Pedro Pinto (*)

 

Em Março de 1957, começava a era da Televisão em Portugal, depois de dois anos de testes e aprendizagem, os portugueses podiam finalmente reunir-se e admirar aquela grande novidade tecnológica, a caixa mágica era finalmente, uma realidade em Portugal- 21 anos depois da primeira grande transmissão que ocorreu durante os Jogos Olímpicos de Berlim.

Desde essa altura, a evolução nunca mais parou nem o ritmo da mesma abrandou, seja na produção dos conteúdos, a multiplicação de canais, a aparição dos operadores, a televisão digital e, mais recentemente, a televisão interativa.

Uma maneira de entendermos bem esta evolução é focarmo-nos no aparecimento de cada vez mais intervenientes na cadeia de valor do negócio da televisão.

Tendo começado apenas por um canal de televisão que produzia os conteúdos e os transmitia, foram entrando nesta cadeia virtuosa, os anunciantes, os produtores de conteúdo não dependentes de um broadcaster, os operadores de televisão agregadores de broadcasters, os agregadores de conteúdo transformados em canais, as empresas que vendem conteúdos através da televisão e tantos outros intervenientes. Todos os participantes nesta criação, mais do que recolherem valor deste negócio, têm efetivamente acrescentado valor e a competitividade tem sido determinante para toda a criativade e inovação que guiaram o futuro da  pequena caixa mágica para algo que faz cada vez mais parte da vida de todos e é, garantidamente, a ferramenta mais influente da humanidade das ultimas décadas.

É por isso, com satisfação, que olho para a evolução em Portugal da televisão e constato que, tendo partido com um atraso superior a 30 anos em relação ao que de melhor e mais avançado se fazia no mundo, o engenho português, a criatividade, a inovação e o espírito empreendedor conseguiram colocar-nos na crista da onda e, em muitos casos, como líderes mundiais no que diz respeito à qualidade inovadora e, muitas vezes, disruptiva das soluções desenvolvidas.

Quem, como eu, tem a possibilidade de interagir internacionalmente com parceiros da área, facilmente se apercebe do grau de reconhecimento internacional que as soluções de televisão em Portugal têm pelo mundo fora e em como a sua visão é seguida e admirada. Em tempos de crise podemos sempre revermo-nos no trabalho de todas estas empresas, desde os operadores de televisão a empresas de desenvolvimento, na sua maioria portuguesas, e no sucesso que têm atingido e na capacidade de fazerem a diferença neste mercado tão competitivo e inovador.

Só para referir três exemplos, olhemos para o MEO KANAL lançado em 2012, a primeira plataforma a ser disponiblizada que permitia a qualquer pessoa criar o seu canal, seleccionando ou criando o seu próprio conteúdo,  gerir e disponbilizar o mesmo a um grupo de amigos ou a qualquer utilizador do serviço MEO. De um dia para o outro, o paradigma mundial de que apenas grandes empresas e/ou grandes investimentos podiam actuar na área do serviço de televisão, desfez-se.

Em Setembro de 2012, a Vodafone lançou uma plataforma inovadora de comércio na TV preparada para garantir de uma maneira simples, rápida e segura a compra de produtos através da televisão. Era o primeiro shopping market a ser disponiblizada na televisão com um conceito único de navegação e experiência de modo a potenciar as vendas e a rápida aprendizagem de como efetuar as compras.

Também em 2012, já falarei sobre esta simultaneidade de lançamentos no âmbito nacional, foi lançado o serviço Time Warp pela ZON, uma completa disrupção no mundo da televisão, desde esse dia em diante, passou a ser possível, sem prévia configuração para tal, aceder a conteúdos dos últimos sete dias da grande maioria dos canais disponíveis por cabo. Este passo mudou a maneira como a televisão era consumida e os números atuais demonstram perfeitamente o impacto que esta inovação teve com 70% dos consumidores de televisão a verem os seus conteúdos preferidos, não quando eles são disponiblizados pelo broadcaster, mas sim quando querem.

Que fique claro, estes são apenas três dos muitos exemplos de inovações desenvolvidas in-house ou em parceria pelos operadores de televisão em Portugal e que foram reconhecidos internacionalmente.

Um ponto breve sobre a simultaneidade de lançamentos com impacto profundo na experiência de televisão, não foi claramente apenas uma coincidência, foi sim o resultado da grande competitividade que desde essa altura existe entre os operadores portugueses e no esforço efetivo que têm feito de garantir aos seus clientes as melhores soluções, as soluções mais inovadoras já que, a nível de conteúdos, todos apresentavam genericamente as mesmas ofertas.  

Foram então, desde o início da década, os anos da criação de soluções tecnológicas como diferenciadores entre as ofertas de cada operador. 

Chegou agora altura de dar um novo passo, avançar para uma nova abordagem, sendo certo que ainda há muito para inovar na tecnologia disponiblizada. Os operadores de televisão estão cada vez mais, e do meu ponto de vista no caminho certo, a enveredar pelo foco no cliente, no criar uma nova plataforma de televisão em que o utilizador é o centro da oferta.

Isso passa claramente por conhecer cada utilizador, ter uma experiência que possa ser adaptada a cada um, por garantir que o serviço é o melhor possível e todas as exigências de qualidade são garantidas a cada momento.

Estamos a entrar então na era da Experiência de Utilização onde a tecnologia deixou de ser o mais importante mas apenas a ferramenta necessária, onde a solução já não é o que diferencia as ofertas, mas sim a qualidade com que é fornecida e a capacidade de ela se adaptar às exigências e preferências  de cada um de nós.

Podemos esperar nos próximos tempos uma oferta mais centrada nas escolhas e nos hábitos de cada utilizador, mais conteúdos disponíveis e inteligentemente sugeridos seguindo os gostos de cada um, bem como a garantia de que o utilizador não tem que seguir o conteúdo pois será o conteúdo a seguir o utilizador, não só no que diz respeito ao espaço temporal, mas também aos equipamentos com que o utilizador interage a cada momento.

Os operadores vão também focar-se cada vez mais numa completa monitorização do seu serviço, numa garantia mais fina ainda da qualidade entregue a na capacidade de avaliação, utilizador a utilizador, da qualidade de experiência disponibilizada.

Estamos no limiar de uma nova experiencia de ver e viver a televisão, mais focada nos nossos gostos, experiências e com uma qualidade cada vez mais superior com Portugal na linha da frente da inovação a nível mundial. Bem vindos ao futuro!

 

(*) Especialista da InnoWave em TV Interactiva 

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