Imagine que é um programador e que dedicou uma boa parte do seu tempo a desenvolver uma solução para os Google Glass. A decisão anunciada no final da semana passada de que os óculos inteligentes iriam sair temporariamente do mercado seria certamente a última novidade que esperaria ouvir por parte da tecnológica norte-americana.



Mas a realidade é mesmo esta e ontem, 19 de janeiro, foi o último dia em que seria possível comprar os óculos inteligentes da Google.



O que acontece a seguir? Fica todo o trabalho pendurado à espera que uma nova versão chegue ao mercado? Perde-se todo o trabalho e assume-se a despesa? Ou segue-se em frente e rentabiliza-se o que já está desenvolvido?



A Capgemini Portugal é uma das empresas que está a trabalhar com os Google Glass. O TeK procurou saber junto do grupo de inovação da consultora de que forma a equipa vai agora gerir esta pausa e no final da conversa ficou a conclusão: há mais vida para além destes óculos inteligentes.

Apesar de em novembro de 2014 a solução de gestão de stock ter sido apresentada nos óculos da Google, a Capgemini sempre teve em consideração o facto de estar a desenvolver para um novo segmento – os wearable – e não apenas para uma plataforma específica.



É por isso que o projeto Verifeye continua em cima da mesa e há até um novo, ligado a uma empresa de correio de encomendas. Mas em vez de serem os Google Glass o dispositivo usado para atingir o fim, são outros óculos, os Moverio da Epson.



Foi a própria tecnológica que entrou em contacto com a Capgemini pois a sua especialização está no hardware, faltando a componente de software. O projeto que está a ser trabalhado permitirá que os distribuidores de encomendas façam uma melhor gestão das suas atividades, mesmo quando estão na estrada. Outra funcionalidade e vantagem é a leitura rápida de códigos QR que permitem um melhor reconhecimento e gestão das encomendas.



Mas isto não significa um “abandono” dos Glass. Os modelos que a Capgemini tem vão continuar a ser trabalhados até à altura em que a Google voltar com uma nova versão do wearable, e quem sabe, com uma nova estrutura de apoio ao desenvolvimento.



A única ideia que a Capgemini Portugal quer passar é a de inovação e por isso não há neste momento nenhuma tecnologia que esteja de parte, bastando para isso que haja um business case. Os relógio inteligente Pebble e a pulseira inteligente Microsoft Band são outros gadgets que podem eventualmente receber uma solução.



Jorge Reis, Jaime Cerejeiro e Filipe Freitas revelaram no entanto que apenas souberam do hiato do programa Glass da mesma forma que toda a gente, o que mostra aqui uma decisão abrupta por parte da Google.



Mas a equipa também admitiu que foi “interessante ver que a Google não abandonou o projeto”, ao contrário daquilo que alguns relatos davam como certo. As atenções estão agora voltadas para o final do primeiro semestre ou início do segundo, altura em que o tão badalado gadget da Google voltará ao ativo.



No fim ficam mais dois pensamentos sobre os Google Glass, um positivo e um negativo, feitos por quem trabalhou de perto com o dispositivo: a qualidade baixa da câmara dos óculos foi apontada como um dos seus elementos “menos bons”, enquanto a curva de aprendizagem muito rápida foi apontada pelos elementos da Capgemini como o melhor elemento do gadget.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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