Mesmo que não fizesse sentido para todas as empresas que participam no Mobile World Congress, algumas já veteranas, a criação de um stand partilhado por várias startups poderia facilitar a presença de muitas marcas e serviços que se querem afirmar no mercado das comunicações.

Canadá, Espanha, França, Japão, Tunísia e Suécia são alguns dos países que optaram por presenças conjuntas, dando espaço a pequenas empresas e startups para mostrarem os seus produtos e serviços no maior palco internacional do sector, potenciando uma internacionalização que tem sido muitas vezes apontada como um objetivo estratégico também pelo Governo português.


participações agregadas noutros eventos internacionais de TI, nomeadamente na CeBit, com missões organizadas pela ANETIE e o AICEP (na altura ICEP), mas a última realizou-se em 2010.

O AICEP continua a organizar missões e participações conjuntas em várias feiras internacionais mas questionado pelo TeK não respondeu em tempo útil sobre as razões que levam a este "esquecimento" em relação aos sector das comunicações / TI e ao Mobile World Congress.

A ANETIE, que continua a organizar missões de empresas a várias feiras internacionais, reconhece o interesse que poderá existir na participação das empresas portuguesas neste evento e "esta participação foi já colocada na nossa programação e analisada, por diversas vezes, no âmbito das auscultações de interesse que vamos sempre empreendendo junto dos empresários", afirmou ao TeK Tiago Valente, diretor geral da ANETIE.

"Na verdade, a ANETIE já desenhou e calendarizou uma missão internacional neste sentido, em 2012. No entanto, não obtivemos manifestações de interesse por parte das empresas nacionais", explicou, adiantando que isso se deve, em parte, ao facto de os planos de apoio à internacionalização que a associação tem vindo a promover apostarem na atuação em rede e no estabelecimento de parceiras multidisciplinares entre empresas de diferentes áreas de atividade no quadro das TI.

Esse é aliás o propósito da Plataforma LOGIN>PT, que Tiago Valente diz que tem vindo a afirmar-se como um instrumento fundamental na estratégia de promoção da internacionalização desenvolvida pela ANETIE e que vai lançar em breve um road-show internacional.

Mesmo assim, e atendendo a que este ano o volume de empresas portuguesas no MWC14 foi substancialmente superior, "poderá fazer sentido o desenho de uma missão (com proposta de pavilhão português) no ano de 2015", defende o diretor geral da associação.

Questionado sobre se Portugal deveria ter um pavilhão conjunto no MWC14, Vasco Lagarto, do Pólo de competitividade das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica (TICE), admite o interesse. "As empresas portuguesas têm produtos inovadores (e diversidade ) que podem perfeitamente dignificar e serem dignificados pela bandeira nacional, contribuindo para melhorar a imagem tecnológica de Portugal", explica.

Embora a questão do financiamento seja considerada importante, Vasco Lagarto prefere dar realce ao espírito do "querer fazer e querer fazer em conjunto".

"Querer fazer em conjunto" (e disso depende muito o sucesso das iniciativas…) implica capacidade de valorização mútua e muito diálogo e, eventualmente, algumas cedências. Não é fácil….mas possível!", adianta. Os custos esses teriam de ser partilhados entre os participantes, embora com alguma componente de apoio "público".

Mas lembra que muitas vezes, quando há comparticipação pública, são "impostas" algumas restrições que nem sempre são atrativas para quem quer dar visibilidade à sua empresa…

O responsável pelo pólo de competitividade admite que "o TICE pode acolher perfeitamente este tipo de iniciativa", defendendo que o que é crucial é que as entidades participantes se sintam empenhadas no processo e não propriamente só porque são convidadas a participar.

"O trabalho fundamental será sempre o da conciliação de objetivos e expectativas, que nem sempre são, à partida, coincidentes!", refere, recordando que há apoios comunitários para eventos de "match-making", não propriamente para participação em eventos deste género, mas que é possível recorrer a programas nacionais de apoio à internacionalização onde este tipo de iniciativas se pode enquadrar.


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fátima Caçador

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