Por Fabio Rodriguez (*)

A tecnologia tem o poder de fazer muitas coisas e mudar o mundo tem sido uma delas. Se em 1820 podíamos esperar viver em média menos de 35 anos, e menos de 20% da população sabia ler e escrever, atualmente a esperança de vida duplicou e mais de 80% das pessoas no mundo são alfabetizadas, um número que sobe em Portugal. Para qualquer observador, é fácil verificar que estes avanços se devem primariamente à tecnologia, ao início da revolução industrial e consecutiva transição para a era da informação.

Atualmente, é estimado que 65% das crianças a entrar na escola primária hoje desempenharão funções que ainda não existem, uma indicação clara que será necessário reaplicar o conhecimento e tecnologia que temos às capacidades que impulsionarão o mundo do trabalho no futuro. Mas, apesar dos ajustes necessários, é certo que somos privilegiados por viver numa altura em que a ciência e tecnologia nos podem assistir, tornando as nossas vidas mais fáceis e fazendo-nos repensar as maneiras de desempenhar as nossas funções diárias. Mas será que toda a tecnologia beneficiará o futuro da humanidade?

Todos os anos são desenvolvidas e aplicadas novas tecnologias a incríveis ritmos e as mesmas têm, possibilitado respostas a um largo espetro de desafios da humanidade. Este ano assistimos a uma quantidade nunca antes de vista de inovação num curto espaço de tempo, como resposta à situação de saúde pública vivida. Mas aplicar a tecnologia para o bem da humanidade apenas emergirá como um pilar se integrar a inteligência humana e as máquinas, com uma intenção clara de servir e chegar a grandes fações da humanidade, para um bem coletivo.

Para isso é necessário ter em conta que, ao ritmo de inovações atual, nem toda a tecnologia é criada para beneficiar a humanidade. O que torna este período da história diferente prende-se precisamente com o ritmo de avanço tecnológico: a tendência humana continua a ser pensar de forma linear – quando projetamos as expectativas para daqui cinco anos, comparamos com as diferenças verificadas nos últimos cinco anos. E com a tecnologia a avançar de maneira exponencial serão as sociedades, leis e sistemas políticos que terão de se adaptar, para se certificarem que o investimento é guiado para aquelas que verdadeiramente ajudam a humanidade. No entanto, perante um vasto oceano de possibilidades, quais são então as tecnologias com uma promessa de um futuro mais humano?

1. Inteligência Artificial e automatização
Pode parecer contraditório, dado que a perceção pública é que a inteligência artificial tornará funções obsoletas, mas, “eliminar” empregos também permitirá a criação de novos e melhores empregos que substituirão os antigos. Neste e noutros campos, o papel da inteligência artificial será complementar o humano, ajudando-o nas tarefas mais desafiantes.

Adicionalmente IA pode ser aplicada a qualquer campo, o que torna esta aplicação versátil e transversal, seja em saúde, gadgets, entre outros. Isto facilita à criação ou implementação de tecnologia user-centric, que o utilizador ou o paciente precisam. A termo de exemplo existem atualmente muitos companheiros de inteligência artificial que pretendem colmatar os desafios humanos, como por exemplo aparelhos de visão ou próteses inteligentes.

2. Energias renováveis
As tentativas de combater as alterações climáticas apenas pela via de redução de consumo de energia não-renovável, não resultarão numa abordagem suficiente a longo prazo para colmatar este problema. A verdade é que apenas uma combinação de energias renováveis e limpas poderá ser a resposta eficiente em termos de custos, tanto monetários quanto ambientais, a este desafio.
Desde 1977 que o preço das células solares já baixou 99,5%, graças a avanços tecnológicos. Em pouco tempo, esta energia será financeiramente mais benéfica do que os combustíveis fósseis.

3. Tecnologia alimentar
Para dar conta de um crescimento populacional desmesurado, serão necessárias tecnologias alimentares, que procurem obter os alimentos mais nutritivos e sustentáveis para uma grande quantidade de pessoas.

Neste sentido, tanto as carnes de laboratório, como os alimentos geneticamente modificados e a agricultura vertical, trarão soluções para uma população futura, abundante e com pouco espaço habitável.

Assim, se soubermos identificar corretamente onde aplicar os nossos investimentos, a sociedade não só evoluirá como avançará com consciência e ética, unindo populações e eliminando divisões criadas pelo progresso. Para isto é importante que os governos saibam investir nas tecnologias de futuro, que apoiem os cidadãos a longo prazo, a par daquelas que têm de ter investimento, como é caso de todo o investimento tecnológico feito para combater a pandemia.

(*) Iberian Manager da OrCam Technologies

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