Por Pedro Rodrigues (*)

A Realidade Virtual (RV) é uma tecnologia promissora que está a revolucionar o modo como visualizamos, comunicamos, analisamos e interpretamos conteúdos digitais. Embora a RV esteja ainda muito associada ao mundo dos jogos, a imersividade e interatividade das suas aplicações estão a fortalecer a sua utilização em inúmeras áreas de negócio.

Vários eventos têm marcado a evolução desta tecnologia. A nível tecnológico temos verificados grande avanços a nível computacional, desenvolvimento de óculos com ecrãs de elevada resolução e fabrico de sensores e atuadores para manipulação e feedback háptico, respetivamente. Tais desenvolvimentos, entre outros eventos, têm marcado a massificação e demonstração desta indústria em vários domínios de atuação, como por exemplo: marketing, entretenimento, jogos digitais, treino, aplicações médicas, e visualização e análise de grandes quantidades de dados.

Os 225 investimentos por Capitais de Risco nos últimos dois anos, num total de $3.5bn, são também um bom indicador de crescimento. Como previsões para 2018, esperam-se que sejam vendidos mais de 25 milhões de equipamentos, num total de 171 milhões de utilizadores ativos a nível mundial.

Considerando a rápida evolução do mercado de RV, e sabendo que esta tecnologia poderá ser um elemento revolucionador na criação de novas formas de interpretação e manipulação de informação, nasce uma nova questão: de que forma é que a RV poderá transformar o modo como visualizamos e analisamos grandes quantidades de dados?

A crescente complexidade, variedade e volume da informação digital está a criar a necessidade de novas soluções empresariais para visualizar, analisar e explorar dados de forma mais rápida e eficaz. Atualmente, muitas empresas enfrentam vários desafios a nível da interpretação de informação multidimensional e representação de grandes volumes de dados.

Sabemos que o ser-humano existe e está totalmente treinado para viver em mundos 3D, compreendo vários objetos através de texturas, cores, formas, distâncias entre muitos indicadores visuais. Assim, sendo a visualização um dos estágios mais importantes na análise de dados, com o uso de RV existe a potencialidade de criar ambientes que simulem o mundo real, maximizando a forma com que assimilamos informação. Vários estudos científicos têm já demonstrado que a imersividade característica de ambientes de RV minimizam os erros de operações, maximizam a capacidade de aprendizagem e melhoram o processo de descoberta de padrões e tendências.

Como resultado, o mundo empresarial poderá beneficiar de melhorias significativas a nível de processos internos, antevisão de tendências futuras, fortalecimento de tomadas de decisão e aceleração do ritmo de inovação.

Contudo, não chega usar realidade virtual para visualizar gráficos tradicionais. Por exemplo, se um gráfico de barras não é informativo o suficiente num ambiente 2D, também não o será em 3D ou num ambiente de RV. Com a RV, existe sim uma nova capacidade de criar uma experiência imersiva que definitivamente irá revolucionar a forma como assimilamos informação proveniente de diversas fontes de áudio, imagem, som 3D, entre outras.

Muitas abordagens têm sido exploradas por empresas e startups com diferentes objetivos. Algumas aplicações concentram-se na promessa de tornar a RV num meio para contar histórias (por exemplo o All Street Journal), enquanto outras se focam na criação de ambientes interativos e colaborativos para visualização de dados (p.e. Virtualitics, CognitiveVR, Dali-VR, Looker).

Neste momento, ainda não existe nenhum líder de mercado a nível de aplicações de RV para visualização de dados, e muitas das empresas ainda estão a adaptar da sua proposta de valor de modo a maximizar o impacto que poderão gerar no futuro. Por exemplo, a startup Dali-VR está a ser concebida como uma plataforma modular e low-code, cujo principal objetivo é permitir que qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento em programação 3D, consiga criar ambientes de RV para visualização e análise de dados. Através de uma interface de assistência visual, será possível ‘arrastar e largar’ várias aplicações de visualização, interação e manipulação de dados bem como de conexão com bases de dados externas.

Tendo em vista várias indústrias, a combinação de características únicas da plataforma Dali-VR poderá contribuir para uma ligação mais forte entre o mundo da engenharia com o mundo empresarial, criando um standard de desenvolvimento de modo a adaptar e personalizar aplicações em RV a vários produtos e serviços.

Embora as previsões de mercado apresentem variações significativas, com um tamanho de mercado a variar entre $100b - $215b em 2021, todas as previsões apontam para um ponto em comum: a RV vai impactar significativamente a forma como comunicamos, modelando e influenciando o modo como criamos e fazemos negócios no futuro.

(*) Co-Founder | Dali-VR

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