(2ª Atualização)

A Dragon da SpaceX, que realizou a 21ª missão de serviços de reabastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) para a NASA, devia regressar hoje à Terra, mas isso já não vai acontecer, pelo menos para já. Inicialmente a partida estava programada para hoje, 11 de janeiro,às 14h25 (hora de Lisboa) e já tinha sido adiada por 45 minutos devido ao mau tempo no local da aterragem, na costa da Flórida.

A transmissão da NASA  através do YouTube, no NASA Live, já tinha começado para acompanhar parte da “viagem” que marca o primeiro regresso direto de dados científicos do espaço para os Estados Unidos desde a "reforma" do programa Space Shuttle em 2011. A bordo estarão cerca de 2.358 kg de ciência e outras cargas.

Neste regresso, a SpaceX Dragon, que foi atualizada para conseguir transportar mais carga do que as naves anteriores, vai demorar cerca de 36 horas até aterrar e ser depois conduzida ao Kennedy Space Center da NASA na Flórida. A bordo da ISS vai estar o astronauta da agência espacial norte-americana Victor Glover a monitorizar o processo.

De que forma é que se vai desenrolar todo o processo? De acordo com a NASA, a Dragon vai ligar os propulsores para se afastar da porta do módulo Harmony, estabelecendo uma distância de segurança. Depois inicia a sequência que lhe vai permitir fazer a reentrada na atmosfera, através de uma “queima de combustível”, ligando nesta fase os motores para coloca a nave na rota certa.

A missão prevê a chegada à costa na Flórida, onde mergulha no Oceano Atlântico depois de uma reentrada controlada, o que deveria acontecer depois das 2h da manhã (hora de Lisboa). O local está com avisos de mau tempo, que obrigaram ao adiamento da partida da Dragon.

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Os dados científicos a bordo da cápsula vão ser depois transportados para a unidade de processamento no Kennedy Space Center, ajudando também a preservar as informações que vieram da ISS. Este "período de transporte mais curto", como explica a NASA, permite aos cientistas recolherem dados com uma perda mínima relativamente aos efeitos de microgravidade. Um helicóptero será responsável por fazer chegar os dados do local de aterragem até ao centro da NASA.

Este é mais um marco que se sucede à missão histórica da SpaceX e da NASA. A primeira missão oficial comercial tripulada da Crew Dragon chegou à ISS a 17 de novembro, levando consigo quatro astronautas.

A importância do regresso de dados científicos à Terra

O regresso da nave à Terra marca o primeiro "desencaixe" de uma nave de carga comercial dos Estados Unidos do International Docking Adapter, o adaptador de sistema de ancoragem para naves espaciais da NASA.

De recordar que a Dragon lançou a 6 de dezembro de 2020 o foguetão SpaceX Falcon 9 na Flórida, que chegou à ISS 24h depois, conseguindo a "primeira ancoragem autónoma de uma nave de reabastecimento de carga comercial dos Estados Unidos". Na altura, a nave entregou mais de 2.902 kg hardware, dados de investigação e suplementos para a tripulação.

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As cápsulas Dragon que chegaram anteriormente foram anexadas à ISS por astronautas através do sistema robótico Canadarm2.  Certo é que agora a cápsula volta a destacar-se por conter o dobro da disponibilidade de "arrumação" das cápsulas anteriores, "permitindo um aumento significativo da investigação que pode ser levada de volta à Terra".

No regresso, a nave pode suportar até 12 equipamentos elétricos, permitindo o transporte de mais carga fria e energia para cargas úteis adicionais. “A velha cápsula era como um donut recheado com creme. Era preciso empacotar tudo em volta das paredes e no centro colocávamos uma pilha gigante de sacos”, explica Mary Walsh, da NASA.

Já a nave espacial atualizada da SpaceX é definida como “uma casa de três andares”. “Colocamos a carga no porão e depois no segundo e terceiro andares”.  “Portanto, é realmente diferente de uma perspetiva de design”, garante Mary Walsh.

Que dados científicos estão de regresso à Terra?

Dentro da cápsula não faltam dados científicos. Um deles é o sistema Cardinal Heart, que estuda a forma como as mudanças na gravidade afetam as células cardiovasculares aos níveis celulares e de tecido, recorrendo a tecidos cardíacos projetados em 3D. Os resultados podem levar a uma nova forma de compreensão dos problemas cardíacos na Terra, ajudar a identificar novos tratamentos e apoiar o desenvolvimento de medidas de triagem para prever o risco cardiovascular antes do voo espacial.

Uma investigação da agência espacial japonesa também regressa à Terra. O estudo analisa o crescimento de sistemas de órgãos 3D a partir de células estaminais humanas com o objetivo de compreender mudanças genéticas. Neste caso, as conclusões da investigação podem comprovar as vantagens da utilização da microgravidade para desenvolvimentos de ponta em medicina regenerativa e contribuir para o estabelecimento de tecnologias necessárias para a criação de órgãos artificiais.

Ainda na área da saúde, na cápsula da SpaceX vão também regressar ratos vivos. A investigação em causa estuda a função das artérias, veias e estruturas linfáticas do olho e mudanças na retina antes e depois de voos espaciais.

Na ISS também se produziu fibra ótica e as fibras experimentais criadas em microgravidade vão regressar à Terra. Esta "viagem" vai ajudar a verificar a viabilidade de outros estudos que sugerem que as fibras criadas no espaço podem apresentar qualidades muito superiores às produzidas na Terra.

Nota da redação: A notícia foi atualizada com a informação de que foi cancelada a Dragon devido ao mau tempo registado na Flórida e que não há ainda data para nova tentativa, que está a ser reavaliada. Correção feita em relação às horas totais do percurso da nave do espaço até à Terra.

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