É expectável que as próximas missões à Lua forneçam dados importantes sobre as condições que o satélite natural da Terra oferece, nomeadamente para servir de base para astronautas viverem e trabalharem por períodos longos de tempo.

Na génese da estratégia lunar atual está a intenção de transformar o local num “trampolim” para missões tripuladas a Marte e mais além. A menor força gravitacional face à Terra tornará o lançamento de foguetões mais fácil e eficiente, em comparação com os lançamentos terrestres. Além disso, a água presente na Lua pode ser usada para gerar combustível para alimentar esses lançamentos.

Tais possibilidades e caraterísticas balizam as missões que estão a ser preparadas por diferentes países e que vão marcar o ano de 2023, depois da recente missão Artemis I da NASA.

Veja na galeria imagens da viagem da Orion

A bordo de um Falcon 9 da SpaceX, já está a caminho o robot HAKUTO-R. O projeto assume-se como a primeira missão espacial privada com destino à Lua e faz parte do programa de exploração lunar da japonesa ispace. A missão envolve o lançamento de um lander lunar, que transporta no seu interior dois rovers, um desenvolvido pelo Centro Espacial Mohammed bin Rashid, dos Emirados Árabes Unidos, e outro da Agência Espacial Japonesa.

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Ao todo, espera-se que a Mission 1 tenha uma duração de três a cinco meses, cumprindo um conjunto de 10 metas importantes ao longo deste período. Para a ispace, a missão é o uma forma de testar a sua tecnologia e de validar o design e potencial do lander.

A sonda da ispace tem como destino a cratera lunar Atlas, na secção nordeste do lado da Lua mais próximo da Terra, que tem mais de 87 quilómetros de diâmetro e uma profundidade de dois quilómetros.

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A bordo do Falcon 9 que transportará o lander da ispace segue também um pequeno satélite da NASA, o Lunar Flashlight. 

O pequeno satélite procurará água na forma de gelo nas crateras permanentemente na escuridão no Pólo Sul da Lua, usando uma órbita apenas uma vez usada anteriormente. Menor do que uma mala de viagem, o Lunar Flashlight vai usar um refletómetro equipado com quatro lasers que emitem luz infravermelha próxima em comprimentos de onda facilmente absorvidos pelo gelo da água da superfície. Esta é a primeira vez que vários lasers coloridos serão usados ​​para procurar gelo dentro dessas crateras escuras. Se os lasers atingirem uma rocha ou regolito (rocha quebrada e poeira), a luz será refletida de volta para a espaçonave. Mas se o alvo absorve a luz, isso indica a presença de gelo de água. Quanto maior a absorção, mais gelo pode haver.

Mesmo depois da “perda” do módulo lunar da missão Chandrayaan-2, a Índia também quer cumprir o seu objetivo de explorar o pólo sul da Lua, com a Chandrayaan-3, que incluirá não só uma nave não-tripulada, mas também um robot de exploração da superfície lunar. Além da intenção de explorar a região lunar, o rover levará um sismómetro, uma experiência de fluxo de calor e espectrómetros.

Depois de vários atrasos - e apesar da suspensão da cooperação por parte da ESA -, a Rússia pretende lançar sua missão Luna 25 em julho próximo. A região lunar do Polo Sul é mais uma vez o destino, com a intenção de colocar uma sonda no satélite natural da Terra para recolher amostras. Os principais objetivos da missão são estudar a composição do rególito polar e investigar os componentes de plasma e poeira da exosfera polar lunar. A sonda apresenta uma variedade de instrumentos científicos que incluem um braço robótico que será usado para remover e recolher o rególito da superfície.

Está igualmente marcada para 2023 a dearMoon, uma missão que envolve o foguetão Super Heavy e a Starship da SpaceX, financiada pelo bilionário japonês Yusaku Maezawa, num voo de turismo espacial à volta da Lua. O projeto pode não ser fácil de concretizar no tempo previsto, uma vez que a SpaceX ainda não testou o Super Heavy. O primeiro voo orbital daquele que será o foguetão mais poderoso a voar até agora está previsto para o início de 2023, depois de vários adiamentos,  e mesmo que corra tudo planeado será improvável que a empresa para o espaço de Elon Musk tenha tudo pronto para enviar a Starship e oito tripulantes num voo privado.

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