Em conjunto com a Grécia, Portugal obteve na última década o maior nível de crescimento em termos de mudança estrutural entre os Estados-Membros da União Europeia (UE). Mas esse bom resultado não foi suficiente para o país deixar de ocupar o último lugar em termos de inovação.



Estes resultados constam de um índice de inovação global denominado Quadro de Resultados da Inovação 2001 - Innovation Scoreboard 2001 - elaborado pela Comissão Europeia e divulgado hoje, que resulta da combinação de 17 indicadores agrupados em quatro grandes áreas: recursos humanos, criação de conhecimentos, transmissão e aplicação de novos conhecimentos e inovação financeira de produção e de mercados.



O Quadro vem de encontro a um pedido do Conselho Europeu de Lisboa ocorrido em Março 2000, data em que a União Europeia definiu como meta transformar-se no mercado mais dinâmico e competitivo baseado na sociedade da informação no espaço de uma década.



Portugal apresenta o valor mais reduzido de inovação tecnológica da UE. Deste modo, afasta-se ainda mais da média europeia em comparação com análises anteriores. O relatório descreve a situação de Portugal como "ficando cada vez mais para trás", inserindo-se num quadro negativo em que se integram também a Itália, a Áustria e a França, embora em menores proporções.



"A taxa de evolução muito baixa em Portugal indica que o desempenho do país em matéria de inovação está a afastar-se ainda mais da média europeia", explica o documento. Os autores do relatório apontam como razão para este atraso de Portugal e da Grécia a dificuldade em "estabelecer políticas e condições estruturais que lhes permitam melhorar rapidamente o seu desempenho ao nível da inovação", referindo neste caso a Irlanda como exemplo a seguir pelos dois países.



De acordo com os indicadores do Quadro, o nível de investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) constitui o maior ponto fraco de Portugal em matéria de inovação, apesar da melhoria significativa no sector público. As despesas públicas em I&D representaram em Portugal 0,4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados nacionais de 1997 referidos pelo Quadro dos Resultados de Inovação 2001.



Para além de Portugal, só a Grécia e a Irlanda apresentam um pior desempenho nesta área. O relatório salienta, porém, o aumento significativo das despesas públicas nacionais em Investigação e Desenvolvimento. Em 1995, Portugal registou um aumento de 11 por cento do investimento público naquela área, tendo sido o terceiro país na União Europeia a registar maior taxa de crescimento, ao passo que a média europeia foi de menos 6 por cento.



No que diz respeito à evolução da inovação - percentagem da mudança de um indicador em relação ao ano ou conjunto de anos anteriores -, Portugal fica-se também pelo último lugar com uma taxa média de mudança de 8,6 por cento, quando a média europeia alcançou os 30,5 por cento.



O grande ponto forte de Portugal está no investimento em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e na inovação ao nível dos produtos, sendo o terceiro país da UE que maior percentagem do PIB investe em TIC, ou seja, 6,6 por cento, do mais que a média europeia (6 por cento), que os Estados Unidos (5,9 por cento) e o Japão (4,3 por cento). Para os autores do documento, este é "um traço fundamental da sociedade do conhecimento e o condutor do aumento da produtividade actual e futura".



Ao nível dos cinco indicadores na área dos recursos humanos em matéria de inovação, o desempenho português é considerado fraco, situando-se no mínimo a 20 por cento abaixo da média europeia. No caso da população portuguesa entre os 20 e os 29 anos, apenas 5,5 em cada mil possuem um diploma - habilitações acima do ensino secundário - nas áreas científicas e de engenharia, cerca de metade da média europeia (10,4 por mil).



A nível de emprego em serviços de alta tecnologia - telecomunicações, tecnologias de informação, desenvolvimento de software -, o país ocupa mesmo a última posição entre a União Europeia, com apenas 1,2 por cento do total da força de trabalho nestes sectores.



Outro indicador analisado pela Comissão Europeia para medir o grau de inovação de um país é a percentagem de lares com Internet. Segundo os Quadros da Inovação, em 2000 18 por cento dos lares portugueses possuiam Internet, mais do que em Espanha (16 por cento) e próximo dos valores de França (19 por cento), mas longe da média europeia (28 por cento).



Em termos gerais, os países europeus mais inovadores registam grandes melhorias em relação aos Estados Unidos e Japão. Reino Unido, França e Irlanda ocupam as posições cimeiras na oferta de quadros superiores nas áreas de ciência e engenharia, na população entre os 20 e os 29 anos. No que se refere ao investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) no sector público, a Finlândia, Holanda e Suécia ultrapassam os norte-americanos e nipónicos.



Por outro lado, a Holanda, Suécia e Dinamarca são, a nível mundial, os países onde o acesso à Internet a partir de casa é maior, com taxas de, respectivamente, 55, 54 e 52 por cento, contra 47 por cento nos Estados Unidos e 28 por cento no Japão (valor igual ao da média europeia).



Contudo, a nível geral, a União Europeia encontra-se em desvantagem em relação aos Estados Unidos e Japão. Os EUA, por exemplo, lideram face à Europa em termos de taxas de educação superiores, de investimento em I&D no sector privado - apresentando uma vantagem de 74 por cento sobre a UE -, no acesso à Internet em casa - 60 por cento superior - e no número de patentes de produtos de tecnologia de ponta.



A Europa tem vantagem sobre os EUA na oferta de quadros superiores nas áreas científicas, na taxa de investigação e desenvolvimento no sector público e nos investimentos em tecnologias de informação e comunicação (TICs). Segundo o relatório, que será publicado anualmente, as principais fraquezas da UE centram-se no declínio do nível de investimento público e privado em I&D na última década e no reduzido número de patentes de produtos de alta tecnologia.



As patentes norte-americanas de produtos de tecnologia de ponta na Europa são cerca de sete vezes mais que as patentes europeias nos Estados Unidos no mesmo sector.
Em relação ao Japão, o balanço é igualmente desfavorável para a UE, que lidera apenas no investimento em TICs. Suécia, Finlândia, Dinamarca, Holanda e Irlanda são os países que mais vezes lideram os indicadores relativos à inovação no espaço dos Quinze.


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