"Eu comecei o Facebook. Eu giro-o e sou responsável pelo que acontece aqui", disse Mark Zuckerberg no depoimento que foi hoje divulgado antes da audiência prevista para quarta feira junto da Comissão de Energia e Comércio dos Estados Unidos, e que está disponível no site da Comissão.

As palavras são praticamente as mesmas que o fundador do Facebook usou há duas semanas quando num longo post na sua conta do Facebook admitiu que não tinha sido feito o suficiente para impedir que ferramentas como a da Cambridge Analytica tivessem acesso a dados dos utilizadores.

Mesmo assim, Mark Zuckerberg aprofunda algumas das ideias, até porque a investigação que o Facebook iniciou nas últimas semanas já revelou novos dados, com cálculos sobre o número de utilizadores afetados - que inclui mais de 63 mil portugueses -  e a descoberta de mais aplicações que estão a aceder abusivamente a informação dos utilizadores da rede social.

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"O Facebook é uma empresa idealística e optimista. Na maior parte da nossa existência focámo-nos nas vantagens que a ligação entre as pessoas pode trazer", explica o CEO do Facebook no documento, dando exemplos da forma como a rede tem ajudado em situações críticas, como o Furacão Harvey.

O documento traça a história do caso Cambridge Analytica e da forma como desde 2013 o quiz criado foi recolhendo informação dos utilizadores, mas também aborda a manipulação russa das eleições norte americanas. E detalha passo a passo o que está a ser feito nos dois campos.

Ainda hoje Zuckerberg anunciou a criação de uma comissão independente que vai investigar e avaliar o impacto da manipulação de dados nas eleições.

Muita desta informação incluída no depoimento escrito já era conhecida, tendo sido divulgada ao longo dos últimos dias, mas servirá de base para a apresentação que Mark Zuckerberg vai fazer no Senado norte americano, onde responderá também às perguntas colocadas.

Tal como já tinha admitido antes, Zuckerberg acredita que a resolução dos problemas de segurança e privacidade vai demorar, mas garante que está "empenhado em corrigir tudo".

Para já a empresa deverá comunicar diretamente com os seus mais de 2,2 mil milhões de utilizadores para lhes dar conta se os seus dados foram ou não afetados pela Cambridge Analytica, o que deverá acontecer nos próximos dias.

O escândalo com a Cambridge Analytica ficou conhecido no passado dia 17 de março,  quando o The Observer e o The New York Times revelaram que a empresa britânica de consultoria política usou os dados de utilizadores do Facebook para criar um programa informático de propaganda destinado a influenciar os resultados de referendos e eleições, nomeadamente a de Donald Trump para as presidenciais dos Estados Unidos.

Apesar da configuração já ter sido removida, o responsável do departamento de tecnologia da rede social, Mike Schroepfer, indicou que o recurso tem sido usado (e abusado) há anos por empresas que querem ter acesso a dados de perfis públicos.

O pior é que a Cambridge Analytica não é a única, há ainda uma outra empresa a ser investigada, a CubeYou, acusada pelo Facebook de proceder da mesma forma, ao recolher “ilegalmente” informação de utilizadores da rede social, a partir de testes e jogos.

A equipa de Mark Zuckerberg considera que a empresa de análise de dados violou a política de uso de informações dos utilizadores da rede social. A CubeYou terá feito a recolha para fins de marketing e "não académicos", como era suposto.

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