A Organização Mundial de Saúde reconheceu oficialmente a dependência de videojogos como uma perturbação psicológica, uma mudança que aconteceu com a revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. O novo documento só entrará em efeito em 2022 e, até lá, a comunidade científica está a analisar se a correlação entre fatores é mesmo válida.

Um estudo do Oxford Internet Institute poderá contestar a decisão da OMS. A investigação publicada na revista científica Clinical Psychology Science indica que há uma probabilidade de os indivíduos que já têm distúrbios psicológicas virem a desenvolver uma relação pouco saudável com os videojogos.

Os investigadores questionaram uma amostra representativa de cerca de 1.000 adolescentes britânicos, assim como os seus pais ou tutores, para chegar às conclusões publicadas. Os jovens responderam a um conjunto de 24 perguntas sobre a forma como as suas necessidades psicológicas estão a ser cumpridas, as quais incluíam também questões relacionadas com os potenciais indicadores da dependência de videojogos.

Os resultados do estudo indicam que 525 adolescentes dedicam cerca três horas por dia aos videojogos, sendo que mais de metade do grupo apresenta pelo menos um dos nove sinais de dependência. Já 23% do conjunto de jovens em questão demonstram três dos potenciais indicadores.

Os adolescentes com “piores” hábitos de gaming são mais propícios a passar mais horas por dia a jogar, apresentando uma menor probabilidade de lidar com os problemas da sua vida de forma saudável. Assim, o estudo sugere que os videojogos podem não ser a “raiz de todos os males”. Os investigadores chegam à conclusão de que a dependência neste âmbito poderá ser um potencial sinal de que existem maiores "frustrações psicológicas subjacentes".

Tendo por base as evidências encontradas, os investigadores chegam por fim à conclusão de que a atenção dada pela comunidade científica em relação ao gaming não é totalmente justificada. No entanto, o estudo pode apresentar algumas limitações, pois ao concentrar-se apenas na faixa etária mais jovem não está a ter em conta os diferentes tipos de hábitos de indivíduos mais velhos.

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