2014 foi um ano de mudança mas 2015 não se antecipa mais calmo. As alterações registadas no mercado nacional de telecomunicações e tecnologia, a internacionalização de muitas empresas, mas também a falta de estratégia em áreas consideradas fundamentais por alguns players do sector, assim como a preparação da legislação da cópia privada, fazem parte dos pontos destacados para 2014, nem todos sob o prisma positivo. E para 2015 as previsões não são fáceis, mostram as associações do sector.

O TeK já destacou os
sucessos
e os
fracassos
do ano de 2014, num trabalho de seleção que colocámos também à votação dos leitores, e agora desafiámos as principais associações ligadas às Tecnologias da informação e Comunicação para partilharem a sua visão.

As análises dos presidentes da ANETIE, ANSOL, APDC, ASSOFT, ESOP e Portugal Outsourcing mostram as perspetivas específicas de cada organização e o seu alinhamento, deixando pistas para os pontos positivos do ano de 2014, mas também para os negativos e a forma como se podem refletir em 2015.

O peso da conjuntura económica e de algumas decisões estratégicas está bem patente nas análises que pode ler na íntegra nas próximas páginas, e que revelam as várias faces dos vários acontecimentos que dominaram a atualidade portuguesa no que às TIC diz respeito.

Do software open source, às empresas de TICE, passando pelas telecomunicações e outsourcing, os textos revelam também as preocupações e o sentimento otimista para o ano que agora começa.

O TeK contactou também a ACEPI, a APDSI e a APRITEL que não responderam em tempo útil para a publicação deste trabalho.

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ANETIE: 2015 é um ano de oportunidades para as empresas de TICE

ANETIE: 2015 é um ano de oportunidades para as empresas de TICE

Positivamente, a ANETIE ressalva, relativamente a 2014, os passos que foram dados no posicionamento internacional de Portugal enquanto plataforma de negócios tecnológicos. A semana organizada pela ANETIE, no começo do ano, que trouxe a Portugal os principais players mundiais abriu portas nesse sentido, a começar, desde logo, por um acordo de cooperação internacional que envolveu empresas e confederações na constituição de uma estratégia de colaboração entre três polos empresariais tecnológicos: Portugal, Europa e América Latina.

Complementarmente, destacamos ainda as provas de inovação e competitividade dadas nas ações internacionais promovidas, com destaque para o envolvimento de empresas com índices de crescimento surpreendentes, que marcam a diferença em Portugal e em diversos mercados além-fronteiras.

Aliadas a este crescimento positivo evidenciaram-se, em 2014, as perspetivas otimistas a curto-médio prazo em matéria de criação de emprego por parte das empresas tecnológicas: um estudo divulgado no final do ano pela ANETIE concluiu que as contratações de TI vão aumentar 30% nos próximos três anos, com uma média de 10% ao ano.

Porém, adjacente a esta previsão, está uma das constatações mais negativas do ano: o desfasamento entre a qualificação dos nossos recursos humanos e as necessidades das empresas. Uma desadequação que acontece não apenas porque os candidatos não acompanham a célere evolução do mercado, mas também, e sobretudo, porque os próprios planos curriculares dos cursos tecnológicos têm tardado em adaptar-se.

Relativamente a 2015, perspetivamos um ano de oportunidades para as empresas de TICE. A ANETIE acredita que está delineado o caminho rumo à afirmação do nosso País no mapa mundial dos negócios tecnológicos. Um País capaz de fazer a ponte entre a Europa e outros continentes, especialmente com os mercados da América Latina e dos PALOP. Há muito que as empresas tecnológicas perceberam que a resposta ao contexto desfavorável, a nível interno, está na inovação e na internacionalização. Os empresários têm plena consciência de que só através de uma aposta concertada em investigação e desenvolvimento será possível obter as vantagens competitivas necessárias ao sucesso no mercado global e combater a retração nacional.

Cruzando esta consciência e este potencial setorial com os apoios que se anunciam, cumpre destacar, em matéria de oportunidades neste novo ano, o suporte que nos chegará da União Europeia, com a operacionalização do Horizonte 2020. É inevitável reconhecer o reforço previsto em matéria de investigação na área das novas tecnologias, de fomento do empreendedorismo tecnológico, bem como de aplicação das TIC nos diversos setores de atividade económica. Acreditamos, por isso, que o H2020 poderá ter um impacto muito positivo na renovação do setor e na sua capacidade de inovação, bem como na produtividade e competitividade nacionais.

