Um estudo concluiu que o Reino Unido está prestes a entrar numa era em que a eficiência conferida pelos processos de automação e pela integração da inteligência artificial nos locais de trabalho, pode abrir espaço à introdução de semanas de trabalho com apenas quatro dias.

O documento explica que se os benefícios da aplicação destas tecnologias cobrissem os colaboradores, seria então possível readaptar as semanas de trabalho da mão de obra humana. A investigação, levada a cabo pela Social Market Foundation (SMF), adianta que mesmo nas empresas onde os benefícios obtidos com a implementação de robots são mínimos, há espaço para reduzir a carga horária dos trabalhadores.

No Reino Unido, existem vozes dentro do Partido Trabalhista que utilizam esta temática como bandeira. A ideia é apoiada pela federação de sindicatos (TUC), que recentemente defendeu a implementação de uma semana de trabalho de quatro dias pela voz da secretária-geral, Frances O'Grady, que acredita que este sistema pode ser posto em prática a nível nacional, ainda antes do final deste século.

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Os trabalhadores britânicos passam, em média, 42 horas por semana no trabalho, mas produzem 16% menos do que os seus congéneres de outras economias líderes do mercado europeu. De acordo com a SMF, um aumento de 10% na produtividade de uma empresa, pode baixar esta média para as 38 horas semanais, ao mesmo tempo que os benefícios e os salários se mantêm nivelados, tal como acontece já na Noruega e Dinamarca. Se este crescimento chegasse aos 30%, os colaboradores poderiam gozar de uma semana de trabalho de apenas 32 horas (8 horas de trabalho x 4 dias por semana).

Para que os trabalhadores possam gozar com a introdução destas tecnologias, e com o consequente aumento na produtividade das suas empresas, será também necessário que os governos estejam atentos a esta causa. Sem as medidas certas, será difícil, pela simples vontade das chefias, que as semanas de trabalho sejam reduzidas. Uma das propostas feitas nesse sentido, sugere que as grande firmas sejam obrigadas a publicar a receita média que geram por trabalhador, para que seja evidenciada a forma como este valor oscila em relação aos salários pagos.

Por último, Scott Corfe, economista chefe da SMF, afirma que a implementação de novas tecnologias nos locais de trabalho também origina novos problemas. "Algumas empresas estão a utilizar as novas tecnologias para monitorizar todos os movimentos dos colaboradores, incluindo o tempo que gastam na casa de banho. Precisamos de garantir que a tecnologia é implementada de forma ética, de forma a que a dignidade no trabalho seja mantida e que os trabalhadores sejam consultados durante este processo".

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