Ainda se estava longe de imaginar uma tragédia como a que assolou Portugal em outubro de 2017, e que resultou em cerca de 54 mil hectares de área ardida, quando, em finais de 2016, quatro engenheiros de software decidiram que tinham que fazer alguma coisa para ajudar a detetar o mais cedo possível os incêndios florestais. E foi esta ideia que a SmartForest levou esta semana ao Portugal Smart Cities Summit.

“Estávamos a falar de como os incêndios já começavam a fazer parte de uma rotina anual no nosso país e eram olhados, até ao ano passado, com indiferença e como uma inevitabilidade, sobre a qual nada havia a fazer”, explica Eduardo Henriques, um dos mentores do projeto SmartForest, o qual consiste na colocação de um conjunto de sensores autónomos na floresta e que estão constantemente a recolher  e a enviar informação para o sistema central.

A informação é processada, analisada e disponibilizada ao utilizador. Caso haja um alerta, como a deteção de fumo, um aumento de temperatura muito brusco ou outras condições propícias ao início de um incêndio, o utilizador é avisado na aplicação, por sms e email. O sensor ativo vai recolher informação constantemente a intervalos de cinco minutos no verão e de 20 minutos no inverno, enquanto os sensores de fumo (ou passivos) só enviarão informação quando for detetado fumo.

Desta forma, os proprietários de parques florestais (público ou privados) conseguirão fazer a monitorização em tempo real das suas propriedades, podendo obter informações que lhes permitam antecipar as condições ambientais propícias à ocorrência de incêndios. Também vai permitir a mobilização de ações que protejam a propriedade e o seu valor económico e natural.

“O projeto é direcionado, não tanto para as cidades, mas mais para as aldeias e pequenas vilas que vivem rodeadas de  florestas. Nós queremos que as pessoas saibam o que se passa na floresta e se possam proteger preventivamente e com melhores resultados”, esclarece o engenheiro.

A ideia venceu a categoria Serviços na sétima edição do Acredita Portugal e introduziu os empreendedores no ecossistema das startups, contrariando a ideia de que esse é um mundo só para jovens.

"Todos nós somos “antigos”, eu tenho quase 50 anos, e há muito esta ideia de que as startups são só para jovens. O próprio Governo Português constrói essa ideia porque o Startup Voucher, da StartUp Portugal, destina-se a projetos promovidos por jovens com idade entre os 18 e os 35 anos. Ou seja, a partir dos 35 anos parece que perdemos a capacidade de inovar”, desabafa Eduardo Henriques em entrevista ao SAPO TEK durante o Portugal Smart Cities Summit.

O SmartForest conquistou depois o prémio Ericsson no Big Smart Cities da tecnológica sueca e da Vodafone, que se traduziu num prémio monetário de 2.500 euros que ajudou a montar o piloto em Cascais, na Quinta do Pisão e que consistiu na  instalação de cinco equipamentos que vão recolher informações cruciais para a prevenção de incêndios, tais como os níveis de dióxido de carbono, humidade, força e direção do vento.

Os dados, depois de captados, são transmitidos pela rede móvel da Vodafone para um gateway que, através de um sistema de inteligência artificial, analisa e interpreta a informação, desencadeando alertas em caso de risco de incêndio. Já está também em andamento a instalação de um segundo piloto em Monchique.

E, se inicialmente, os mentores do projeto pensavam que o Estado era o grande proprietário da floresta portuguesa, rapidamente perceberam que cerca de 90% é propriedade privada.

“Por isso, a nossa ideia é vender isto aos proprietários, à indústria do papel e, eventualmente, à indústria da cortiça. Ou seja, qualquer pessoa poderá comprar o SmartForest e instalar na sua propriedade. Terá um login e uma password para aceder a uma página específica do dashboard que lhe dá acesso a informações como a temperatura, a humidade relativa do ar, a humidade das folhas e fumo. Em alguns, também recolhemos dados sobre a velocidade e a direção do vento”, diz Eduardo Henriques.

A Smart Forest pretende ter uma versão 1.0 pronta no princípio da época dos fogos, perto do fim da primavera, e Eduardo Henriques esclarece que a startup está disponível para fazer novas parcerias.

“É por isso que estamos a montar o sistema com uma API em que as pessoas podem aceder aos dados não pelo nosso dashboard, mas via essa API. Já estamos a prever essa situação para partilhar os dados com as entidades que tiverem interesse”, esclarece. Mas claro, “sempre com a prévia aprovação dos proprietários”, alerta.

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