Neste contexto, fazemos votos de um ano profícuo para as empresas tecnológicas e, de um modo geral, para o tecido empresarial português. Acreditamos que em 2015 as empresas lusas podem beneficiar do crescimento competitivo das tecnologias nacionais, não apenas pelo contributo que estas inovações terão na performance económica portuguesa, mas também pelos incrementos competitivos que a incorporação destas inovações aporta para o mundo dos negócios.

Estamos ainda convictos de que a evolução do setor das TI em matéria de emprego confirmará o papel reservado ao setor enquanto agente e veículo de uma mudança competitiva na economia portuguesa. Nos últimos anos, as TI têm revelado o seu potencial ao nível da reestruturação e reorganização do tecido económico, facto que será cada vez mais notório com as contratações que se esperam, com a subida na cadeia de valor que estará associada a essas contratações (por via da diferenciação e da inovação) e com o aumento da internacionalização e das exportações.


Vítor Rodrigues, presidente da ANETIE

Website da ANETIE



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Ansol: 2014 foi um ano com alguns marcos positivos disfarçados de maus, quais cordeiros em pele de lobo

Ansol: 2014 foi um ano com alguns marcos positivos disfarçados de maus, quais cordeiros em pele de lobo

Os primeiros grandes foram vulnerabilidades de segurança graves detetadas em importantes programas de segurança, como os bugs Heartbleed e Shellshock.

Foram vulnerabilidades muito importantes pelo que terem sido encontradas foi essencial para que fossem corrigidas. Isto revelou que apesar da importância de alguns dos Software Livres mais utilizados, muitas entidades que beneficiavam da sua existência simplesmente não davam qualquer retorno significativo aos projetos, limitando-se a serem meros utilizadores com ganhos financeiros, no caso de empresas, ou poupanças significativas no caso de outros tipos de entidades.
Um resultado extremamente positivo que resultou destes problemas foi a contabilização de até um milhão de Euros incluída no orçamento de 2015 do Parlamento Europeu para promover revisões de código que identifiquem e corrijam

vulnerabilidades detetas em Software Livre
.
Há quem pense que o Software Livre signifique "gratuito" derivado da potencial confusão de conceitos da nomenclatura inglesa (Free Software), espero que estes acontecimentos relembrem as pessoas que é preciso haver uma contribuição para sustentar a existência do Software Livre, seja participação direta no desenvolvimento, seja financiar quem possa fazer essa participação.

Outro evento de destaque foi a muito badalada notícia de que Munique abandonaria a migração que concluiu para GNU/Linux e normas abertas, regressando à hegemonia Microsoft., empresa cuja divisão de marketing se divertiu imenso a difundir aos sete ventos a primeira metade da história mas que depois pouco se importou em dar as conclusões.

A realidade é que o próprio Mayor de Munique, que estava no centro da polémica,
revelou que não está nos planos qualquer mudança de volta para a Microsoft, os motivos são extremamente pragmáticos:

• mudar para o Windows 7 (pior ainda se para a série 8 ou a 10) implicaria renovar todo o parque de computadores da cidade, cerca de 14 mil, custando mais de 3 M€

• a migração permitiu poupar cerca de 11 M€ em custos de licenciamento
• migrar de volta para a Microsoft implicaria desperdiçar os cerca de 14 M€
investidos ao longo dos 10 anos da Migração (desde a nascença do conceito de migrar em 2003 até à conclusão em 2013)

Por fim, em Portugal, o Governo decide tirar de alguma cartola escondida um alegado prejuízo de 15 M€ para as indústrias criativas por causa da Cópia Privada, contrariando os estudos realizados no Reino Unido, que levaram à legalização nesse país da Cópia Privada sem compensação, ou da Comissão Europeia, em que ambos concluíram não haver prejuízo a compensar, indo mesmo no caso do estudo da CE ao ponto de recomendar a eliminação de taxas por acarretar maiores benefícios para todas as partes.

