A ideia inicial não era desenvolver uma IA para recrutar, mas foi isso que acabou por acontecer com Hélder Silva e Rui Costa, que viram no mercado de emprego uma oportunidade de negócio.

Os dois fundadores da Newton.AI investigaram, perceberam que havia alguns requisitos a que seria necessário dar resposta e criaram o Newton, aquilo a que costumamos chamar “chat bot”, mas que neste caso é uma tecnologia com inteligência artificial que cruza o deep learning e o processamento de linguagem natural.

Isto porque o objetivo do Newton é conseguir fazer o melhor “match” entre recrutadores e candidatos. E rapidamente. Hélder Silva disse ao TEK que a ferramenta reduz a 15/20 minutos uma tarefa que ocuparia oito ou mais horas a um humano. “ E estou a falar apenas de pesquisa de perfis que possam corresponder à ocupação. Falta tudo o resto: contactar o candidato, saber se está interessado ou não...”.

tek newton AI

Normalmente, tentam ter uma shortlist de cinco a 10 “candidatos ready to go” para apresentar à empresa num prazo de 48 horas, referiu o CEO da Newson.AI. Entre a pesquisa e primeira escolha e esta entrega, o bot envia uma mensagem de contacto para informar o selecionado que a empresa está trabalhar numa shortlist para determinada função e que oferece tais condições e a perguntar se há interesse.

Havendo interesse, o Newton volta a interagir com o candidato em mais dois momentos: no envio de um pequeno conjunto de perguntas e, por último, numa call de cinco minutos. “Às vezes, de início, temos 600 candidatos e no fim entregamos a tal shortlist de cinco a 10 candidatos perfeitos”. Depois destas fases geridas pela tecnologia, o processo de recrutamento fica do lado da empresa.

A ferramenta inicialmente começou por ser testada entre os pares da Newton.AI, ou seja, com outras startups, e mais para seleção de estagiários. Hoje já é utilizado por grandes empresas, como a Nike Innovation – estando em vias de ser alargada a outras unidades do grupo – e para full time positions, inclusive perfis técnicos.

Anda a ajudar a recrutar nos Estados Unidos e vai começar tarefa idêntica no Japão e, espera o responsável da Newton.AI, em Portugal, onde em março ou abril a startup que resultou de um spin off da Universidade de Oxford e que hoje tem no Plug and Play Tech Center, na Califórnia, EUA, o seu principal acelerador, já deverá ter “estrutura montada”.

O Newton trabalha” a partir do LinkedIn e do Messenger do Facebook. No primeiro caso, e porque são usadas contas pessoais, normalmente as pessoas não se apercebem que estão a falar com uma IA – ou talvez possam estranhar se não forem selecionadas e receberem na mesma uma mensagem de feedback e agradecimento - já que isso acontece poucas vezes quando o processo é totalmente humano…

Ainda assim, Hélder Silva reforça que o Newton é uma ferramenta de apoio à decisão. “É importante passar a ideia de que a Inteligência Artificial ajuda resolver algumas questões, mas não vai substituir os humanos”.

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