O CryptoEscudo tem o objetivo de valer exatamente o mesmo que o escudo valia na altura em que o euro entrou em circulação, isto é, a missão estará parcialmente cumprida quando 200 cryptoescudos valerem um euro. Para já o valor ainda está longe de ser conseguido, mas o projeto vai em breve sofrer uma grande alteração que pode ajudar a tornar a divisa digital mais apelativa.



No seu pico de valor mais alto, seria necessário ter 2.000 cryptoescudos para ter o equivalente a um euro, um objetivo que está 10 vezes abaixo do desejável. O projeto até se tem mantido estável e existem em média 2.000 utilizadores que dão uso à carteiro da moeda digital com regularidade, ainda que o número de pessoas que acarinhem a ideia seja bem maior.



Os valores foram revelados por Eugénio Apolo, mentor do projeto do “bitcoin português”, mas esta designação faz cada vez menos sentido como o próprio explicou em conversa com o TeK.



Isto porque o CryptoEscudo está a seguir um caminho muito próprio e está a afastar-se dos ideais das restantes criptomoedas que existem no mercado. Eugénio Apolo sentiu a necessidade de diferenciar-se das outras moedas e agora vai tentar “criar novas formas de chegar às pessoas”.



O ponto de partida será a carteira que permite fazer a gestão do dinheiro e um dos primeiros objetivos é torná-la visualmente apelativa. Pois para o criador do CryptoEscudo não faz sentido que esta ferramenta não seja tão apelativa como outras aplicações que já existem para o computador ou telemóvel.



A evolução “lenta” que a divisa digital portuguesa tem conhecido acontece porque não existe uma vontade de valorizar depressa, existe antes a intenção de criar algo “que possa ser usado como uma forma de pagamento alternativa”, disse Eugénio Apolo.



E para isso o CryptoEscudo quer sair à rua e potenciar negócios. O CryptoEscudo quer também ser uma carteira dos retalhistas, dando-lhes novas formas de chegar às pessoas e também exposição.



Imagine por exemplo que vai consultar o seu saldo de cryptoescudos – enquanto o faz, poderá receber informações de lojas que aceitam a divisa num raio de proximidade.



Questionado se uma parceria com a linha de caixas multibanco portuguesas de bitcoins seria positiva, Apolo descartou essa hipótese por considerar as taxas de transação são demasiado elevadas, fazendo lembrar as cobradas pelos próprios bancos.



O objetivo agora é criar uma infraestrutura polida do CryptoEscudo para que a massificação do projeto seja mais simples. Mas para dar o salto seria necessário uma equipa técnica maior e o apoio “espetacular” de uma ou várias empresas de dimensão razoável. “Mas talvez a curto prazo isto se altere”, disse o fundador da moeda em alusão às parcerias que a empresa está a tentar arranjar.



Então e o ideia de salvar Portugal com recurso ao CryptoEscudo? “Mantém-se completamente, diria mesmo mais do que nunca”, referiu Eugénio Apolo a propósito da ideia de que 230 milhões de cryptoescudos estão “de parte” para ajudar a pagar a dívida portuguesa e outros 220 milhões estão reservados para serem distribuídos pelos portugueses.



“Muitas pessoas estão no projeto por esta possibilidade, por remota que pareça”, esclareceu Eugénio Apolo.



As moedas do equilibrismo


Imagine uma corda suspensa a uma grande altitude e que está repleta de equilibristas – as divisas digitais. À frente de todas está o Bitcoin, a mais conhecida, a mais usada e também a mais valiosa das criptomoedas. E é por isso que tudo o que acontecer ao Bitcoin tem potencial para afetar os restantes elementos do mercado.



Pois se nem o mais popular resiste, como é que as restantes se safarão?



O Bitcoin atravessa atualmente uma fase descendente e ao longo dos últimos meses tem perdido valor com regularidade. No final da semana passada o valor caiu abaixo dos 200 dólares, algo que já não acontecia desde outubro de 2013.



“O Bitcoin está a ser vítima de interesses radicais”, é a análise feita por Eugénio Apolo à situação. E a descrença é tal que admite mesmo que se não fosse o projeto nacional no qual está envolvido, já teria desistido das criptomoedas.



Mas como o CryptoEscudo não tem ligações com o Bitcoin nem com a comunidade de bitcoiners portugueses, então o sucesso ou insucesso de um não vai condicionar o valor do outro. “Não há ligação de interesse entre o Bitcoin e o CryptoEscudo”, concluiu Eugénio Apolo.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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