Infelizmente este evento ainda não se revelou se é cordeiro em pele de lobo ou se é mesmo só lobo, mas quando o Governo PSD+CDS se une ao PS para defender números inventados por forma a extorquir dinheiro à sociedade para financiar entidades obsoletas como, não é de esperar bons auspícios para os cidadãos sem que os mesmos se
mobilizem a contactar os deputados de todas as alas políticas para que votem contra a proposta de lei 246/XII do Governo.
Bom novo de 2015 com muito Software Livre!


Rui Miguel Seabra, presidente da ANSOL

Website da ANSOL

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APDC: 2014 foi um ano de grande transformação das TIC e New Media em Portugal

APDC: 2014 foi um ano de grande transformação das TIC e New Media em Portugal

Balanço de 2014

2014 foi um ano de grande transformação das TIC e New Media em Portugal. Ocorreram momentos particularmente importantes em algumas das empresas mais significativas do nosso setor. Pela sua dimensão, relevância e impacto, destacam-se o sucesso da conclusão da privatização total dos CTT, a adoção pela Zon Optimus da nova marca NOS e o reforço dos investimentos da Vodafone, num mercado onde as ofertas convergentes de serviços assumem um papel central e determinante no futuro dos operadores.

É ainda de salientar a crescente aposta dos players presentes no mercado nacional na aposta na criação de novos centros de competências em Portugal, contribuindo para criação de emprego especializado que presta serviços para todo o mundo. O crescente nível de concorrência - sustentado no investimento realizado nos últimos anos em infraestruturas de nova geração, que permitiu uma elevada cobertura e qualidade das redes – tem vindo a colocar o nosso País na vanguarda da inovação em termos de ofertas de soluções cada vez mais integradas.

Nos media, depois de anos de reestruturações e cortes, assistiu-se à retoma, ainda tímida, da publicidade, com todos os grupos a registarem melhorias significativas nos resultados, num mercado onde há cada vez mais consciência da necessidade de combate à pirataria no domínio dos conteúdos digitais.

A nossa indústria continuou no ano passado a ser pressionada por vários fatores. Em termos setoriais, é impossível deixar de referir - pelo seu impacto na economia portuguesa – a crise do BES/GES e as suas consequências no grupo PT. Manteve-se também a tendência negativa de diminuição sistemática e progressiva dos preços, quer dos serviços de telecomunicações, quer dos serviços em geral na área das TIC. O que continuou a pressionar muito fortemente as margens das empresas do nosso setor. Nas comunicações, por exemplo, há pelo menos seis anos que as receitas estão em queda e não se antecipa para breve uma inversão da tendência. De salientar ainda, em termos macro, a instabilidade sentida em algumas zonas no globo, assim como os riscos de deflação e a diminuição significativa do preço do petróleo, com os seus impactos positivos (como a quebra do custo da importação desta matéria-prima) mas também potencialmente negativos para as empresas portuguesas que operam em geografias cujas economias são muito dependentes do preço do petróleo, como Angola.

Perspetivas para 2015

Numa conjuntura de profundas transformações, é cada vez mais difícil fazer previsões. Mas 2015 será um ano especialmente importante e marcado por factos muito relevantes, tanto em termos nacionais como internacionais. Portugal, no que será o primeiro ano completo do pós-troika, terá este ano eleições legislativas. 2015 será ainda marcado pelo arranque do novo quadro de fundos comunitários, o ‘ Portugal 2020’, que deverá contribuir para o relançamento do investimento, sendo portanto determinante para a economia portuguesa.

Mas o nosso país está também muito dependente do plano internacional. Destacam-se as indefinições que prevalecem relativamente ao futuro e ao papel da Europa no Mundo, assim como a resolução de alguns dossiers muito quentes, como a situação política na Grécia e o seu potencial impacto noutros Estados da União, e a interação com a Rússia. No plano económico internacional, serão marcantes as evoluções que vierem a registar-se nos já referidos temas do risco de deflação e no tema energético. Já em termos setoriais, destacam-se os temas do Novo Pacote Regulatório Europeu para as telecomunicações e o tema do controlo acionista da PT.

