Muito em breve, os cidadãos com mais de 60 anos constituirão o maior grupo etário em várias partes do mundo, Europa incluída. O peso que este conjunto de idades ganhará relativamente aos demais trará várias alterações em termos sociais, mas também a outros níveis, mais "práticos".

O incontornável envelhecimento da população (pelo menos por agora) "ameaça" transformar os seniores num dos targets mais apetecíveis para as empresas do sector das tecnologias, em termos comerciais, e muitas já começaram a delinear as suas estratégias.

A ideia geral é a de que os cidadãos seniores têm muito a beneficiar da Sociedade da Informação, mas nem sempre os produtos e serviços tecnológicos são suficientemente "amigáveis" para este conjunto de pessoas. Para algumas empresas o segredo está por isso na adaptação desses mesmos propostas e serviços.

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É desta forma que surgem, por exemplo, telemóveis com características incorporadas a pensar nas prováveis dificuldades de audição, visão ou simplesmente manuseamento dos telefones. A AEG é uma das marcas que inclui no seu portfólio telemóveis específicos para seniores, à venda no mercado português.

O custo pode ser, também um factor impeditivo de acesso dos cidadãos à tecnologia, mas se a "conta" em causa estiver relacionada com a compra de um computador o processo poderá ser facilitado com a adesão ao programa "Activo PC Sénior".

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Promovida pela Inforlandia, em conjunto com a Microsoft Portugal, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), a Rede de Universidades da Terceira Idade (RUTIS) e a INSYS, a iniciativa prevê que os computadores disponibilizados possam ser adquiridos a pronto pagamento ou através de modelos de financiamento, disponibilizados pela CGD, mediante uma modalidade de pagamento mensal a crédito.

Apesar da multiplicidade de tarifários destinados ao público jovem, os mais velhos parecem ainda não ter sido contemplados com nenhuma oferta específica na área das telecomunicações (pelo menos pelo que pudemos ver com uma passagem pelos sites dos operadores…).

Tirando ofertas pontuais que possam surgir, ao que conseguimos apurar, a única oferta existente do género continua a ser o desconto de 50 por cento na assinatura mensal da linha telefónica (simples), atribuído pela PT Comunicações.

Podem beneficiar deste serviço os reformados e pensionistas com rendimento mensal do agregado familiar igual ou inferior ao Salário Mínimo Nacional.

E numa Sociedade da Informação que não quer deixar os mais idosos de fora, destaque igualmente para as iniciativas que juntam comunicações e segurança, como as que têm vindo a ser promovidas em alguns municípios portugueses com a distribuição de telemóveis com teclas SOS incorporadas, que fazem ligação directa aos bombeiros e a familiares, e de pulseiras com alarme.

A área da formação também já percebeu a oportunidade de incluir no seu portfólio ofertas pensadas para os cidadãos seniores. A maior parte dos cursos ainda estão demasiado concentrados na aquisição de competências básicas de informática, embora já existam algumas variantes mais específicas.

A Neuronia por exemplo ministra um curso de 12 horas de Internet e Correio Electrónico que inclui um módulo de criação de contas em redes sociais - criar perfil, colocar fotos, vídeos ou notas, comunicar com os amigos.

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Tecnologia aplicada à saúde

Com as justificações óbvias, a saúde é uma das áreas mais promissoras quando o target é a população sénior, havendo várias empresas com projectos em preparação. A Siemens é uma delas.

A iniciativa mais recente denomina-se "Smart Senior" e consiste num sistema de diagnóstico que transmite informação para um centro médico.

O equipamento, usado no pulso, permite que os mais idosos possam medir parâmetros como o movimento, os níveis de oxigénio no sangue e a frequência cardíaca, a partir de casa.

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O dispositivo pode ainda reconhecer a ausência de micro-movimentos característicos do sono, ou seja detectar se o utilizador desmaiou, e está programado para accionar um alarme que resulta no envio de envia equipas de prestação de auxílio à residência do idoso.

Por seu turno, para os pacientes que sofrem de dor crónica, a Siemens diz estar a desenvolver uma espécie de "penso rápido Smart" que mede a temperatura, a pulsação e oxigenação do sangue. Este aparelho é utilizado na parte superior do braço e consiste numa banda flexível na qual estão integrados um transmissor, um receptor, circuitos de avaliação de informação e uma bateria.

O chip de rádio no aparelho de pulso envia toda a informação para um nó de comunicação, que, por sua vez, envia a informação através da Internet para um centro médico.

Os primeiros protótipos destas tecnologias deverão estar disponíveis em meados deste ano.

E estando provado que as tecnologias poderão fazer a diferença em perspectivas como a solidão e a autonomia, segurança e risco, mobilidade e espaço físico, saúde e estilo de vida activa, relações familiares e socialização e cultura, arte e cidadania, entre outras, este é apenas uma pequena amostra de todos os serviços e produtos a que os "mais velhos" terão acesso, num futuro que já não será muito longínquo.

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