O "frente a frente" de peso já estava agendado e o momento teve direito a transmissão em direto para todo o mundo. Primeiro Mark Zuckerberg depôs perante o Senado, numa intervenção que começou com o discurso divulgado um dia antes.

Durante as mais de cinco horas de audiência, o criador do Facebook voltou a assumir responsabilidades pessoalmente e a pedir desculpas pelos muitos erros cometidos na gestão da empresa, um deles ter acreditado que a Cambridge Analytica tinha de facto apagado os dados dos cerca de 87 milhões de utilizadores a que tinha tido indevidamente acesso, violando as regras da rede social.

Facebook já começou a revelar as apps que têm os seus dados  
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Embora as desculpas não tenham convencido todos os senadores, houve pontos em que as duas partes estiveram de acordo, nomeadamente quanto à possibilidade de instituir regras mais apertadas no que diz respeito à forma como as empresas de Internet lidam com os dados dos utilizadores. “A minha posição não é que não deve haver regulação. Se for a regulação certa, sim”, afirmou Zuckerberg perante o Senado. Esclareceu também que vai aplicar nos EUA e no resto do mundo algumas das novas regras de proteção de dados que entrarão em vigor na Europa em maio, com o RGPD.

Quarta-feira foi o dia de o presidente do Facebook se apresentar perante a Câmara dos Representantes do Congresso e, apesar do tom ter sido mais agressivo, as perguntas foram mais do mesmo, trazendo poucas novidades. Foi no entanto ao longo das mais de cinco horas de interrogatório que Zuckerberg admitiu ser um dos 87 milhões de utilizadores cujos dados foram utilizados pela Cambridge Analytica e adiantou estar a “explorar” a possibilidade de processar a consultora, bem como o investigador que vendeu a informação à consultora e quer ainda investigar a própria universidade de Cambridge.

Uma das falhas mais apontadas foi a ausência de definições que impõem “privacidade por defeito” nos conteúdos partilhados, algo que Zuckerberg rebateu com a afirmação de que a escolha deve ser dos utilizadores. O responsável defende que são as pessoas que têm de controlar os seus dados e, em último caso, são sempre livres de deixar a rede social.

Nos dois dias de interrogatório, foram muitos os momentos em que Zuckerberg teve de dar explicações básicas sobre o funcionamento do Facebook, respondendo à falta de conhecimento que alguns senadores e congressistas tinham acerca do funcionamento do Facebook (e da internet no geral, por vezes). Entre elas “como é que conseguem ter um modelo de negócio sustentável se os utilizadores não pagam pelos vossos serviços?”. “Senador temos publicidade”, respondeu após alguns momentos de (incrédulo) silêncio.

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