Antecipa-se que 2015 seja de novo um ano agitado para as TIC, à semelhança do que está a acontecer um pouco por todo o mundo. Neste cenário, para muitas das empresas do sector a manutenção e reforço do seu processo de internacionalização é vital para garantir um crescimento sustentado. Relevante será também o aprofundamento do negócio da venda de serviços a partir de Portugal, em regime de Near e Offshoring, tanto para as empresas estrangeiras baseadas em Portugal como para as empresas portuguesas.

Votos para 2015

Faço votos para que as grandes potências mundiais possam encontram uma nova forma de equilíbrio estratégico. E que se renovem os mecanismos institucionais para o diálogo, no quadro das Nações Unidas, que já demonstraram estar muito aquém do necessário para os novos desafios que se colocam à comunidade internacional. Faço igualmente votos para que a nova Comissão Europeia de Jean-Claude Juncker ataque de frente o tema do papel da Europa no Mundo, dando passos seguros para que se entre numa nova fase da construção europeia, e para que se encontrem novas fórmulas que garantam o regresso ao investimento e à criação de emprego, garantindo o relançamento sustentado do crescimento económico europeu.

Desejo também que o processo de internacionalização das empresas portuguesas continue a dar passos seguros rumo a uma economia cada vez menos dependente de qualquer geografia em particular, incluindo a nossa. Neste âmbito, espero que os novos mecanismos de apoio ao investimento sejam usados de forma inteligente e inovadora, contribuindo efetivamente para que o investimento regresse a Portugal. Com uma aposta renovada, quer nacional, quer estrangeira, que permita que Portugal se continue a afirmar como um prestador global de serviços em regime de Outsourcing no nosso setor.

Rogério Carapuça, presidente da APDC

Website da APDC




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ASSOFT: Novas empresas a surgirem, com particular incidência de start-ups tecnológicas

ASSOFT: Novas empresas a surgirem, com particular incidência de start-ups tecnológicas

O que correu bem em 2014

  • - O aumento da quota de exportação das empresas de software portuguesas, e das TIC em geral, também em mercados fora dos mercados tradicionais de língua portuguesa.
    Temos grandes exemplos, com empresas a criar parcerias de expansão para a América Latina das suas soluções maduras no mercado Português e outras que, em parceria com multinacionais Japonesas, criam software para acompanhar equipamentos a ser vendidos em todo o mundo. A crise trouxe, para aquelas empresas de software com soluções maduras no mercado Português a energia de ativação que as fez focar-se seriamente nas oportunidades além-fronteiras – e isto é um exemplo a seguir.
  • - O nascimento de novas empresas a um ritmo superior ao dos encerramentos e insolvências, com particular incidência nas “start-ups” tecnológicas, não só de TIC, com importantes capitais de inovação nos seus ativos.

O que não correu tão bem

  • - Não podemos de deixar de chamar a atenção para o atual nível de pirataria de software que não “teima” em não se reduzir. Estima-se que nos últimos 3 anos a taxa de pirataria ronda em Portugal os 40%, um valor que apesar de inferior ao da Espanha ou da Itália, nos coloca no grupo dos países com as mais graves taxas de pirataria da Europa. Na prática, países da nossa dimensão, como a Áustria ou a Bélgica, impulsionados por uma taxa de pirataria muito inferior, rondando os 25%, conseguem ter uma indústria de software que representa o dobro da portuguesa no respetivo PIB. Reduzir a pirataria tem um forte impacto económico, como é demonstrado num estudo da Universidade Católica Portuguesa onde a redução de 10 pontos percentuais na taxa de pirataria Portuguesa poderiam representar um aumento de 0,6% do PIB, mais 320 milhões de euros de receitas fiscais e mais de 4200 novos empregos.
  • - A lei da cópia privada. Que não haja equívocos: na ASSOFT somos contra a violação do Direito de Autor, contudo, somos também pelo direito dos proprietários ao usufruto das obras devidamente licenciadas para fins privados (sejam obras literárias, música, ou vídeos) sem que haja necessidade de remunerações adicionais às inerentes à aquisição ou licenciamento inicial. Quem adquire ou licencia uma obra deve ter a capacidade de fazer, para fins exclusivamente privados e sem fins lucrativos, o que bem entenda. E não se culpem as novas tecnologias, pois se estas incrementam as possibilidades e a facilidade da cópia estas vieram também oferecer ao consumidor mais comodidade e opções.

