Quais são os hábitos dos portugueses em relação ao lixo eletrónico? Um novo estudo dá a conhecer que 66,2% da população afirma que recicla os equipamentos elétricos e eletrónicos quando se avariam ou se encontram danificados.

O estudo, levado a cabo pela Qdata para a para a ERP Portugal (Entidade Gestora de Resíduos) e para a LG Portugal, revela que 52,7% dos inquiridos que encaminham os equipamentos em questão optam por entregá-los numa loja de eletrodomésticos ou pedem para estes serem recolhidos quando recebem um novo.

Cerca de metade dos participantes do estudo afirma colocar os equipamentos em contentores específicos para serem reciclados. Os Pontos de Recolha de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE) são o local preferencial para 67,4% dos portugueses.

Embora os resultados da investigação, que foi levada a cabo junto de mais de um milhar de pessoas a nível nacional, sejam vistos como animadores, os especialistas detalham que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a reciclagem dos REEE ou prolongar o tempo de vida útil dos equipamentos que ainda funcionam.

Ao todo, 26,6% da população ainda não sabe onde colocar os REEE e apenas 2,1% dos jovens entre os 18 e os 24 anos tem por hábito reciclar os seus aparelhos eletrónicos. Os dados revelados em comunicado indicam também que 32,2% dos inquiridos continuam a optar por deixar equipamentos que ainda funcionam, mas que já não estão a ser utilizados, na prateleira, na garagem ou no armário, impedindo o seu reaproveitamento.

Além disso, 59,2% dos participantes admitem que guardam equipamentos que já não usam, mas que ainda funcionam, porque podem ser úteis mais tarde. Já 24,4% assumem que fazem o mesmo quando os equipamentos estão avariados ou danificados para separar peças ou materiais para reutilizar ou vender. Apenas 14,8% afirmam que os mantém para repará-los mais tarde.

No topo da lista de equipamentos elétricos e eletrónicos que deixaram de ser utilizados e foram trocados por um novo no último ano estão os pequenos eletrodomésticos, que perfazem 30,35%, assim como os telemóveis, com 28,25%. O estudo detalha que 25,9% dos primeiros e 58,8% dos segundos acabam arrumados a um canto, sem algum destino.

Os autores do estudo sublinham que a tendência de guardar os equipamentos em casa com a intenção de os reaproveitar no futuro acaba por contrariar duas premissas fundamentais no que diz respeito à reciclagem de REEE. Muitos dos componentes dos aparelhos são perigosos para a saúde e para o ambiente quando não são desmantelados corretamente. Quando corretamente encaminhados, os equipamentos são quase 100% recicláveis, podendo ganhar uma nova vida e poupando o uso de recursos naturais.

Somando o número de REE guardados em casa a todos aqueles que não são reciclados, temos milhares de toneladas de equipamentos fora dos circuitos adequados de reciclagem ou reutilização. Recorde-se que o lixo eletrónico é uma das principais ameaças ambientais e estima-se que apenas 15% a 20% seja reciclado.

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Os equipamentos elétricos e eletrónicos continuam a ser uma das maiores fontes de lixo nos países da União Europeia. Estima-se que menos de 40% de todo o lixo deste género é, de facto, reciclado.

Para fazer face ao problema, a Comissão Europeia aprovou ainda neste ano, um novo plano de ação para a economia circular com uma série de medidas que têm como objetivo tornar mais sustentável a forma como fabricantes e os utilizadores lidam com os aparelhos eletrónicos.

Entre as medidas apresentadas está a implementação de um direito à reparação, tendo em vista o prolongamento da vida útil dos equipamentos e a evitar a acumulação de dispositivos e materiais funcionais em lixeiras. Bruxelas sublinha que os dispositivos têm de ser desenvolvidos para terem uma maior eficiência energética e durabilidade, além de serem reutilizáveis ou recicláveis.

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