "disso depende do que trazem de novo para este mercado. Podem ser conteúdos, serviços, ou adoptar uma estratégia unicamente baseada nos preços", detalha.



Em países como Portugal, onde não existem OMVs, Carrie Pawsey aponta como principais benefícios para a introdução deste modelo de negócios os mesmos que têm sido conseguidos nos restantes países e que passam pela redução no preço das comunicações ou pela criação de novas ofertas de serviços.



Em França, por exemplo, os três operadores móveis licenciados estabeleceram acordos com OMVs, um facto possível apenas por todos deterem Poder de Mercado Significativo (PMS), um cenário idêntico a Portugal. O mais recente, entre a Orange e a Tele2 foi tornado público ainda esta semana e reflecte uma estratégia de preços, que a operadora também aplica no fixo. As duas concorrentes assinaram acordos com uma rádio e uma cadeia de televisão.



A nível europeu as empresas que actuam na área do audiovisual são um dos sectores mais atentos e dinâmicos na realização de acordos com operadores móveis para a prestação de serviços sobre as suas redes. O benefício óbvio para o cliente, de poder contar com mais serviços, é partilhado pelo player que aposta neste novo canal de distribuição, multiplicando as suas oportunidades de negócio.



Durante o evento foram ainda referidas as principais oportunidades que os OMV representam para os operadores móveis licenciados, onde se incluem a criação de novos canais de vendas, possibilidade de chegar a nichos específicos com marcas mais direccionadas ou tornar mais eficiente o uso do seu activo (a rede).



A par com os benefícios são apontados como principais ameaças ou dificuldades a complexidade da integração ou a canibalização de clientes, referiu Luís Carrera, CFO da MEC Solutions, uma das empresas convidadas.



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