Um grande número de websites e contas de redes sociais ligados à Rússia e a grupos de extrema-direita têm vindo a disseminar desinformação, de acordo com notícia divulgada pelo New York Times. As "fake news" têm como objetivo encorajar a discórdia e a desconfiança em relação aos partidos políticos mais ao centro, influenciando os resultados das próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Estas novas tentativas de desinformação repetem muitas das táticas utilizadas em ataques russos anteriores, incluindo a interferência nas presidenciais americanas de 2016, segundo afirmações de investigadores e especialistas.

O New York Times refere como exemplos alguns sites de comentário político italianos, que utilizam as mesmas assinaturas eletrónicas que sites pró-Kremlin, ou dois grupos políticos alemães que partilham servidores com os hackers que estiveram envolvidos em ataques ao comité nacional do Partido Democrata americano.

Para Daniel Jones, ex-analista do FBI e investigador do Senado, cujo grupo sem fins lucrativos (“Advance Democracy”) recentemente identificou websites e contas de redes sociais suspeitas, “o objetivo aqui é maior do que qualquer eleição”. Considera o investigador que o que estes grupos pretendem é “criar divisões, aumentar a desconfiança e minar a nossa fé nas instituições e na própria democracia”. Ou seja, “destruir tudo o que construído após a Segunda Guerra Mundial”.

A distinção entre a interferência russa e “clickbait” ou indignação genuína não é fácil, mesmo para os serviços de inteligência. No entanto, segundo o New York Times, as impressões digitais pró-russas realmente existem. A Rússia desmente, porém, as acusações de interferência. Para o primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev “suspeitar de alguém por um evento que ainda nem sequer aconteceu são disparates paranóicos”.

As eleições para o Parlamento Europeu vão decorrer entre os dias 23 e 26, sendo vistas como um teste para o crescente populismo na União Europeia. Líderes populistas, muitos deles simpatizantes da Rússia, uniram-se informalmente na esperança de expandir a sua influência no Parlamento Europeu, tendo como finalidade redirecionar ou subverter a formulação de políticas em Bruxelas.

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