A capacidade dos ISPs de manterem as redes de comunicações é uma das preocupações associadas ao "novo normal" com largos milhões de pessoas a trabalhar a partir de casa em todo o mundo devido à pandemia de COVID-19. Não faltam avisos na Europa, e o grupo de reguladores do mercado de comunicações até já autorizou as empresas a tomarem medidas excecionais, "fechando a torneira" ou reduzindo a prioridade de algum tipo de tráfego, especialmente vídeo.

As próprias empresas têm-se mobilizado para limitar a velocidade dos vídeos. O Facebook já o fez nas duas redes sociais, Facebook e Instagram, e a Netflix também já passou as transmissões a "normal" suspendendo o streaming de alta definição. Até a Disney +, que chega agora à Europa, já acedeu ao mesmo pedido.

Em Portugal o Governo já aprovou um decreto-lei que define quais são as regras para os operadores de comunicação controlarem o acesso às redes de comunicações, e que altera as definições que estavam até agora em vigor para a neutralidade da internet. Desta forma pretende-se assegurar que sejam mantidos os serviços críticos do Estado mas que também esteja garantido o acesso à internet para toda a população durante a pandemia da COVID-19.  Os operadores podem a partir de agora limitar o streaming, os jogos online e até mesmo o acesso às gravações automáticas de programas de TV.

A plataforma de medição de velocidades de ligação da Ookla, o Speedtest tem vindo a medir o impacto da pandemia na velocidade das redes fixas e móveis e partilhou os últimos dados, onde dá conta de uma degradação que é visível nas várias áres do globo, e que é acompanhada de um crescimento exponencial do número de testes realizados.

Os dados ontem partilhados mostram que, na Europa, na semana de 16 de Março a velocidade média nas redes fixas baixou na França, Alemanha, Itália, Espanha e Suiça. Só na Alemanha a velocidade média desceu 10 Mbps, de 103 para 93Mbps, mas na Áustria e no Reino Unido não se sentiram mudanças.

Também nas redes móveis alguns países foram mais afetados, como a Áustria, França, Espanha e Suiça, embora na Holanda tenha até aumentado a velocidade média.

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Portugal não está nesta lista de países monitorizados, mas os dados de fevereiro mostram que o país está na 21ª posição em termos de velocidade média na rede fixa, com um registo de 107 Mbps de download e 49,43 de download. Nas redes móveis o ranking não é tão favorável, ficando Portugal na 38ª posição a nível global, com velocidade de download de 38,56 Mbps e de 11,71 Mbps de upload.

De notar que estes números correspondem a uma média, e que são baseados em testes dos utilizadores, pelo que poderá haver utilizadores que sofreram maior degradação da velocidade das suas redes.

Brasil sem grande impacto num cenário de menos velocidade de internet a nível global

A análise do Speedtest é feita por áreas geográficas, sendo a Ásia a região que sentiu mais impacto nas últimas semanas, mas onde já se nota uma recuperação. Na China a velocidade média de acesso à internet em rede fixa subiu, incluindo a província de Hubei onde surgiu o COVID-19. No Japão a velocidade manteve-se na semana de 16 de março, em comparação com a semana anterior.

Já na América do Sul há realidades diferentes. A velocidade média da rede fixa desceu abruptamente no Chile na última semana, com uma subida da latência, e no Equador sente-se também o impacto da pandemia. Mas no Brasil não há grande mudanças, embora sendo um dos países da América do Sul com uma média de velocidade de acesso à internet mais baixa. Nas redes móveis o decréscimo foi menos significativo, com uma ligeira queda no Chile e no Brasil, enquanto o Equador registou até uma melhoria na velocidade média.

Os Estados Unidos e o Canadá também estão a sofrer com quebras de velocidade. A média da rede fixa baixou de 140 para 133 Mbps nos Estados Unidos, enquanto na rede móvel passou de 75 para 73 Mbps. No Canadá a tendência é semelhante, passando de 129 a 121 Mbps na rede fixa.

Mais pessoas a fazer testes da velocidade da Internet

Com mais pessoas a trabalhar em casa é normal que aumentem os testes de velocidade de internet, mas isto também acontece por sentirem uma degradação da qualidade. O "novo normal" passa por muitos trabalhadores e estudantes em teletrabalho e "teleescola", muitas vezes em videoconferência, e mais acesso a conteúdos em streaming e nas redes sociais. E isso tem naturalmente impacto na velocidade a que os conteúdos chegam aos equipamentos.

Nas últimas semanas a plataforma Speedtest sentiu um aumento exponencial do volume de testes, a nível global, mas também muito significativo na Europa. Isto aconteceu nas redes fixas mas também nas redes móveis, naquilo que a plataforma afirma ser a maior mudança já registada.

Note porém que os testes realizados a partir de uma rede WiFi nem sempre são os mais fidedignos porque podem ser limitados pela própria velocidade da rede wireless e não corresponder exatamente à capacidade da ligação de fibra, cabo ou ADSL.

Nota da redação: A notícia foi atualizada com mais informação.

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