Por Nuno Pinto (*)

Estamos já a viver o presente em que muitos ainda discutem se será o futuro.

A 4ª revolução industrial trouxe, sem sombra de dúvidas, a necessidade de olhar para a produção de uma forma completamente diferente daquela que conhecíamos tradicionalmente. A maior competitividade e a globalização criaram inesgotáveis oportunidades, mas também impuseram a necessidade de alterar processos por forma a garantir o desejado sucesso.

Muito se discute o tema da desumanização nos setor da produção. A evolução de novos softwares e hardwares bem como a crescente automatização, tornaram  os processos cada vez mais fiáveis e eficientes. A natural consequência é verificada na redução do fator de produção trabalho, atirando, assim, para este mercado mão de obra menos qualificada. Este foi, porventura, o ponto mais negativo deste processo evolutivo mas, paradoxalmente, poderá ele, em si mesmo, constituir a maior oportunidade para a economia de capital humano.

Senão, vejamos:

Hoje, consideramos a revolução industrial do séc. XIX como uma viragem muito significativa na evolução das sociedades. No entanto, também ela teve que conviver com variáveis menos positivas, como o aumento intensivo das horas de trabalho ou a voraz concentração demográfica, o que potenciou o aparecimento de problemas sociais que até então eram desconhecidos. Contudo, o "retrato final" deste notável período histórico estará para sempre associado a novas  oportunidades de crescimento e, consequentemente, novas áreas de actividade.

Neste âmbito, mas fazendo uma inversão da máquina do tempo para o futuro, levanta-se de novo a questão: será que as tecnologias imersivas não irão suprimir a intervenção humana nos processos produtivos? Ou, ao revés, apenas lhes será proporcionado mais e melhores ferramentas para a tomada de decisão, aumentando o seu desempenho e até mesmo eliminando a possibilidade de erro?

A Realidade Aumentada e a Realidade Mista são, na minha opinião, uma parte fundamental da evolução desta 4ª revolução. Estas tecnologias integram em si uma humanização no processo voltando a colocar no terreno mão de obra capaz de fazer face aos novos desafios dos mercados. Hoje, é possível colocar um colaborador em operação quase no imediato com a certeza de que terá sempre disponível a informação fundamental para o desempenho da sua função. Qual será o impacto desta nova realidade numa sociedade que evoluiu para quadros especialistas que naturalmente não dominam todas as fases do processo?

Vejamos um exemplo no âmbito da operação de equipamentos industriais. Estes são compostos por partes mecânicas, partes elétricas e partes electrónicas. Se numa manutenção mecânica for detetado um problema elétrico, rapidamente o técnico poderá encontrar informação capaz de o ajudar na tomada de decisão, mesmo que a sua especialidade não seja essa. A assistência remota capacitará no terreno a celeridade na resolução de problemas a custos muito mais reduzidos. Os nossos olhos já são, nos dias de hoje, os mesmos olhos de equipas pluridisciplinares que em tempo real são capazes acompanhar os seus técnicos no desempenho das suas funções.

Isto não fará de nós o “Homem dos 7 instrumentos”, antes pelo contrário, colocará este setor na tendência  de evolução para o conhecimento partilhado, multidisciplinariedade, capacidade de adaptação imediata às necessidades de mercado com ganhos de eficiência jamais alcançados em larga escala.

Temos trabalhado intensamente na procura de soluções e os resultado começam a aparecer de forma consistente. Portugal é já uma referência na produção de software de soluções AR, VR e MR. Estamos já a viver o presente em que muitos ainda discutem se será o futuro. As nossas caravelas são um pouco diferentes da de Vasco da Gama, mas a vontade de chegar, essa é, com toda a certeza, a mesma!!!

(*) CEO da Darwin & Warhol

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