A iniciativa Internet.org, dinamizada pelo Facebook, foi um dos destaques da entrevista em directo de Mark Zuckerberg no Congresso do Mobile World Congress, onde o fundador da rede social falou sobre os esforços para levar ligação Internet aos dois terços da população mundial que continua afastada dos serviços online.

Zuckerberg defendeu que estas pessoas podem ter vantagens em usar a Internet, melhorando a sua competitividade no mercado, acedendo a oportunidades de mercado e conseguindo mais informação e conhecimento.

Mas o objetivo é que os utilizadores consigam aceder à Internet sem gastar dinheiro, ou gastando muito pouco, daí que uma das componentes relevantes da iniciativa é o trabalho com parceiros em várias partes do mundo desenvolvendo um modelo de negócio que seja sustentável. Um estudo realizado com a Delloite aponta a possibilidade de aumentar a produtividade em 25%, gerando 2,2 biliões de dólares e conseguindo retirar 160 milhões de pessoas da pobreza.

A iniciativa já tem 50 parceiros e o fundador do Facebook admite que pode juntar mais 3 a 5 empresas que estejam empenhadas em disponibilizar uma rede acessível a todos, pondo no terreno o modelo para que daqui a um ano possa existir maior experiência real sobre a sustentabilidade do projeto. E conseguindo rentabilidade.

"Acredito que podemos perder dinheiro por algum tempo com isto [...] mas isto é uma coisa importante, que é bom para o mundo e a métrica será boa para a economia", explicou, salientando que o conselho de administração do Facebook está confortável com a missão definida a longo prazo.

"Se conseguirmos fazer isso bem como indústria acredito que daqui a 5 vamos ter mais de 1 bilião de pessoas ligadas e daqui a 10 anos podemos conseguir ligar todas as pessoas do mundo", sublinhou Mark Zuckerberg

Para além da disponibilização de uma rede gratuita, ou com planos de dados muito baratos, o fundador da rede social acredita que é preciso trabalhar também na oferta de valor da Internet, porque há quem não veja vantagens em conseguir uma ligação.

Nesse sentido Zuckerberg admitiu a hipótese de criar um serviço básico, de acesso a aplicações e informação base, como a Wikipedia, num modelo semelhante ao 911 americano - ou ao 112 europeu.

Estes são serviços básicos, muitos deles baseados em texto, e que podem estar disponíveis numa situação de emergência sem que o utilizador precise de ter um qualquer plano de dados.

NSA e WhatsApp
Zuckerberg não se escusou a responder a perguntas sobre temas mais delicados, como a privacidade e a vigilância de dados por parte do Governo americano.

Mantendo uma opinião que já tinha partilhado, o fundador do Facebook defendeu que "o Governo esteve para lá da linha na sua obrigação de transparência", e embora admita que os procedimentos já estão normalizados, sublinha que "isto tudo tinha sido dispensado e teria sido melhor para a Internet". E para o Facebook naturalmente, porque os serviços precisam da confiança dos utilizadores.

A propósito de serviços, e também de privacidade, foram naturais as perguntas sobre o serviço Whatsapp, cuja compra foi anunciada na semana passada.

Mark Zuckerberg defendeu que a equipa da aplicação tem liberdade para continuar a desenvolver a sua estratégia e aumentar a integração, e que o Facebook não vai interferir em nenhum processo, muito menos para reduzir a privacidade do serviço.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Nota da redação: a notícia foi atualizada com informação da conferência que entretanto já terminou.

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