Por Anesio Neto (*)

Um dos temas mais discutidos em todo o mundo nos dias de hoje é o Corona Vírus ou ainda o COVID-19. Além das casualidades que por si só já podem ser consideradas trágicas, a economia mundial está em risco de enfrentar o pior cenário de todos os tempos.

Já não falamos apenas da China como principal impactada, mas principalmente de economias globalizadas que dependem não apenas de produtos “Made in China” mas que inclusivamente têm a China como mercado consumidor.

O mercado de tecnologias imersivas depende diretamente de equipamentos produzidos na China, e nesse sentido está a ser afetado negativamente pela crise de produção e logística.

Os óculos de realidade virtual produzidos pela Oculus (empresa de realidade virtual do Facebook) já estavam com backlog nas entregas devido às vendas elevadas no Black Friday e no Natal do último ano - agora não estão disponíveis para entrega nos sites oficiais e ainda sem previsão de regularização dos stocks de acordo com a empresa.  O mesmo acontece com os óculos produzidos pela Valve (Alyx) e com os óculos de realidade aumentada da NReal (Light AR).

Os fabricantes de telemóveis, usados para realidade aumentada, também foram afetados. A Apple, num movimento inédito, anunciou uma redução na previsão do volume de vendas neste primeiro trimestre de 2020, devido a problemas nas linhas de produção e logística na China.

A Samsung por sua vez, fechou temporariamente a produção numa de suas fábricas na Coreia do Sul, onde um de seus funcionários foi dado como infetado.

Algumas destas marcas, apesar de terem fábricas de telemóveis fora da China, dependem de componentes importados da China e estão com alto risco de impacto em suas linhas de produção devido a esta dependência.

Por exemplo, a Qualcomm, uma das maiores fabricantes de chips para comunicação (5G), processamento de imagens e armazenamento, para telemóveis e headsets de realidade virtual e aumentada, comunicou a possibilidade de instabilidade e agtrasos nas suas linhas de produção.

O impacto do vírus no mercado chinês não afeta apenas a produção de equipamentos. A China tem as maiores Arcades e parques de realidade virtual do mundo. Arcades são centros de jogos onde os utilizadores podem experimentar experiências imersivas e que servem de teste para produtores de games e experiências em realidade virtual e realidade mista. Em Macau, os Gaming Arcades, como são conhecidos, foram obrigados a interromper suas operações por 15 dias, pelo menos.

Além do impacto na produção, logística e consumo de tecnologia, o impacto pode ser percebido também na área comercial. Eventos internacionais como o MWC (Mobile World Congress) em Barcelona, evento de referência para lançamento de novos modelos de telemóveis foi cancelado recentemente. Grandes marcas como Sony e Oculus já comunicaram oficialmente que não participarão do GDC (Game Developers Conference) 2020 em San Francisco.

A investigação na área de tecnologias entretanto tem sido afetada com a restrição de viagens entre as cidades asiáticas e a suspensão de aulas em escolas e universidades e o fechamento temporário de grandes escritórios de empresas como Apple, Samsung, Microsoft, Tesla, e Google.

Para acompanhar a evolução da epidemia, o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da Universidade Johns Hopkins está rastreando o Corona Vírus em tempo real neste painel de controle onde é possível visualizar e acompanhar os casos relatados atualizados diariamente.

O painel visa fornecer ao público uma compreensão da situação do surto à medida que ela se desenrola, com fontes de dados transparentes.

(*) CEO da 3e60

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