Aqueles que partilham música ilegalmente através da Internet são também os que mais dinheiro gastam em CDs e downloads pagos.

O argumento já náo é novo, mas foi agora mais uma vez confirmado por uma análise realizada no Reino Unido, que revela que quem partilha ficheiros gasta 75 por cento mais dinheiro em música, avança o jornal britânico The Independent.

O estudo foi encomendado pelo "think tank" inglês Demos, à Ipsos Mori, que entrevistou 1.000 residentes no Reino Unido com idades compreendidas entre os 16 e os 50 anos.

Cerca de 10 por cento admite fazer download ilegal de ficheiros de música e são também esses que mensalmente mais gastam para ter os álbuns que lhes interessam. Em média, 77 libras do seu orçamento mensal são afectadas a este tipo de compras, o que corresponde a cerca de 85 euros. São mais 33 libras (37 euros) do que a média gasta mensalmente por aqueles que afirmaram nunca terem descarregado música de forma ilegal.

Segundo afirma Mark Mulligan, da Forrester Research, ouvido pelo jornal inglês, os números podem ser explicados pelo simples facto de que quem partilha este tipo de ficheiros se interessa por música. "A partilha de ficheiros é utilizada como mecanismo de descoberta", explica a fonte.

O grupo que financiou o estudo acredita que as medidas do Governo inglês nesta matéria não irão ajudar a indústria musical a ultrapassar as dificuldades actuais. "Os políticos e as editoras discográficas precisam de reconhecer que a natureza do consumo de música mudou e os consumidores procuram preços mais baixos e um acesso mais fácil", afirma Peter Bradwell, do Demos, citado pelo jornal.

Em cima da mesa estão propostas que passam pela proibição de acesso à Internet a quem seja apanhado a fazer downloads ilegais. A indústria fonográfica inglesa estima que haja cerca de 7 milhões de pessoas a partilhar música ilegalmente por ano, num prejuízo que ronda os 223 milhões de euros anuais.

De acordo com o estudo agora divulgado, não será preciso chegar a tanto, 61 por cento dos inquiridos que admitiram adquirir música ilegalmente afirmaram que deixariam de fazê-lo se recebessem um aviso com a ameaça de suspensão do acesso à Internet durante um mês.

A nova lei tem data de entrada em vigor agendada para Abril de 2010, mas ainda se encontra em discussão.

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