Quanto a 2015

  • As perspetivas económicas são bem mais animadoras para 2015 que o foram em qualquer dos recentes anos. Este otimismo começa a sentir-se.

  • - A economia digital vai ser o motor de crescimento da Europa. Nunca antes o Digital foi tão crucial para a Europa adquirir vantagens competitivas que lhe permitam assegurar o crescimento do emprego e da sua economia. Para o efeito há que assegurar: legislação que favoreça o crescimento da inovação digital; o acesso à internet aberto e não discriminatório; remoção de barreiras ao comércio eletrónico além-fronteiras e políticas que incentivem a inovação que possibilitará à Europa disputar a liderança no mercado global. São hoje tendências incontestáveis a massificação do Cloud-Computing, com os ganhos de produtividade que lhe estão associados, e do mobile computing. O mundo está a acelerar a sua digitalização e a economia está a transferir-se.
  • - Pessoalmente acreditamos que as negociações entre a Europa e os EUA sobre o acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (vulgarmente referido por T-TIP) serão um potenciador de crescimento económico no médio e longo prazo. Esta negociação, que tudo indica está em fase final de acordo por parte de Bruxelas deve ser mais divulgada para ajudar sectores exportadores de Portugal a considerarem mais seriamente o espaço dos EAU e Canada nos seus planos de médio e longo prazo.

Luis Sousa, presidente da direção da Assoft


Website da ASSOFT


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ESOP: Enquadramento legal favorável não esconde necessidade de investir em processo de transição para open source

ESOP: Enquadramento legal favorável não esconde necessidade de investir em processo de transição para open source

Balanço de 2014

Em 2014 a atividade da ESOP esteve muito centrada na divulgação das tecnologias open source junto dos serviços da Administração Pública, apresentando soluções que se adequam às suas necessidades e demonstrando as suas vantagens face a outras soluções tecnológicas.

Este investimento da ESOP surge na sequência da aprovação do enquadramento legal, proposto pelo Governo e aprovado na Assembleia da República, que impõe às entidades públicas a necessidade de avaliar melhorar o custo total de utilização dos produtos e serviços TIC e de ponderar a utilização de soluções open source.

Hoje, Portugal tem um enquadramento legal de referência, em matéria de adoção de soluções de software no sector público, que estimula a utilização de tecnologias e normas abertas e que se pode traduzir em maior eficiência.

Ainda a nível nacional, é importante salientar os passos significativos, dados nos últimos anos, em matéria de criação de um verdadeiro ecossistema de empreendedorismo nacional nos sectores tecnológicos. Projetos como a Start-up Lisboa e a Portugal Ventures, permitem hoje aos empreendedores criar empresas que podem contar com uma rede de conhecimento e o investimento necessário para dar os seus primeiros passos de forma mais segura e inteligente. As tecnologias open source têm um papel fundamental neste processo, na medida em que permitem desenvolver novos produtos e serviços tecnológicos, recorrendo ao conhecimento e a tecnologia partilhada, que está disponível gratuitamente e que pode ser livremente reutilizada em novos projetos.

Por último, em 2014 destacamos o facto de muitas das empresas nacionais de TIC, nomeadamente as PMEs, terem investido na sua internacionalização. É certo que em grande parte, este movimento resulta das circunstâncias económicas adversas no mercado interno, Mas hoje, muitas das nossas associadas já desenvolvem projetos fora do território nacional, com predominância para os projetos europeus e projetos nos PALOP.

Mas em 2014 também importa destacar alguns pontos menos positivos. O modelo de contratação pública, com recurso a plataformas eletrónicas continua a ser alvo de inúmeras queixas das empresas associadas da ESOP. Os custos para as entidades contratantes e para os fornecedores, a deficiente interoperabilidade e compatibilidade das plataformas com diferentes sistemas operativos e web browsers, o baixo nível de serviço e a proliferação de erros, são apontados como os maiores problemas. O descontentamento generalizado revela que precisamos de uma nova abordagem, em que as TIC possam contribuir, de facto, para maior eficiência nestes processos.

