À semelhança do que acontece noutros países, também a Espanha está a reforçar defesas contra ciberataques que têm crescido em número e gravidade nos últimos anos. Só em 2009 as entidades governamentais e serviços de inteligência terão sido alvo de 40 ataques informáticos graves, reportou este fim-de-semana o Jornal El Pais.

A precedência dos ataques não é identificada, mas a reportagem do Jornal refere que esta é a primeira vez que os serviços de inteligência espanhola admitem ter intervido neste tipo de situações, sendo que pelo menos quatro destes ataques foram dirigidos ao Centro Nacional de Inteligencia (CNI), o organismo espanhol responsável pela segurança do Estado.

Entre os casos de intrusões mais conhecidos está o do computador de Javier Solana, que foi alvo de uma alegada violação por parte de uma grande potência quando este político espanhol era representante da política externa e da segurança europeia.

De acordo com o jornal, ninguém está a salvo destes ataques, nem nenhum ministério de Espanha ou o próprio CNI.

O trabalho organizado de hackers ligados de modo directo ou indirecto a serviços secretos, que põem constantemente à prova os sistemas informáticos dos inimigos, é uma preocupação crescente para os Governos.

Os Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França já fizeram queixas sobre este tipo de organizações e ainda em 2007 o incidente na Estónia, que foi vítima de um ciberataque de larga escala que paralisou serviços fundamentais do país, mostrou o impacto que estes ataques podem ter.

A própria agência europeia de segurança, ENISA, alertou no ano passado para o risco do mundo enfrentar um 11 de Setembro digital. A Comissão Europeia estrá a desenvolver uma estratégia contra ciberataques que será coordenada pela ENISA.

Para se preparar para estas ameaças Espanha está a preparar um manual de emergência, enquanto a actividade dos serviços de inteligência está a mudar, adaptando-se aos novos desafios.

O plano catalogou mais de 3.500 infra-estruturas, mas o desenvolvimento está ligado à criação do Centro Nacional de Protección de Infraestructuras Críticas (CNPIC), que segundo o El Pais tarda em concretizar um funcionamento eficiente.

Em Portugal a questão das vulnerabilidades informáticas tem chegado também às manchetes noticiosas e ao debate político. Em Setembro, na sequência do caso das escutas na Presidência da República, Cavaco Silva admitiu que existiam falhas na segurança das redes do organismo.

Um mês antes, um um estudo realizado pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra e o Instituto Pedro Nunes concluiu que um em cada cinco computadores do Estado está vulnerável.

O estudo analisou cerca de 4,5 milhões de endereços de IP e domínios ".pt" do sector público e privado - desde universidades, empresas, bancos e ministérios, tendo sido identificadas 65 mil vulnerabilidades, entre sector estatal e privado.

Já em Outubro um relatório da empresa Trusted Technologies identificou falhas na rede e nas aplicações do Ministério da Justiça . A empresa conseguiu infiltrar-se na rede de espionagem "GhostNet", e aceder a documentos altamente sensíveis, entre as quais documentação técnica relacionada com a rede informática do processo eleitoral português, passwords e mails de funcionários do Ministério da Justiça, e da direcção geral de registos e notariado.

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