Depois de no final da semana-passada a Microsoft e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos terem chegado a acordo com vista a resolver um processso legal antitrust com mais de três anos (ver Notícias Relacionadas), a juíza Colleen Kollar-Kotelly comscedeu um prazo até terça-feira aos 18 estados norte-americanos que também processaram a gigante de software para decidirem se vão ou não assinar esse documento legal.



Para Eliot Spitzer, procurador-geral do estado de Nova Iorque, citado pela Associated Press, "eliminar a incerteza vai ser bom para a economia". Jim Ryan, procurador-geral de Illinois afirma também que está propenso a assinar. Por seu lado, Tom Miller, representante legal do Iowa considera que o acordo representa algum progresso. Sandra Michioku, porta-voz de Bill Locckyer, procurador-geral da Califórnia, adiantou que este estado ainda se encontra a analisar cuidadosamente os planos do entendimento jurídico.



As empresas concorrentes da Microsoft declararam pouco depois do anúncio, que o acordo vai contribuir muito pouco para proteger o seu negócio e os seus consumidores do poder do nonopólio da gigante de software. Mas mantinham a esperança de que os procuradores-gerais pudessem tornar o acordo mais restritivo.



Na opinião de Mitchell Kertzman, director executivo da Liberate Technologies, produtora rival de software para televisão interactiva, "este acordo não abrange o âmbito das violações à lei antitrust norte-americana de que a Microsoft foi acusada", tendo sido ",inexplicavelmente, um mau acordo para o governo".



Já para Paul Capuccio, conselheiro geral da AOL Time Warner, este entendimento contribui muito pouco para promover a concorrência e protejer os consumidores. O acordo proposto para o caso antitrust vai obrigar a Microsoft a fornecer a entidades independentes de inspecção acesso total aos seus livros de contabilidade e planos durante os próximos cinco anos e a disponibilizar de modo a ajudar a concorrência a tornar os seus produtos compatíveis com o sistema operativo Windows.



A Microsoft e a Administração Bush afirmaram que esperavam que o acordo ajudasse a economia em crise ao revitalizar a indústria informática multibilionária que tem vindo a sofrer com uma recessão depois de anos de enorme crescimento.



Bill Gates, presidente e co-fundador da empresa, comentou que este texto legal "vai para além do que nós poderíamos ter querido, mas que "era o mais certo a fazer". Se os fabricantes de computadores e as produtoras de software concorrentes tirarem partido das condições do acordo, os consumidores poderão assistir a grandes mudanças ao ambiente de trabalho familiar do Windows.



Porém, as primeiras diferenças nos computadores só vão começar a notar-se dentro de meses, embora segundo o procurador-geral dos Estados Unidos John Ashcroft, os consumidores vão benefeciar do acordo proposto. Gates, que combateu vigorosamente as acusações primeiro levantadas pela administração Clinton, foi mais conciliatório do que o habitual. "Vamo-nos concentrar mais no modo em que as nossas acções afectam outras companhias", prometeu.



Nos termos do acordo, os clientes poderão adquirir um computador com o Windows e o sistema operativo open-source Linux instalado. Poderão também, por outro lado, ver um ícone do software de instant messaging da AOL no ambiente do trabalho, em vez do Windows Messenger.


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