Continuando um trabalho que já vem de anos anteriores, a ESOP monitorizou, ao longo do ano de 2014, os procedimentos de contratação pública para aquisição de software e foram inúmeros os casos detetados de falsos concursos públicos. Ou seja, procedimentos em que é exigido o fornecimento de produtos de um determinado fabricante, desrespeitando-se os mais elementares princípios da contratação pública. Estas más práticas, que em 2013 se traduziram em gastos de mais de 8 milhões de euros, continuaram durante o ano de 2014. Há um longo caminho a percorrer nesta matéria.

Por último, gostaríamos de salientar que, apesar do enquadramento legal favorável e de algum esforço de sensibilização das entidades, a execução do plano global estratégico para as TIC na Administração Pública, continua a ter resultados aquém das expectativas, nomeadamente no que diz respeito à adoção de tecnologias open source. Sentimos que é preciso investir mais e melhor neste processo de mudança, para que se possam colher melhores frutos a médio e longo prazo.

O que se perspetiva para 2015

Para a prossecução dos seus objetivos de divulgação das tecnologias open source, de promoção da indústria portuguesa de software e das PMEs nacionais do sector, a ESOP identifica alguns desafios importantes para 2015.

Em primeiro lugar, o próximo ano traz o início de um novo ciclo político. Importa, por isso, refletir sobre o caminho traçado nos últimos anos pelo Governo em matéria de TIC e avaliar os resultados alcançados. A ESOP está empenhada neste processo, de forma a dar o seu contributo para a redefinição da estratégia para este sector nos próximos anos.

Em 2015 as plataformas móveis continuarão a ter um papel central nas TIC, como principal catalisador no processo de democratização da sociedade de informação. Em Portugal ainda há um longo caminho a percorrer na disponibilização de serviços móveis de qualidade, quer pelo sector privado, mas particularmente pelo sector público. As empresas portuguesas de TIC podem e devem ter um papel central neste processo, criando boas soluções tecnológicas, inovadoras e que nos coloquem numa posição de destaque a nível internacional.

Em 2015 big data e cloud computing voltarão a ser dois dos grandes temas no sector das TIC. As tecnologias open source estão a ter um papel central no desenvolvimento de soluções de big data e de cloud. O maior desafio para as organizações será utilizar estas tecnologias de forma inteligente, melhorando a eficiência de processos ou criando melhores produtos e serviços.

No sector público, importa definir regras claras sobre a adoção e utilização de serviços cloud. Questões como a segurança de dados, confidencialidade, interoperabilidade, TCO e os riscos de lock-in, devem ser ponderados e devem ser objeto de regulação, evitando que se cometam erros desnecessários num processo que já está em curso e que, se mal executado, pode trazer custos e dependências significativas para o Estado.

Álvaro Pinto, presidente da ESOP – Associação de Empresas de Open Source Portuguesas

Website da ESOP


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Portugal Outsourcing: Recursos Humanos são elemento chave para o desenvolvimento da competitividade no outsourcing

Portugal Outsourcing: Recursos Humanos são elemento chave para o desenvolvimento da competitividade no outsourcing

Há muito que a Associação Portugal Outsourcing afirma que o Setor dos Serviços de Base Tecnológica é dos poucos que pode, de forma rápida, contribuir para a geração de riqueza em Portugal e para a criação de emprego qualificado em números consideráveis nas grandes cidades e interior do país, contribuindo muito ativamente para o seu reequilíbrio regional e para a retoma da nossa Economia.

O ano de 2014 veio confirmar esta ‘convicção’ da Portugal Outsourcing, Associação empresarial fundada em 2008 com base justamente na mesma: os Serviços de base TIC podem afirmar-se como uma peça do motor da economia nacional pela influência positiva das TIC - e dos Processos de Negócio que nelas assentam - na transformação e modernização do tecido empresarial privado e da Administração Pública Portuguesa, com impacto muito positivo no desenvolvimento de uma economia inevitavelmente cada vez mais inteligente, mais eficiente e mais ‘amiga’ do cidadão.

O ano de 2014 foi, a atestar pela significativa procura de Portugal como destino/plataforma de investimento e pelo número de novos projetos estrangeiros – essencialmente Europeus – no nosso país na área dos Centros de Serviços e Competência (com Desenvolvimento e Investigação incorporados em vários casos), criando postos de trabalho qualificado direto e indireto que apontam, por diversas vezes, às várias centenas, e pela forma continuada como os Serviços de base tecnológica foram ’tema’ de debate, público e privado, um ano de tendência claramente positiva.

