De acordo com o The Register, o Reino Unido está a preparar-se para montar um teatro de espionagem massiva no país. O órgão de comunicação social obteve um documento oficial onde estão até discriminados alguns dos poderes que vão ser instituídos ao governo e, da lista discriminada, destaca-se a futura impossibilidade de manter comunicações totalmente encriptadas entre utilizadores em território britânico.

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A confirmar-se a implementação das medidas aqui contempladas, as empresas de telecomunicações que operam no país serão também obrigadas a providenciar o acesso aos dados dos seus clientes em no espaço de um dia útil, tal como a "dados secundários" relacionados com o utilizador.

E como referido, esta regra vai também aplicar-se a comunicações alegadamente encriptadas. Na prática, a medida vai resultar na inutilização de qualquer sistema assim protegido, uma vez que as operadoras terão de abrir uma backdoor para que as autoridades britânicas tenham acesso a qualquer comunicação mantida pelos seus clientes.

A vontade em estabelecer uma rede de vigilância em tempo real é sublinhada em vários pontos. Neste âmbito, o documento solicita ainda às mesmas empresas que seja possível, em qualquer momento, espiar um em cada 10 mil clientes em simultâneo. De acordo o The Register, o número concreto chegaria aos 6.500 utilizadores.

Antes de entrar em vigor, a proposta terá ainda de ser aprovada pelo parlamento.

O documento em questão enumera um data de capacidades técnicas a que o governo quer ter acesso uma vez instaurada a rede de vigilância. Foi enviado inicialmente a um grupo restrito de operadoras, mas o Open Rights Group, uma associação britânica que luta pela preservação dos direitos digitais, recebeu-o também esta semana e publicou-o online.

A atitude, embora ainda sem sustentação formal, pode significar que a organização está contra a implementação destas medidas. Por outro lado, o Conselho Técnico britânico, que é composto por seis representantes de empresas de telecomunicações do Reino Unido - O2, BT, BSkyB, Cable and Wireless, Vodafone e Virgin Media - e seis membros das agências de inteligência do governo, já deu o seu aval ao documento.

O processo de abertura de uma backdoor esteve em destaque em 2016 quando o FBI solicitou formalmente à Apple que o fizesse para o iPhone de um terrorista. A tecnológica de Cupertino não acedeu ao pedido, mas a força de segurança arranjou maneira de o fazer com recurso a outros meios.

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Na altura, a empresa norte-americana alegava que o processo era perigoso, uma vez que, aberta, a backdoor podia ser apropriada e utilizada por qualquer hacker.

Em declarações ao The Register, Sal Brinton, atual presidente do Partido Liberal Democrata do Reino Unido, disse que isto "mostra a vigilância em massa que o governo Conservador está a planear para depois das eleições". "É um autêntico assalto às liberdades civis e à privacidade das pessoas. Os serviços de segurança precisam de ser capazes de garantir a segurança das pessoas, mas estes poderes são desproporcionais, saíram diretamente de um pesadelo orwelliano e não têm lugar nas sociedades democráticas".

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