Por José Simões (*)

Depois de um 2019 maioritariamente repleto de conquistas e bons momentos, entrámos em 2020 com uma grande expectativa de que tudo de bom iria acontecer, que poderíamos pensar em novas estratégias para "dominar” o mercado. Longe estávamos de imaginar que seríamos "dominados” por uma força oculta, que se tornou bem real e nos veio condicionar e limitar ao nosso mais ínfimo ser.

Durante o 1º trimestre de 2020, deparámo-nos com um vírus que nos faz repensar tudo o que fazemos e da forma de como fazemos. O novo vírus obrigou a sociedade a reinventar-se, a acelerar a sua Transformação Digital, para sua própria sobrevivência, enquanto indivíduos, enquanto sociedade e enquanto empresas. O que poderíamos considerar no passado uma moda ou uma tendência passou a ser uma urgência, uma nova forma de nos mantermos "alive” perante o "novo mundo”.

Nunca tantos artigos, em tão pouco tempo, foram escritos e distribuídos sobre uma das principais ferramentas de Transformação Digital: o Teletrabalho. De momento, em todas as Plataformas Digitais, somos inundados com Artigos, WebConferences, WebCasts e outras formas de colaboração através da Web sobre esta temática que emergiu. Estamos, assim, perante um novo desafio: o de saber gerir tanta oferta, alguma dela gratuita, enquadrada na nova disponibilidade que todos passamos a ter.

A verdadeira transformação digital está mesmo a acontecer

Todos os momentos de crise são vividos com alguma angústia, particularmente quando a vida humana está em causa. Mas há sempre lições que podemos e devemos tirar e aqui a frase popular ganha grande relevância "O que não nos mata, torna-nos mais fortes”.

Até o vírus surgir, o teletrabalho era ignorado pela maioria das pessoas. Muitas organizações ainda não viam com bons olhos esta possibilidade de colaboração, porém, esta modalidade de trabalho apresentou-se como a alternativa mais segura para os trabalhadores. Em poucas semanas, a videoconferência, que era relativamente pouco usada, passou a ser o principal meio de "contacto visual” das pessoas.

Quem não gostava de usar as plataformas de e-commerce foi obrigado a adaptar-se à nova realidade. A garantia do fornecimento de mantimentos, sem sair de casa, passou a ser feita por estas plataformas. Incrível, não é?!

Para além de termos de (re)aprender a trabalhar nesta nova modalidade, também temos de ser capazes de gerir, no mesmo espaço, todas as responsabilidades familiares e a nossa própria sanidade mental. De uma forma individual e coletiva, cada um de nós está a ser colocado à prova, quer no que respeita à nossa autogestão, quer no que respeita às nossas equipas.

Para os mais céticos, que não acreditavam na Transformação Digital, aqui está ela. Entrou de rompante nas nossas vidas e causou um enorme impacto na dimensão pessoal, profissional e nos negócios. Agora percebemos que a mudança de cultura e a adoção destas novas tecnologias são essenciais para a nossa própria sobrevivência, enquanto indivíduos e organizações.

Tudo gira a uma nova velocidade

O mundo já girava a uma velocidade muito acelerada, mas parece ter entrado numa espiral sem fim. De facto, novos modelos de negócios vão surgir, ou outros afirmarem-se. Estamos a enfrentar uma nova e dura batalha. Para além das questões económicas, é hora de pensar em formas de sairmos mais fortes de toda esta situação e refletirmos sobre como será o nosso mundo, o nosso negócio, numa época Pós-Vírus.

Sem dúvida que a maioria dos negócios é afetada pelo novo Coronavírus. Desde a forma de comprar e vender, até ao próprio negócio, estamos em fase de refletir sobre as novas oportunidades, e qual o mercado em que queremos operar.

Num tempo de tamanhas incertezas, há um dado que é garantido: tudo será diferente. Os consumidores e os clientes estão a mudar, logo as empresas precisam de mudar, e rapidamente.

No final desta crise, muitos negócios se devem ter transformado só pelo facto de terem superado a própria crise. O que era uma utopia vai passar a ser possível, pois as crises têm essa capacidade transformadora, mudam padrões, aguçam o engenho e fazem emergir ideias inovadoras. O importante é mantermo-nos motivados, e com a certeza que em breve será possível explorar novas oportunidades, nunca antes imaginadas.

As equipas comerciais, que estão na linha da frente, estão perante o grande desafio de interpretar a nova realidade e encontrar novas oportunidades, transformando os seus produtos, as suas vendas, para o modelo online, em todos os segmentos de mercado: B2C e B2B. No entanto, sem nunca esquecer os seus clientes atuais, aqueles que permitiram a empresa estar no ponto em que está neste momento. São como soldados da criatividade contra as consequências do Coronavírus.

O ano 2020 veio com um vírus, que nos obriga a todos a pensar numa nova forma de viver. Estamos a ser desafiados a explorar a criatividade. Muitos de nós, que trabalhamos no mundo da tecnologia, já terão pensado - precisamos de uma nova release para estabilizar a realidade e voltarmos ao "normal”, mas já não é possível fazer "rollback” a este ano.

​​​​​​​Tudo será diferente a partir de agora. Lamentarmo-nos não reverte a situação. Vamos todos ser criativos e preparar um novo amanhã!

(*) Country Manager da PRIMAVERA BSS em Angola e Moçambique  

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