A pandemia não deu só um empurrão ao desenvolvimento da transformação digital nas empresas, na Administração Pública foi também transformadora, como defenderam os intervenientes da sessão de Industries Going Digital – Government and Public Services, no Portugal Digital Summit. A conferência da ACEPI decorre entre 19 e 23 de outubro, abrangendo vários temas ligados à Economia Digital, este ano num formato inovador, com transmissão online numa parceria com o SAPO.

Veja a transmissão em direto do Portugal Digital Summit com o SAPO

A AMA, Administração Tributária, Instituto da Segurança Social e INA estiveram representados no painel onde se falou de transformação digital na Administração Pública e na forma como esta se relaciona com o cidadão no seu dia-a-dia, concordando na ideia de que a resposta dos serviços foi rápida e eficaz perante a pandemia da COVID-19.

“Num curto espaço de tempo não só se desenvolveram novos serviços digitais de apoio e reconhecimento, como é caso do selo Clean & Safe, como também houve capacidade para desenvolver e promover serviços digitais que eram prestados nos canais presenciais, e aqui a implementação de serviços mais ágeis também ajudou nesse sentido”, referiu Sara Carrasqueiro, membro do Conselho Diretivo da Agência para a Modernização Administrativa (AMA).

A mesma opinião foi partilhada por Sofia Carvalho, Vogal no Instituto da Segurança Social, que lembrou que Portugal está muito bem posicionado naquilo que são os seus congéneres europeus em termos do índice anual de economia digital”. Mesmo assim admite que é preciso aumentar a literacia digital, aumentar os incentivos à utilização de mecanismos autenticação forte e explicar por que é que a autenticação via cartão do cidadão ou chave móvel digital é útil.

Inovar e apostar no design dos serviços

A qualificação dos trabalhadores da função pública não é um entrave para Elisabete Carvalho, diretora-geral do INA, que tem na sua tutela esta área. “Somos 705 mil pessoas e nem todas têm competências na área do digital, sobretudo com especialização em temas como a Inteligência Artificial". Por isso mesmo defende que é preciso ir buscar conhecimento onde ele existe, mas também de trabalhar para desenvolver o know-how interno, para transformar a Administração Pública, permitindo chegar com "os serviços aos cidadãos e às empresas, mas também para sermos motor transformador para a economia e da sociedade em geral”.

No caso da Autoridade Tributária a aposta no pensamento digital é visto como uma alavanca para maior agilidade e melhoria no acesso aos serviços. “Promover a simplificação é um objetivo estratégico na AT e temos aqui percorrido um ciclo virtuoso de devolver em serviço aos contribuintes e operadores económicos o valor da informação que acaba por tratar”, Mário Martins Campos, Subdiretor-Geral da Área dos Sistemas de Informação da Autoridade Tributária e Aduaneira.

Para além dos serviços que têm de funcionar bem, é importante que o design seja apelativo. "É importante recorrer a profissionais de serviços de design, até porque o estado vai sendo mais bonito e isso facilita a adesão e utilização”, explicou Sofia Carvalho. A ideia é pensar o desenho dos serviços desde a sua conceção, estudando a usabilidade e usando linguagem clara.

O serviço Portugal Digital, que está em processo de definição, prevê  um conjunto de metodologias transversais para a entrega dos 25 serviços. “Estamos a definir as reais necessidades e agregar os serviços numa ótica de utilização, a forma como se configuram e apresentam à sociedade”, sendo que “participação, integração, confiança, usabilidade e inteligência são as cinco características essências para o desenvolvimento de serviços públicos digitais”, defendeu Sara Carrasqueiro.

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