A par de um ambiente interno maduro, bom para os negócios, da existência de infraestruturas de comunicação e de transportes de excelência, de uma estrutura de custos global muito competitiva – sobretudo na perspetiva do nearshore - e de uma legislação adequada em matéria de privacidade e segurança da propriedade intelectual e de dados, Portugal destaca-se crescentemente sobretudo pela elevada qualidade do sistema de ensino e da qualificação dos seus profissionais: competentes e inovadores, multilingues e com elevadíssima cultura de serviço, e com assinalável capacidade de adaptação a ambientes multinacionais e multiculturais.

Os recursos humanos portugueses são, assim, um dos principais fatores competitivos de Portugal – tanto na perspetiva da dinamização do mercado interno como na da internacionalização e exportação de serviços -, absolutamente ‘chave’ para uma especialização inteligente da nossa Economia, base indispensável para o encetar de um tão imprescindível novo ciclo de crescimento e desenvolvimento sustentável do nosso país.

No entanto, e embora paradoxal, face à elevadíssima taxa de desemprego no nosso país e que afeta particularmente muito jovens licenciados, devemos estar atentos - e a Portugal Outsourcing esteve-o particularmente ao longo de 2014. Portugal, a par da Europa, depara–se já com uma muito ‘desaconselhável’ escassez de recursos humanos qualificados face às enormes oportunidades existentes para a criação de emprego em áreas que carecem de perfis com maiores índices de especialização e mesmo com necessidade de recurso a soft kills como o domínio de línguas estrangeiras.

É, pois, inevitável uma maior aproximação do tecido empresarial do setor às entidades governamentais e ao sistema académico e científico no sentido de se definirem estratégias agressivas de formação de quadros qualificados e de requalificação de profissionais, tendo a Portugal Outsourcing desenvolvido em 2014 um primeiro projeto de consultoria com uma turma de alunos finalistas de mestrado da Nova Business School of Economics, projeto este que tem desenvolvimento previsto para 2015.

Perspectivar 2015 e os anos que se seguirão significa, pois, olhar para o tema dos Recursos Humanos com muito especial atenção.

O universo de atividades que se desenvolverão nos anos que se seguem - tanto no seio da economia Portuguesa como Europeia – carecerão da utilização transversal das TIC, sendo pois absolutamente crucial que Portugal olhe para esta problemática como chave para a o sucesso da sua competitividade interna e externa.

E Portugal está a fazê-lo. Tendo o nosso País sido um dos Estados Membros da União Europeia que aderiu ao desafio lançado para a criação de uma “Coligação Nacional para os Digital Jobs”, iniciativa decorrente da constatação pela Europa de que poderá vir a haver um défice de 900 mil postos de trabalho em TIC’s já no ano de 2020, Portugal – e a Portugal Outsourcing - está ativamente empenhado em desenvolver um plano de ação integrado que permita responder à necessidade de Formação, Qualificação e Requalificação de recursos humanos.

2015 será inevitavelmente um ano de muito trabalho neste domínio, com o foco da Portugal Outsourcing no tema dos Recursos Humanos e na área da Promoção e Divulgação internacional das competências de Portugal no panorama internacional, com foco no nearshoring, enquanto plataforma de excelência do setor dos Serviços TIC, certos que estamos que o potencial de País para absorver mais projetos de valor acrescentado está ainda por desenvolver na sua plenitude.

Os Serviços assentes nas TIC têm efetivamente capacidade de assumir um papel determinante na transformação do tecido laboral do nosso país e da economia nacional, estando a Portugal Outsourcing fortemente comprometida com a sua promoção, interna e externa, através da demonstração da sua proposta de valor junto dos stakeholders do mercado, públicos e privados, e através da exposição dos principais fatores competitivos do país face a países concorrentes e das boas práticas e testemunhos positivos do conjunto dos prestadores mais relevantes a operar em Portugal.

José Carlos Gonçalves, presidente da direção da Associação Portugal Outsourcing

Website da Portugal Outsourcing





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