O projeto de criação de um porto espacial nos Açores já tem alguns anos e faz parte da Estratégia Nacional para o Espaço – Portugal Space 2030, que pretende posicionar Portugal num ecossistema que está em crescimento acelerado. Ontem foi dado mais um passo na implementação, com a criação do Centro Tecnológico e Espacial de Santa Maria, nos Açores, e Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space) defende que este é um momento importante para o desenvolvimento do ecossistema e dos primeiros lançamentos sub orbitais, assim como para preparar lançamentos orbitais a partir de Portugal.

Em entrevista ao SAPO TEK explicou que entre os projetos relevantes para o novo centro está o Space Rider, o veículo orbital reutilizável da Europa, que é um laboratório que estará no espaço durante dois meses e que está previsto regressar à Terra em Santa Maria e também na Guiana Francesa.

Veja imagens do projeto Space Rider

"Estamos em negociações com empresas para estabelecer aqui outras atividades, em particular voos sub orbitais. Santa Maria vai ter um ponto de acesso ao espaço que é a antecâmara para fazermos o porto espacial de Santa Maria, e vai ter também do ponto de vista da tecnologia o sistema de testes de veículos hipersónicos", adiantou ainda Ricardo Conde.

Em 2018 tinha sido referida a existência de interesse de localização nos Açores por 18 empresas, mas esse processo não avançou. “Estamos a equacionar um processo novo, com moldes diferentes”, sublinhou o presidente da Agência Espacial Portuguesa, que refere que a organização “está a trabalhar em vários projetos” e que o mundo evoluiu também na área da exploração espacial, com novas oportunidades na Europa.

Apesar de outras localizações já se estarem a posicionar como pontos de acesso ao espaço, nomeadamente na Suécia e em Espanha, Ricardo Conde afasta a ideia de que Portugal parte atrasado neste processo.

“Temos de nos diferenciar, sendo competitivos e atrativos […] temos uma localização geográfica única”, lembra Ricardo Conde, que afirma estar “convicto de que temos fatores atrativos”.

“Não acho que exista atraso. Não é uma questão de ‘first came, first served” porque temos lançamentos de teste a começarem eventualmente este ano”, disse. “Vamos a tempo de ir ao encontro das necessidades das empresas”.

Ricardo Conde garante que “em 2023 vão acontecer lançamentos sub orbitais a partir dos Açores”, um processo que está a ser preparado, mas não adianta o nome da empresa ou empresas envolvidas.

Nos Açores o ecossistema do espaço já está a avançar e há 25 pessoas a trabalhar nesta área, mas o presidente da Portugal Space não faz previsões do número de recursos que podem estar envolvidos até final do ano. “O número depende do que se for construindo com as empresas que vêm para cá e que montem as suas capacidades em Santa Maria”, refere.

A Estratégia que foi desenvolvida para o Espaço tem como principal objetivo “promover e fortalecer o ecossistema e a cadeia de valor do setor espacial em Portugal, para benefício da sociedade e da economia nacional e internacional, agindo como uma unidade de negócio e desenvolvimento para universidades, institutos de investigação e empresas”.

Até 2030 pretende-se atrair um total de 2.500 milhões de euros para atividades relacionadas com o espaço proveniente de fontes nacionais e europeias, públicas e privadas, com um equilíbrio de 50/50.

Para já está concluída a instalação de uma antena de 15 metros no Teleporto de Santa Maria e a Agência Espacial Portuguesa vai lançar esta sexta-feira, dia 20 de janeiro, o concurso para a exploração comercial desta infraestrutura.

"Através deste procedimento pretende-se tirar partido das capacidades ímpares da antena de 15mts, alavancando as capacidades do Teleporto de Santa Maria na participação das principais missões da ESA, e criando um novo fator de competitividade do ecossistema espacial de Santa Maria", referiu uma nota à imprensa.

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