Todos os olhos estão colocados na missão oficial que junta a SpaceX e a NASA no Commercial Crew Program e que é mais um passo para a concretização de uma nova era de voos tripulados regulares a partir de território norte-americano. A última vez que astronautas partiram de solo americano foi em julho de 2011, com o Space Shuttle, cujo programa foi desativado.

A NASA começou a investir em 2010 num programa de parceria com empresas privadas para transporte de astronautas, selecionando a SpaceX e a Boing como parceiras, mas empresa de Elon Musk está mais avançada e isso determinou que a Crew Dragon estreasse este modelo de voos comerciais, e que tenham mais meia dúzia prevista para os próximos anos. A Boeing continua a fazer testes mas não tem sido muito feliz com os resultados.

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Desde o fim do Space Shutlle os astronautas norte americanos  tinham de apanhar boleia da nave russa Soyuz para chegar à Estação Espacial, já que esta era a única a fazer voos tripulados, mas o custo de cada "bilhete" estava a ficar cada vez mais elevado, chegando aos 90 milhões de dólares por cada passageiro.

Para além do custo, o lançamento de astronautas da NASA a partir de solo norte americano, e com "transporte próprio" é também uma questão de orgulho nacional e a missão da Crew Dragon foi também usada como bandeira política da administração Trump e da lógica de "tornar a América grande outra vez".

Em março a equipa de testes da Crew Dragon demorou mais de 19 horas até chegar à Estação Espacial, ou seja, até a nave acoplar à estação. Mas desta vez o tempo é ainda mais longo, quase mais 10 horas de demora.

A Soyuz tem um tempo de viagem médio de seis horas e em outubro bateu um novo record de rapidez, demorando pouco mais de três horas na viagem entre o local de lançamento da Roscosmos, a agência espacial Russa, no Cazaquistão, e a Estação Espacial, tornando-se a primeira nave com astronautas a bordo a fazer a aproximação em apenas duas órbitas.

Foco na qualidade e não no tempo

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A NASA explica que a preocupação com a missão da Crew Dragon em março, e agora com a Crew-1, é conseguir um teste bem sucedido e não tanto encurtar o tempo de viagem. A mecânica de aproximação orbital é a razão da demora, e está tudo relacionado com a escolha do momento de lançamento.

A janela do lançamento depende de fatores como as condições climatéricas, como explicou Benji Reed, diretor de missão da Crew Dragon em maio.

Na prática a nave da SpaceX poderá demorar menos tempo do que foi assumido nestas duas missões se a NASA e a empresa de Elon Musk tivessem optado por outras datas.

As imagens abaixo mostram os processos de entrada em órbita e a aproximação à Estação Espacial.  Toda a missão está a ser acompanhada em direto pela NASA e a hora prevista para acoplagem à Estação Espacial Internacional é na madrugada de terça feira, às 4 horas da manhã de Portugal continental. O SAPO TEK também vai acompanhar a missão.

A Crew-1 só vai regressar a Terra daqui a 6 meses, trazendo de volta os quatro astronautas. A próxima missão da Crew Dragon com a NASA, a Crew-2, deverá ter início na primavera de 2021 e vai ter duas mulheres ao comando, com as astronautas da NASA Shane Kimbrough e Megan McArthur como comandante e piloto. Megan McArthur é mulher de Bob Behnken, que foi o piloto na missão de teste Demo-2 que regressou à Terra a 31 de maio de 2020 e cuja missão a NASA garante que foi cumprida com uma precisão milimétrica.

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