Os telefones móveis estão constantemente a gerar informação de localização, que é fornecida a diversos serviços que usam os dados para situar as fotografias no mapa, fornecer informação georeferenciada ou informação comercial. Mas os dados acabam por não ser tão anónimos como se pensava e, mesmo sem a ajuda da operadora, é possível fazer a identificação da localização espácio-temporal de um determinado utilizador, desde que este faça pelo menos quatro interações com a rede.

A equipa de investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) afirma que os dados partilhados pelas redes móveis, usando apenas a localização das antenas, podem ser suficientes para acabar com o anonimato.

Os dados são fornecidos logo que liga o dispositivo e sempre que há uma interação com a rede, sendo enviados de forma anónima para uma série de serviços que tiram partido da localização dos utilizadores para fornecer informação, mapas e referências comerciais.

Os investigadores admitem que a informação fornecida por esta localização não contém dados privados, como o nome, o número de telefone ou outros elementos de identificação, mas através da análise de padrões e de outra informação externa é possível chegar a indivíduos específicos.

O estudo analisou dados recolhidos durante 15 meses e que abrangeram 1,5 milhões de pessoas e os investigadores concluem que o rasto da mobilidade humana é único, tornando mais fácil a rastreabilidade.

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Os investigadores admitem que esta informação pode pôr em causa a privacidade dos utilizadores de telemóveis, a nível pessoal e empresarial, já que os movimentos dos comerciais de uma empresa concorrente podem ser estudados, ou a presença de um indivíduo num Hotel revelada através da informação do seu telemóvel.

Enquanto no passado a informação da movimentação geográfica era conhecida apenas pelos operadores, que tinham de ter um mandado judicial para ceder os dados, hoje essa informação é partilhada com parceiros de aplicações móveis. A Apple recentemente atualizou a sua política de segurança para permitir a partilha dos dados da localização espácio-temporal, e todos os dias são realizados mais de 65,5 mil milhões de pagamentos móveis com ligação à localização dos utilizadores.

Os investigadores destacam ainda que um terço das aplicações disponíveis na loja da Apple acede a informação geográfica e que a localização de cerca de metade do tráfego de dispositivos Android e iOS está disponível para redes de publicidade.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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